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sexta-feira, 1 de julho de 2016

República Brasileira.

Só dando um toque... A vida tá difícil? A sociedade é injusta? A sociedade é grave? Os direitos são frágeis? O estado é inoperante? Começou agora? Não? Pois é...

Temos 126 anos de república, apenas. Nestes 126 anos só tivemos voto universal (para todos os cidadãos) em menos de 26 anos (pobres, negros, analfabetos e mulheres foram ganhando direito a voto ao longo do tempo - ou seja, ganharam cidadania). Foram 36 presidentes. Mas apenas 12 foram eleitos pelo povo. Dos 12, apenas 5 terminaram o mandato. Golpes e golpes...


Tivemos 3 estados de exceção durante a república e estamos caminhando para o 4º. Ou seja, 3 momentos de ditadura. O período máximo em que a república no Brasil realmente foi respeitada não passa de 26 anos.

Sabem quanto tempo a esquerda governou o país nesses 126 anos?  Menos de 14 anos! How!!!

Será mesmo que o Brasil é atrasado, corrupto, "pobre" e vivemos mal por causa das ideias de esquerda? Porque a direita governa esse cabaré, que eu amo, há 112 anos e veja como é bom, como vivemos bem, como somos desenvolvidos!

E eu ainda tenho de ter tranquilidade para encarar as críticas infundadas de quem quer apenas, deixar as coisas como sempre estiveram. Ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Essa é a direita. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O problema é... quando os ouvidos tem paredes... ou - Os motivos do Terrorismo



07 de janeiro de 2015, Paris, França...

Os irmãos Chérif e Saïd Kouachi invadem a redação do controverso periódico Charlie Hebdo e fuzilam com fuzis de assalto 12 pessoas, dentre elas 2 policiais, ferem mais 11 pessoas, 5 delas gravfemente, que estavam nas imediações. No mesmo dia outro terrorista, Amedy Coulibali, assassina um policial em outra região da Cidade.

08 de janeiro de 2015, Paris, França... 

Amedy invade um supermercado e mata 4 pessoas.

11 de janeiro de 2015, Paris, França...

Amedy é morto pela polícia. Em seguida o vídeo de autoria associada ao Estado Islâmico é divulgado.

13 de novembro de 2015, Paris, França...

Atentados simultâneos matam 129 pessoas, até agora, além de centenas de feridos. Foram explosões no Estade de France e tiroteiros na casa de shows Bataclan, no bar Le Carollon, no restaurante Le Petit Cambodge, no bar A La Bonne Biére, no bar La Belle Equipe e na Brassserie Comptoir Voltaire. Novamente o estado Islâmico assumiu os ataques e prometem mais.

Uma miríade de representantes Islâmicos vem a público renegar esses crimes como sendo praticados por sua fé, e sim por fundamentalistas radicais que não representam o Islamismo.

Não se justifica terrorismo. Está errado e pronto.
Mas precisamos entendê-lo. Precisamos muito entendê-lo.

Esse post surge porque, ao comentar a tragédia em dois grupos distintos, com pessoas distintas, quando falei que os terroristas tinham seus motivos, todos foram imediatos em dizer que não haviam motivos que justificassem o ato. Tentei dizer que motivos não são justificativas, mas os entendimentos pareceram tão surdos que resolvi falar aqui. E eu acho que, a falta de disposição para entender a situação é, em boa parte dos casos, a raiz de todo engano.

Não vou me ater ao fato de que, somos extremamente seletivos em relação a nossa identificação. 129 pessoas na França causam uma comoção no mundo ocidental que nenhuma dezena de milhar de negros africanos trucidados causaria. Não faltam exemplos... mas esse não é o tema.


O Estado Islâmico, conhecido como ISIS ou ainda Daesh, ocupam um território entre a Síria e o Iraque. A conquista veio à força e no vácuo de poder existente no território. Implantaram um modelo político teocrático e cometem uma barbaridade atrás da outra em nome de Alah.

Agora chegamos ao ponto... aqueles motivos... Mas tudo começa numa dúvida: Porque tantas pessoas daquela mesma região, com tanta frequência, decidem explodir pessoas mundo afora, matar inocentes e professar uma crença insana e primitiva? Porque, na região onde se encontra o Oriente-médio, a Península Arábica, parte da Ásia Oriental e Central e uma parcela do norte da áfrica, tem uma proliferação abundante de pessoas que acreditam ser essa uma melhor saída para a vida e para seu povo? Eu acho que esse é meu ponto de partida. Vou apresentar o que eu penso, tão somente.


Primeiro ponto, a meu ver é que é uma região rica, ou potencialmente rica. De muitos usos e muitas culturas antigas. Para o bem e para o mal ela está localizada na "fronteira" entre a Ásia e a Europa e o problema começa aí... o que deveria ser uma benção, vira uma maldição.

O povo árabe é numeroso, mas extremamente subdividido ao longo do tempo. Tal qual seus primos Judeus, possuem uma cultura forjada no deserto, com verdades absolutas, necessidades imediatas, intolerância a dissenção, tolerante ao sofrimento e perseverante com a naturalidade com que respiramos. Os Judeus, em sua imensa diáspora, foram influenciados pelas sociedades burguesas das quais participaram, mas os árabes cultivam, em muitos aspectos, a mesma visão árida do deserto.

Islã
Eles conseguiram edificar uma das civilizações mais avançadas e prósperas de sua época com os Califados árabes, quando finalmente edificaram uma identidade cultural que configura-se até hoje. Seguidas invasões e guerras em fim em seu território tornaram seu desenvolvimento um fardo, sendo unificados e divididos e invadidos seguidas vezes. Mesmo assim, depois da ascensão do monoteísmo islâmico, ampliaram fronteiras, convertendo pela fé ou pela espada, cada vez mais povos, dominaram o norte da áfrica e a península ibérica até serem expulsos da Europa.

A lista de conflitos na região é grande. Foram dominados ou acossados por Egípcios, Macedônios, Mongóis, Romanos, por toa  toda Europa nas Cruzadas e pelos Turcos que dominaram o que chamamos de Oriente Médio desde a queda do Império Bizantino em 1453 até 1922 com a primeira guerra mundial.

Durante toda a antiguidade e idade média a região era importante por ser rota comercial do oriente para a Europa, e por isso, todos a desejavam a ponto de matar e morrer pela riqueza da região. Além do aspecto econômico, a questão religiosa com a posse dos locais sacros das maiores religiões monoteístas do planeta está sempre na mesa de debates e nos campos de batalha.

Apenas no século 20, com o fim do Império Otomano, o povo árabe começou a desejar ser uma nação unificada com um país para chamar de seu. A ideologia do Pan Arabismo e o crescimento econômico da região foi solapado pelo desenvolvimento tecnológico mundial, utilizando petróleo como força motriz de carros, aviões, fábricas, navios... O Oriente Médio flutua sobre 1/3 das reservas de petróleo de todo o planeta. Essa riqueza, transformada em interesse das grandes potências fez com que o sonho de um grande Estado  Árabe fosse jogado no lixo através de diversos pequenos estados, dependentes economicamente da Europa e EUA e recebendo constante interferência política e econômica.

Em resumo, desde o fim da primeira guerra mundial, EUA, Inglaterra e França fazem o que querem na região em maior ou menor grau.

Bush e Saddam
 A formação da Arábia Saudita, da Síria, a criação de Israel, do Irã, Iraque, Kuait, Jordânia dentre outros... todos sofriam, e sofrem, interferência externa contínua. Saddam foi financiado pelos EUA até se opor aos interesses americanos (veja a imagem de Saddam com o presidente americano). O Irã, através de uma revolução religiosa derrubou o Xá Reza Pahlavi alimentado pelos Ingleses e Americanos e ganhou uma guerra com o Iraque financiada pelos Ocidentais. E essa condição não era limitada ao Oriente Médio e nem a Ásia. Por exemplo, o Afeganistão, sob domínio Russo, foi treinado e armado pelos EUA para os derrotarem, e depois foram invadidos devido a interesses políticos e
Bush e Saudita
econômicos. A lista de ajuda monetária, treinamento e armamento para aliados da Europa e EUA que se dispunham a derrubar governos não alinhados é enorme (veja imagem de integrante da família Bin Laden, que orbita o poder Saudita com apoio americano). Coloque nessa conta todas as ditaduras sulamericanas e não fica só nisso. A guerra do Vietnã e da Korea também possuem o dedo Americano,m Chines e Russo invadindo o campo de auto-deliberação de outros países em prol de seus benefícios políticos e econômicos.

Mas voltando aos Árabes.

Esse povo alimenta o sonho de definir os destinos de sua vida a quase 100 anos e são paupérrimos (com exceção de ilhas de riqueza, como o Catar) pisando num mar de ouro. A excessiva interferência Europeia resulta no acirramento das ideias de opressão e na xenofobia. A pobreza é celeiro fiel de novos radicais dispostos a explodir bombas no próprio corpo em prol de uma realidade melhor, de um futuro melhor porque que o seu presente é uma grande droga. Vejam onde nascem as principais organizações radicias e você terá um mapa dos territórios mais miseráveis e manipulados do mundo árabe. Essa ideologia transpõe fronteiras e encontra solo fértil na segregação e no desejo de independência. Essa ideologia encontra seus elos de identificação via religião, com a mesma virulência e radicalismo professado pelo cristianismo à época da "Santa" Inquisição, com o mesmo furor eugênico do Nazismo, e com a mesma ganância com que o Império Azteca e Inca foram dizimados pelos Latinos no "descobrimento" do continente americano.


Execução em massa de prisioneiros iraquianos pelo ISIS
O atual ISIS... surge no vácuo de poder perpetrado pelas constantes interferências no território Iraquiano. Com a derrubada do Governo e invasão americana, o caos social consequente permitiu essa excrecência. Tudo indica que o ISIS foi alimentado com armas americanas, que queriam apoiá-los na derrubada de ex-aliados que tomaram atitudes independentes. Tudo indica que a principal fonte de renda do ISIS seja a venda de petróleo... que é comprado pelo Irã e pela Turquia, aliada dos EUA, e revendido no mercado internacional. É obvio que isso está errado, mas na balança ou gangorra política local o que mais interessa aos países ricos é, quem me dará mais vantagens econômicas e políticas. O ISIS posta vídeos com atrocidades a meses e meses... dezenas deles... ninguém do ocidente se dispôs realmente a intervir até muito pouco tempo. Agora que sangue francês foi derramado em solo francês, a tendência é que as relações se modifiquem.

Em relação à França, a menos de 39 anos a França ainda possuía países colonizados. Djibout foi a última colônia francesa a conseguir sua independência. A 60 anos atrás, nada menos que 21 territórios eram colonizados (ou seja, escravizados) pela França. Até o início do século passado a população Parisiense era brindada com exibições "etnográficas", onde negros eram expostos em zoológicos improvisados como atração cultural. Recentemente a França integrou, e integra, a frente que bombardeia o Oriente Médio, o Afeganistão e onde quer que os interesses comerciais franceses, ingleses e americanos apontem. Não é de se espantar que os terroristas tenham apreço por explodir a França. A própria Síria era um país com majoritária interferência francesa até a Guerra Fria.

Doutrina Monroe
Paris é linda. A população francesa não merece explodir nas mãos de fanáticos fundamentalistas em nome de uma deturpação da fé. Mas é inegável que eles tem seus motivos. Quando os países ricos começarem a respeitar a auto-designação das nações mais pobres em vez de utilizar a Doutrina Monroe (que prega uma diplomacia de voz suave mas com um grande porrete nas mãos - sem pudor de usá-lo) talvez deixaremos a rotina do terrorismo como um marco histórico de seu tempo e não na constante cobertura dos telejornais diários.


Lamento, lamento tanto.


https://www.youtube.com/watch?v=-ni6AktLw5Y

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Enem 2011... a polêmica...

Voltei para falar disso.

De fato sinto-me atingido de todos os lados por essa questão. Tenho minha moça participando e familiares queridos idem. Inclusive uma maravilhosa prima no olho do furacão, aluna do Christus e provável "repetente" da prova de 2011.

Primeiro vamos pensar sobre o ENEM.

Eu concordo plenamente com a proposta do pleito nacional. Acho que ele avança "anos luz" em nosso processo educacional. Ele não só garante acesso irrestrito, articulando pelo SISU todas as possibilidades para o "vestibulando" em todo o país, como, sutilmente, inicia a mudança de paradigma fundamental no ensino médio, ele exige que o candidato saiba "pensar"!!! Ora, "ensinar a pensar" é muito mais complexo. Ensinar a refletir exige um certo grau de autonomia e um certo nível de discernimento. Alunos capazes que não tiveram chance de adquirir uma "formação adequada", ou "particular" em geral, podem concorrer, a certo nível com alunos ultra informados que possuam um nível rasteiro de reflexão. O ENEM proporciona uma mudança de paradigma na educação brasileira.

O fato é que existe muito dinheiro e muito interesse envolvido nesse imbróglio. Muita gente deseja o fim do ENEM, porque é muito mais fácil ensinar um aluno a "decorar" certas coisas do que aprender a "pensar" sobre a realidade. A maioria dos professores "renomados" do ensino médio que conheço repudiam o ENEM, justificando que esse processo não mede adequadamente o conhecimento do aluno. Mas a questão a meu ver, é outra... há menos controle sobre a ponte entre o que se ensina e o que se cobra na prova. A redação é alvo das maiores críticas.

A redação do ENEM é corrigida por dois professores. A nota final é uma média simples entre eles. Para o sistema uma variação de até 300 pontos (vale de 0 a 1000) é aceitável. Eu acho muito, mesmo assim não é o fim do mundo! Para o ENEM o conteúdo da redação conta. O argumento vale ponto. Não basta apenas escrever corretamente, tem de ter conteúdo. Esse é o problema do ensino médio brasileiro. Faz muito tempo que bastava ensinar a escrever correto. Caso o aluno redigisse sem nenhum erro de concordância, ortografia, pontuação, dentro das linhas e do tema, era 10!!!! Podia ser a imbecilidade que fosse! Era 10. Hoje não é assim, tem de ter argumento.

Ocorre que isso traz um problema para a correção. Ela passa a ser "subjetiva". E se o corretor não concordar com o argumento... a nota cai! Esse é um aspecto que precisa "obrigatoriamente" evoluir.

Em relação as falhas do ENEM.

Em 2009 a prova vazou. Toda ela. Descobriram antes e mudaram a prova antes de aplicá-la. Os envolvidos foram pegos me respondem a processo, infelizmente ninguém ainda está preso, mas isso não é "culpa" do ENEM. A prova foi aplicada corretamente, sem falhas graves e ninguém foi prejudicado no "afinal das contas".

Em 2010 houve um erro, de impressão. Quando uma parcela das provas foram aplicadas com falhas nos gabaritos e questões. Muitos candidatos tiveram que refazer o ENEM. Foi um erro grave? Sim. Mas afetou 0,003% dos candidatos. Ao todo, próximo de 9.000 candidatos repetiram a prova. Num universo de 4 milhões de estudantes foi um erro "mínimo", típico de um processo que está sendo construído.


Em 2011 não houve nenhum problema na aplicação do ENEM. Repito, NENHUM!!!! Mas houve, infelizmente a antecipação de "14 questões" pelo colégio Christus em Fortaleza, estado do Ceará, que colocou em "xeque" todo o processo.

Para entender essa situação necessitamos de várias informações "extras" ou "anteriores".

As questões do ENEM são feitas exclusivamente para ele. Não estão em nenhum local da internet, livros ou bancos de dados alheios ao do INEP. São contratados professores universitários, que não trabalham com o ensino médio para criarem as questões num ambiente perfeitamente controlado. O professor assina um termo de autenticidade das questões e as constroem numa sala sem nenhum contato com o exterior.

Suponhamos que um professor fez 50 questões. Dias depois ele é avisado sobre quantas questões das que ele fez foram aprovadas. Imaginemos que das 50, 20 foram aprovadas. Essa 20 vão para o banco de dados mas o professor não sabe quais foram aprovadas e quais não foram. Isso significa que o professor não pode afirmar se a questão "X" vai "cair" ou não no ENEM. As questões aprovadas vão para o banco de dados. E mesmo aprovadas não há certeza de que nenhuma das 20 serão utilizadas em algum ENEM. É possível que elas nunca sejam utilizadas.

O banco de dados contém um número muito maior de questões do que são aplicadas e isso diminui ainda mais a chance de alguma questão de 1 único professor seja usada.

Repetindo, em 2011 não houve "NENHUM" problema na aplicação do ENEM. NENHUM PROBLEMA!!! Mas houve o problema da antecipação das 14 questões pelo colégio Christus. Só que essas questões vazaram no "pré-teste" do ENEM. Vamos entender o que é isso.

O ENEM tem 180 questões mais redação. Porém o método utilizado é o TRI, que atribui valores diferentes às questões. Isso significa que dois estudantes que acertarem as mesmas 130 questões terão notas diferentes, porque as questões estão divididas em Fáceis, Médias e Difíceis. Mas ninguém sabe que questões são as fáceis, médias ou difíceis. A classificação de uma questão como fácil ou difícil depende do PRÉ-TESTE. Ele sempre é aplicado 1 ano antes do ENEM vinculado ao pré-teste em várias escolas pelo Brasil. Em 2010 o pre-teste foi feito em 10 estados e no Ceará a escola sorteada (sim, é um sorteio) foi o Christus.

É no "PRÉ-TESTE" que são definidas que questão vão ser classificadas como fáceis, médias ou difíceis, pela quantidade de acertos dos alunos submetidos. A definição de quais alunos participarão e quantos serão é feita por amostragem. E são aplicados aos alunos que teoricamente não farão o ENEM do Pré-teste.

Ocorre que dos 36 cadernos do "pré-teste", aparentemente o Christus teve acesso a 2 deles. Como? Não sei. Fato é que o Pré-teste em 2010 foi aplicado no Christus e dos 36 cadernos eles tem as informações de 2.

O processo do Pré-teste é relativamente simples. As questões vem lacradas de Brasília. Os aplicadores são de fora e vem exclusivamente para a aplicação. Eles entram, aplicam e saem com o mesmo número de cadernos que entraram. Nenhum foi extraviado em 2010. O responsável pela aplicação do Pré-teste é a Fundação Cesgranrio e a responsabilidade dela deve ser cobrada, porque ela está no olho do furacão e quase não se fala nela. Como o Christus teve acesso é uma incógnita. Mas o FATO é que faltando semanas para o ENEM o Colégio Christus distribuiu um TD com seus alunos contendo todas as questões dos 2 cadernos do pré-teste em questão. Esse material foi entregue impresso sem a "logomarca" da escola e sob orientação, segundo narrativa de alunos, de que deveriam ser restritas aos alunos porque "provavelmente" algumas questões cairiam no ENEM.

O resultado desse "provavelmente" é que cerca de 14 questões foram aplicadas no ENEM de maneira "idêntica" ou muito semelhante (mudando detalhes no enunciado, por exemplo) as contidas nos cadernos do pré-teste. Podia não ter "caído" nenhuma, mas podiam ser 20, 30 ou 40... as questões do pré-teste podem ou não aparecer na prova do ano seguinte mas não há garantias.

Diante do problema eu acredito que a situação será resolvida penalizando os alunos do Christus. Acho que a decisão será "política" e não técnica. A "culpa" cairá sobre o Governo ou sobre a escola... e o Governo não vai comer essa bronca... ele quer preservar o ENEM e nisso eu torço por ele, apesar de lamentar profundamente a solução encontrada. Toda solução nesse momento é um remendo, sempre prejudicará alguém, desde que a prova não seja anulada. Além disso tem a questão de que os dos 600 e poucos estudantes já indicados não são todos, existem outros que estão fora da conversa. O Christus tem os alunos do cursinho que na inscrição do ENEM não identificam escola, mas que tiveram acesso amplo ao logro dos TDs. Esses ainda devem entrar na "brincadeira" da anulação, se assim for.

O que o COLÉGIO CHRISTUS precisa responder, na minha opinião é:
- Como ele teve acesso a todas as questões dos 2 cadernos do Pré-teste de 2011?
- Porque as questões foram ofertadas aos alunos num material "sem a logomarca" do colégio?

Eu acredito (é uma questão de crença e não de fato) que o colégio agiu de má fé. E lamento profundamente que uma longa história de serviços prestados com qualidade a sociedade cearense seja manchada desta forma.

E sobretudo, tenho muita dó de todos os alunos do Christus que fizeram o ENEM que talvez necessitem refazer a prova. É uma provação desnecessária. Os alunos nada fizeram de errado para sofrerem isso, em nenhum momento. Apenas estudaram, cultivaram o sonho de uma faculdade e confiaram no colégio e professores. Em suma, o que todos os alunos de todo Brasil fizeram e farão, confiar nos seus professores.

Sobre as colocações preconceituosas sobre nordestinos e afins eu digo que: "todos temos nossa cota de IMBECIS", a cota de São Paulo se pronunciou falando mal do Ceará e do Nordeste e a "nossa própria cota" está na rede falando mal dos estudantes do Christus que nada fizeram além de reagir defensivamente com medo diante do turbilhão que os acossou...

Espero que o ENEM permaneça; Que os CULPADOS por essa ofensa sejam responsabilizados; e que todos os alunos do Christus façam uma boa prova, se nada mudar até lá.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tragédias que repercutem...

Lamento profundamente a dor dos envolvidos. Fico triste e chocado com a brutalidade em que alguns eventos tem lugar na nossa vida. Encontro-me solidários as famílias que tão tristemente perderam seus entes queridos em situações que nunca serão completamente superadas.

Contudo, me incomoda a repercussão seletiva dos casos.

Ficamos todos tristes com a queda do avião da NOAR que vitimou 16 pessoas em Recife. A tristeza torna-se absurda ao observar uma série de indícios de má conservação das aeronaves, supondo que tudo poderia ter sido evitado.

E ficamos indignados com a morte da advogada paulista, vítima de abalroamento por um Porsche na madrugada. E a indignação aumenta ao observar o comportamento indigno do motorista ao ignorar solenemente a vida que se esvaía no carro ao lado por responsabilidade também dele, que tinha sinais de embriaguez e trafegava em altíssima velocidade numa área urbana.

Mas não é só isso. Porque estamos tristes por todo Brasil com esses dois casos e ignoramos ou desconhecemos a avalanche de casos que ocorrem em nossas cidades todos os dias?

Eu moro próximo da avenida que possui maior números de acidentes no meu estado. É uma rodovia, melhor dizendo, onde morrem pessoas com espantosa frequência. Todos os dias vejo acidentes com carros, motos e bicicletas. Todo dia no caminho para o trabalho, sem exceção. A gravidade varia, mas alguns casos terminam em mortes.

Eu acredito que o único motivo para nos solidarizarmos com essas vítimas de maneira prolongada e não o fazermos com as pessoas que morrem próximas a nós é porque os dois casos citados ocorreram com pessoas ricas, em sua maioria.

Só anda de avião quem participa do Brasil oficial, que tem uma vida confortável, mesmo que não tenham muitas posses, são pessoas que ganham bem mais que um salário mínimo. É fácil para nossa elite comover-se e identificar-se com essas vítimas. E no caso do trânsito, todos os envolvidos possuem condições econômicas muito superiores a maioria da população. A grande imprensa presta seu tributo aos seus pares, noticiando seguidamente os casos onde a elite se reconhece.

Sinto-me solidário também àqueles operários que por necessidade andam de bicicleta em nossas ruas e que morrem diariamente sem que jornais e televisores de todo o Brasil tomem conhecimento. Esses cadáveres anônimos ao grande público, pobres em maioria, não tocam ninguém além de suas famílias, e por isso ninguém preocupa-se de melhorar nosso trânsito.

No choque entre a elite e a massa, morrem os pardos e nada muda.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A imbecilidade não tem fim!

Essa eu pesquei na net a muitos dias atrás.
É uma frase apenas, que na minha humilde opinião, é uma imbecilidade.
Trata de um ex-bbb.
Dizia:

"Chamam Eliéser de bobo, mas o importante é que ele está em forma."

Eu não suporto essa imprensa tola. Significa que se o cara não estiver em forma ele é bobo? Ou não é bobo porque está em forma? Ou é bobo, mas por estar em forma não importa? Se for bobo, isso importa? O importante é estar em forma? Pode envelhecer? Ser feio é mau? Ser gordinho, ou melhor, ser normal é uma coisa detestável?

Não podemos mais ser gente. A Madona, por exemplo, clicada a meses atrás, com os braços envelhecidos e cheios de veias saltadas devido a exercícios físicos desmesurados, foi criticada por ser "velha". Velhice é doença? A luta dela contra os efeitos do tempo é justificada? É mérito tentar parecer sempre uma pessoa de 20 anos?
As pessoas não notam ou não vêem que o culto ao corpo inatingível é apenas um lógica de mercado para vender loção, produto, maquilagem, esteira, perfume etc? É a mesma lógica que afirma que uma pessoa só vale o que tem e que usa a sexualidade para vender tudo. E como a venda é sempre de fetiche, vamos sexualizar cada vez mais cedo as crianças para que eles se tornem cada vez mais cedo consumidores. Vamos "sexualizar" nossos filhos na pequena infância! Aprovamos a pedofilia de maneira indireta?

Vamos "fotoshopar" o mundo???? Só vai ficar falso igual a foto seguinte.
Ou vamos desistir de tudo e montar uma comunidade Hippie no meio da floresta?
A velha metáfora de vender a alma é cada vez mais verdadeira e atual!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Da Ética ao Cotidiano! Desafios do inominável!

"Você precisa ser a mudança que quer ver no mundo".
Mahatma Gandhi

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capitalismo

Não é difícil de entender, pra ser sincero é bem simples.

Como compreendo existem dois motivos substantivos para o sucesso da lógica do capital. O primeiro é que ela é uma estratégia produtiva de extrema competência, nenhuma outra lógica permitiria tanto excedente. O segundo é que se insere numa dimensão muito básica da humanidade, é uma lógica inteiramente infantil, associada ao egocentrismo e insaciedade típicos da infância. É calcado no desejo... que desejo? Todo o Desejo!

Como argumentação apresento um "case" rsrsrs.

Nosso pequeno, no alto dos seus, na época, 7 anos, chegou para mãe e afirmou:

- Mãe, tu sabia que as pessoas ricas não trabalham? Elas nunca trabalham!
- É mesmo meu filho?
- É mãe, eles tem mordomos que fazem tudo por eles. Não precisa fazer nada, eles pagam para outras pessoas fazerem as coisas por eles.

Capitalismo puro!!! Marxismo puro(Marx - foto)!!!

Isso me dá uma certa angústia, ou melhor, uma enorme angústia, porque a lógica do capital é pouco cooperativa. Ela transborda na idéia de que podemos lucrar sobre o trabalho de outras pessoas. Ela é de fácil acesso e é cômoda para quem tem recursos e incômoda para quem não tem. Ela é instigadora, competitiva e alienante. Porém é sua condição de insustentabilidade que me apavora. Numa sociedade regida pelo capital sem regulação, não há cidadania que não seja paga. A estratégia produtiva é suicida, em algum momento acaba com os recursos e implode sua própria economia e o meio ambiente. Só há um desejo no capitalismo: MAIS!
E de desejar os infantes entendem muito bem.

Passo um tempo pensando na sofisticação que princípios de partilha e comunidade exigem. São difíceis de atingir, mais ainda de manter, requerem tempo e não são entendidos rapidamente. É uma luta injusta de educar os filhos em contrário do império dos desejos. Como se já não fosse suficientemente difícil, ordenar meu próprio desejo, meu próprio fetiche de consumo.

Mas meu coração parte mesmo é de notar que essas reflexões do pequeno vem à tona justamente no semestre que estamos quase sempre... trabalhando!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Terror

Eles estão tramando algo... não sei o quê... mas está visível que a intenção não é boa.

P.S. Exemplo típico de como a sociedade norte-americana vê o mundo hoje em dia. Motivado pela ida de minha comadre pra lá e as exigências feitas. Num dos questionários que precisou preencher para as coisas que fará lá tinha uma pergunta mais ou menos assim...
"- Você sabe fazer bombas?" ... resta saber se quem souber vai marcar a opção: "- Yes i do!"

domingo, 19 de julho de 2009

War

Até que a filosofia que sustenta uma raça superior e outra inferior, seja finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada havera guerra, eu digo guerra. Até que não existam cidadãos de 1º e 2º classe de qualquer nação. Até que a cor da pele de um homem seja menos significante do que a cor dos seus olhos havera guerra. Até que todos os direitos basicos sejam igualmente garantidos para todos, sem discriminação de raça, ate esse dia o sonho de paz duradoura, da cidadania mundial e as regras da moralidade internacional, permanecerão como ilusões fugares para serem perseguidas, mas nunca alcançadas agora havera guerra, guerra. Até que os regimes ignóbeis e infelizes, que aprisionam nossos irmãos em Angola, em Mozambique, Africa do sul em condições subumanas, sejam derrubados e inteiramente destruído havera guerra, eu disse guerra.Guerra no leste, guerra no oeste, guerra no norte, guerra no sul,guerra, guerra, rumores de guerra. Até esse dia, o continente africano não conhecera a paz. Nós africanos lutaremos se necessário e sabemos que vamos vencer, porque estamos confiantes na vitória do bem sobre o mal, do bem sobre o mal...

Bob Marley
Composição: Allen Cole / Carlton "Carlie" Barrett

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Transformers

Fui assistir ao segundo filme da série com meu amor e meu filho.

Para quem gosta de ação e efeitos especiais... é uma boa pedida.

Para quem gosta de roteiros sérios e com um mínimo de continuidade e verosimilhança... esqueça.
Neste segundo filme, as lutas são até melhores. Optimus Prime está bem mais "fera" e o Megatron mais "palha". Há um novo vilão, muitos personagens novos inexpressivos que servem para morrer, apenas. Ao contrário do primeiro, as forças armadas americanas lutam efetivamente(enquanto os "bichões" desviavam-se de mísseis e balas de canhão no primeiro, no segundo são alvejados e destruídos). Tudo isso suavizado com um monte de personagens caricatos em situações divertidas.

Bem, foi divertido.

Porém(sempre tem um porém, visto que sou um chato de butinas)... as notas negativas são as diversas passagens em que outros países são ridicularizados e desmerecidos e no momento em que o "cara chato" do governo americano(sempre tem esse) sugere aos robôs que o U.S.Goverment não os aceitaria mais no planeta. OOOOPPPPAAAA!!!! É isso mesmo no planeta.
Aí me veio a pergunta... desde quando eles mandam no planeta todo a esse ponto?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

2ª Emenda (hô coisinha sem jeito!)

Noticiaram hoje.

O pastor norte americano Ken Pagano de Louisville, no estado do Kentucky (EUA), convocou seus fiéis a irem armados a um culto em celebração da Segunda Emenda da Constituição Americana que permite a todo cidadão americano portar armas... o tanto que quiser!

O objetivo, segundo ele, é demonstrar existem "cidadãos legais, inteligentes e obedientes à lei" que possuem armas. É uma apologia a "pose"(posse) de armas sob a alegação que muita gente tem sem fazer mal a ninguém.

O que este imbecil, além de uma infinidade de outros, não percebe(ou não quer!) é que o problema não é esse. Vamos mudar o exemplo: São 10 pessoas numa ilha. Cada uma tem uma pequena bomba nuclear. Nove são "cidadãos legais, inteligentes e obedientes à lei". Um deles não é. Respondam aí. Vai dar certo?

A questão não é que tem pessoas que podem portar armas com responsabilidade, a questão é que tem gente que não. Basta um descontrolado para acontecer tragédias como vemos constantemente nos EUA. A maior parte da população é a favor e fecha os olhos para os absurdos que ocorrem. Há muita defesa e apologia que esses problemas são causados por "negros, asiáticos e chicanos" e só. Essa é uma lógica infantil para não perder a falsa sensação de segurança que uma arma trás. Já disse aqui antes... armas são muitos úteis para agredir e pouco úteis para proteger.

O problema nunca foram os bons... o problema é o acesso que os maus tem a armas.
Fico triste porque continuaremos a ver inocentes de todas as cores e credos serem penalizados por uma idéia fútil.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O Puff...

Comprei um puff com o brasão do mais querido, maravilhoso, lindo... Tão lindo que já não o possuo mais... Em uma reunião de amigos muitíssimos queridos, tanto insistiram que o levaram... Já compro outro... faz mal não...

Esse móvel incomparável vendido na calçada por um ambulante, possuía o valor de 50 reais, pedi o melhor preço e o rapaz deixou por 45. Na verdade ficou por 44,70 , pois não tinha todo o valor na hora. Mas, tenho certeza que ele deixaria por 40, 38, 35 talvez... Mas não me sinto tendo perdido dinheiro, ou deixado de economizar. To na paz.

Essa paz é fruto de uma reflexão. Apesar de cinco reais não ser lá uma fortuna. Temos um hábito muito perverso em geral. Pechinchamos ao extremo com os ambulantes e nos conformamos docilmente frente aos “roubos de lojas e demais instâncias formais”. Comprei outro dia uma lanterna no sinal, por 10 reais, me foi oferecida por 12 e sairia por 8 se eu insistisse. A mesma está à venda por 27 reais numa loja perto de casa. Mesma marca importada, mesma coisa, ambas são “falsas”... Podemos colocar todos os custos, encargos e impostos que não permitem essa discrepância de valor.

O que quero refletir é que, alheio ao debate sobre a informalidade, somos espertos apenas com os iguais ou menores... Uma espécie de canibalismo perverso que faz dos pobres mais pobres e consequentemente os ricos mais ricos... Pagamos alegremente juros de 0,5 a 11% ao mês em crediários, financiamentos outros e cartões de crédito... e nos acostumamos a isso...

Decidi que não pechincho muito com ambulantes na rua, com vendedores de praia, com pequenos prestadores de serviço e dou imensa preferência aos comércios que negociam preço... Onde não tem conversa, não tem acordo...