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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O problema é... quando os ouvidos tem paredes... ou - Os motivos do Terrorismo



07 de janeiro de 2015, Paris, França...

Os irmãos Chérif e Saïd Kouachi invadem a redação do controverso periódico Charlie Hebdo e fuzilam com fuzis de assalto 12 pessoas, dentre elas 2 policiais, ferem mais 11 pessoas, 5 delas gravfemente, que estavam nas imediações. No mesmo dia outro terrorista, Amedy Coulibali, assassina um policial em outra região da Cidade.

08 de janeiro de 2015, Paris, França... 

Amedy invade um supermercado e mata 4 pessoas.

11 de janeiro de 2015, Paris, França...

Amedy é morto pela polícia. Em seguida o vídeo de autoria associada ao Estado Islâmico é divulgado.

13 de novembro de 2015, Paris, França...

Atentados simultâneos matam 129 pessoas, até agora, além de centenas de feridos. Foram explosões no Estade de France e tiroteiros na casa de shows Bataclan, no bar Le Carollon, no restaurante Le Petit Cambodge, no bar A La Bonne Biére, no bar La Belle Equipe e na Brassserie Comptoir Voltaire. Novamente o estado Islâmico assumiu os ataques e prometem mais.

Uma miríade de representantes Islâmicos vem a público renegar esses crimes como sendo praticados por sua fé, e sim por fundamentalistas radicais que não representam o Islamismo.

Não se justifica terrorismo. Está errado e pronto.
Mas precisamos entendê-lo. Precisamos muito entendê-lo.

Esse post surge porque, ao comentar a tragédia em dois grupos distintos, com pessoas distintas, quando falei que os terroristas tinham seus motivos, todos foram imediatos em dizer que não haviam motivos que justificassem o ato. Tentei dizer que motivos não são justificativas, mas os entendimentos pareceram tão surdos que resolvi falar aqui. E eu acho que, a falta de disposição para entender a situação é, em boa parte dos casos, a raiz de todo engano.

Não vou me ater ao fato de que, somos extremamente seletivos em relação a nossa identificação. 129 pessoas na França causam uma comoção no mundo ocidental que nenhuma dezena de milhar de negros africanos trucidados causaria. Não faltam exemplos... mas esse não é o tema.


O Estado Islâmico, conhecido como ISIS ou ainda Daesh, ocupam um território entre a Síria e o Iraque. A conquista veio à força e no vácuo de poder existente no território. Implantaram um modelo político teocrático e cometem uma barbaridade atrás da outra em nome de Alah.

Agora chegamos ao ponto... aqueles motivos... Mas tudo começa numa dúvida: Porque tantas pessoas daquela mesma região, com tanta frequência, decidem explodir pessoas mundo afora, matar inocentes e professar uma crença insana e primitiva? Porque, na região onde se encontra o Oriente-médio, a Península Arábica, parte da Ásia Oriental e Central e uma parcela do norte da áfrica, tem uma proliferação abundante de pessoas que acreditam ser essa uma melhor saída para a vida e para seu povo? Eu acho que esse é meu ponto de partida. Vou apresentar o que eu penso, tão somente.


Primeiro ponto, a meu ver é que é uma região rica, ou potencialmente rica. De muitos usos e muitas culturas antigas. Para o bem e para o mal ela está localizada na "fronteira" entre a Ásia e a Europa e o problema começa aí... o que deveria ser uma benção, vira uma maldição.

O povo árabe é numeroso, mas extremamente subdividido ao longo do tempo. Tal qual seus primos Judeus, possuem uma cultura forjada no deserto, com verdades absolutas, necessidades imediatas, intolerância a dissenção, tolerante ao sofrimento e perseverante com a naturalidade com que respiramos. Os Judeus, em sua imensa diáspora, foram influenciados pelas sociedades burguesas das quais participaram, mas os árabes cultivam, em muitos aspectos, a mesma visão árida do deserto.

Islã
Eles conseguiram edificar uma das civilizações mais avançadas e prósperas de sua época com os Califados árabes, quando finalmente edificaram uma identidade cultural que configura-se até hoje. Seguidas invasões e guerras em fim em seu território tornaram seu desenvolvimento um fardo, sendo unificados e divididos e invadidos seguidas vezes. Mesmo assim, depois da ascensão do monoteísmo islâmico, ampliaram fronteiras, convertendo pela fé ou pela espada, cada vez mais povos, dominaram o norte da áfrica e a península ibérica até serem expulsos da Europa.

A lista de conflitos na região é grande. Foram dominados ou acossados por Egípcios, Macedônios, Mongóis, Romanos, por toa  toda Europa nas Cruzadas e pelos Turcos que dominaram o que chamamos de Oriente Médio desde a queda do Império Bizantino em 1453 até 1922 com a primeira guerra mundial.

Durante toda a antiguidade e idade média a região era importante por ser rota comercial do oriente para a Europa, e por isso, todos a desejavam a ponto de matar e morrer pela riqueza da região. Além do aspecto econômico, a questão religiosa com a posse dos locais sacros das maiores religiões monoteístas do planeta está sempre na mesa de debates e nos campos de batalha.

Apenas no século 20, com o fim do Império Otomano, o povo árabe começou a desejar ser uma nação unificada com um país para chamar de seu. A ideologia do Pan Arabismo e o crescimento econômico da região foi solapado pelo desenvolvimento tecnológico mundial, utilizando petróleo como força motriz de carros, aviões, fábricas, navios... O Oriente Médio flutua sobre 1/3 das reservas de petróleo de todo o planeta. Essa riqueza, transformada em interesse das grandes potências fez com que o sonho de um grande Estado  Árabe fosse jogado no lixo através de diversos pequenos estados, dependentes economicamente da Europa e EUA e recebendo constante interferência política e econômica.

Em resumo, desde o fim da primeira guerra mundial, EUA, Inglaterra e França fazem o que querem na região em maior ou menor grau.

Bush e Saddam
 A formação da Arábia Saudita, da Síria, a criação de Israel, do Irã, Iraque, Kuait, Jordânia dentre outros... todos sofriam, e sofrem, interferência externa contínua. Saddam foi financiado pelos EUA até se opor aos interesses americanos (veja a imagem de Saddam com o presidente americano). O Irã, através de uma revolução religiosa derrubou o Xá Reza Pahlavi alimentado pelos Ingleses e Americanos e ganhou uma guerra com o Iraque financiada pelos Ocidentais. E essa condição não era limitada ao Oriente Médio e nem a Ásia. Por exemplo, o Afeganistão, sob domínio Russo, foi treinado e armado pelos EUA para os derrotarem, e depois foram invadidos devido a interesses políticos e
Bush e Saudita
econômicos. A lista de ajuda monetária, treinamento e armamento para aliados da Europa e EUA que se dispunham a derrubar governos não alinhados é enorme (veja imagem de integrante da família Bin Laden, que orbita o poder Saudita com apoio americano). Coloque nessa conta todas as ditaduras sulamericanas e não fica só nisso. A guerra do Vietnã e da Korea também possuem o dedo Americano,m Chines e Russo invadindo o campo de auto-deliberação de outros países em prol de seus benefícios políticos e econômicos.

Mas voltando aos Árabes.

Esse povo alimenta o sonho de definir os destinos de sua vida a quase 100 anos e são paupérrimos (com exceção de ilhas de riqueza, como o Catar) pisando num mar de ouro. A excessiva interferência Europeia resulta no acirramento das ideias de opressão e na xenofobia. A pobreza é celeiro fiel de novos radicais dispostos a explodir bombas no próprio corpo em prol de uma realidade melhor, de um futuro melhor porque que o seu presente é uma grande droga. Vejam onde nascem as principais organizações radicias e você terá um mapa dos territórios mais miseráveis e manipulados do mundo árabe. Essa ideologia transpõe fronteiras e encontra solo fértil na segregação e no desejo de independência. Essa ideologia encontra seus elos de identificação via religião, com a mesma virulência e radicalismo professado pelo cristianismo à época da "Santa" Inquisição, com o mesmo furor eugênico do Nazismo, e com a mesma ganância com que o Império Azteca e Inca foram dizimados pelos Latinos no "descobrimento" do continente americano.


Execução em massa de prisioneiros iraquianos pelo ISIS
O atual ISIS... surge no vácuo de poder perpetrado pelas constantes interferências no território Iraquiano. Com a derrubada do Governo e invasão americana, o caos social consequente permitiu essa excrecência. Tudo indica que o ISIS foi alimentado com armas americanas, que queriam apoiá-los na derrubada de ex-aliados que tomaram atitudes independentes. Tudo indica que a principal fonte de renda do ISIS seja a venda de petróleo... que é comprado pelo Irã e pela Turquia, aliada dos EUA, e revendido no mercado internacional. É obvio que isso está errado, mas na balança ou gangorra política local o que mais interessa aos países ricos é, quem me dará mais vantagens econômicas e políticas. O ISIS posta vídeos com atrocidades a meses e meses... dezenas deles... ninguém do ocidente se dispôs realmente a intervir até muito pouco tempo. Agora que sangue francês foi derramado em solo francês, a tendência é que as relações se modifiquem.

Em relação à França, a menos de 39 anos a França ainda possuía países colonizados. Djibout foi a última colônia francesa a conseguir sua independência. A 60 anos atrás, nada menos que 21 territórios eram colonizados (ou seja, escravizados) pela França. Até o início do século passado a população Parisiense era brindada com exibições "etnográficas", onde negros eram expostos em zoológicos improvisados como atração cultural. Recentemente a França integrou, e integra, a frente que bombardeia o Oriente Médio, o Afeganistão e onde quer que os interesses comerciais franceses, ingleses e americanos apontem. Não é de se espantar que os terroristas tenham apreço por explodir a França. A própria Síria era um país com majoritária interferência francesa até a Guerra Fria.

Doutrina Monroe
Paris é linda. A população francesa não merece explodir nas mãos de fanáticos fundamentalistas em nome de uma deturpação da fé. Mas é inegável que eles tem seus motivos. Quando os países ricos começarem a respeitar a auto-designação das nações mais pobres em vez de utilizar a Doutrina Monroe (que prega uma diplomacia de voz suave mas com um grande porrete nas mãos - sem pudor de usá-lo) talvez deixaremos a rotina do terrorismo como um marco histórico de seu tempo e não na constante cobertura dos telejornais diários.


Lamento, lamento tanto.


https://www.youtube.com/watch?v=-ni6AktLw5Y

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Desvelar ou Revelar!

Acompanho pela internet, de longe, o debate sobre o uso do véu islâmico na Europa. Tenho lido as opiniões, as justificativas de segurança e o debate sobre a liberdade religiosa. Acho que já consigo expressar minhas reflexões acerca do debate.

Antes é valioso lembrar que o uso do véu islâmico é anterior ao Islã e representa uma tradição cultural antiga. Não compartilho da argumentação de que o uso do véu é opressivo em si, acredito sinceramente que a grande maioria das mulheres muçulmanas sintam-se confortáveis e seguras usando seus véus.

Outro aspecto importante no debate é que não há um só tipo de véu, existem muitos. Dentre eles os mais usados são a Burca (que cobre todo o corpo), o Niqab (que deixa à vista apenas os olhos), a Hijab (que cobre cabeça e colo mas deixa o rosto à mostra) e o Xador (que cobre todo o corpo mas deixa à mostra o rosto).

Compreendo que seu uso possui significado cultural e religioso, sendo importante para a vida social dos muçulmanos. Meu ponto de vista inicial é que não há nenhum problema em utilizá-lo. As pessoas devem ter a liberdade de se expressar religiosamente e socialmente sem serem castradas na sua diferença.
Contudo, é necessário algumas reflexões além disso. Tomemos o caso da França. Desde 2010 não é permitido utilizar o véu integral (tipos que cobrem tudo ou mostram apenas os olhos) nos lugares públicos em território Francês. Isso significa que qualquer tipo de véu que encubra o rosto é ilegal. E eu dou apoio à medida no sentido de que não posso criticar os franceses por legislar em seu território sobre costumes e hábitos que interferem em aspectos de segurança.

Agora complicou né? Não acho. Existe outro aspecto do reconhecimento dos costumes de cada cultura que precisa ser ponderado. Sua adequação a princípios gerais.

Posso pensar em vários exemplos.

A Farra do Boi é uma tradição cultural de Santa Catarina. É muito antigo e tem vínculos muito fortes na cultura local. No entanto é proibida. Tudo porque vai de encontro aos princípios de segurança e respeito aos animais, que sofrem demais em seu processo. É cultural, mas não pode!

Quero afirmar que não podemos justificar uma coisa errada justificada pela tradição apenas.

No Brasil é tradicional bater nas crianças como método pedagógico. E por isso está certo? Eu digo que não.

Em várias partes da Índia, é tradição que as mulheres sejam cremadas vivas quando da morte do marido. É religioso e faz parte dos costumes da tradição. Por causa disso pode? Não pode!

E a lista segue...

Sob esse prisma posso concluir que a França tem o direito de legislar sobre isso. E vou além.

Não gosto de justificar uma coisa errada com outro erro, mas nesse caso serei forçado a afirmar que "em terra de sapo, de cócoras com eles". Quero dizer que quando migramos para outros países ou estados e partilhamos nossa vida com nossas diferenças temos de nos adaptar até certo nível, caso contrário não vá. Quando visitamos um país muçulmano nós temos de obedecer aos costumes deles. Não podemos beber uma cervejinha, temos de respeitar o silêncio no horário das orações e nossas mulheres tem de usar o véu, mesmo que esse não seja o nosso costume, estou enganado? Então, não abro a boca para criticar a França ao limitar, de acordo com a sua cultura, os costumes em seu território.

Respeito é uma via de mão dupla!

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Livro de Eli

Essa é mais uma das coisas que quero comentar a séculos, mas, como disse para Aninha na cozinha ontem, muita coisa fica no aguardo de tempo e "saco" para brigar com a maré. Acontece que eu tento fazer direitinho, e isso leva tempo. Pesquiso, escolho as imagens com cuidado rsrsrs nem sempre fica bom, mas o que vale, nesse caso, é a intenção!!!

Já contei que o Contra a Maré foi parar numa tese de doutorado por um levantamento que fiz para um post??? Não contei??? Pois é, depois eu conto rsrsrs. Faz tempo isso hehehe.

Bem voltando ao filme é o seguinte: se eu fosse olhar apenas o filme como como uma ficção/ação despretenciosamente eu diria que é muito bom. A pancadaria é de boa qualidade, o Denzel Washington está muito bem no papel de Eli, além de que, a ambientação está quase perfeita. Assistindo sem pensar o filme é muito bom.

Mas acontece que eu não sou assim, e por isso achei o filme lamentável. Tudo por causa do "mote". O ponto de estofo do filme é um livro, que só Eli tem, com a missão de protegê-lo. Esse livro, que todos buscam e que é fonte de grande poder é a Bíblia. E por causa dela as coisas acontecem num futuro apocalíptico.

Achei lamentável porque a grande mensagem do filme é que o mundo ruiu por falta da palavra da Bíblia. Sem ela, o povo escolhido fica a vagar sujeito a opressão. E redentoramente o guardião do livro é um negro. É uma mistura de expiação e inclusão para a sociedade norte-americana. Ocorre que, esse filme reforça, direta ou indiretamente, o enorme equívoco fundamentalista de interpretar um livro sagrado literalmente.

Do mesmo modo que realizam-se casamentos na Palestina de homens com crianças de 9, 10, 11 anos porque a esposa mais nova de Maomé tinha 9 anos, realizam-se cruzadas fundamentalistas justificadas pela ideia de que os cruzados estão levando a palavra ou porque são o povo escolhido. Essa ideia reforça o movimento do "Criacionismo", que rejeita o "Evolucionismo" de Darwin porque isso não está na Bíblia.

Lembrei agora de uma vizinha que tivemos que não acreditava em dinossauros porque não estava na Bíblia. E quando perguntamos sobre os registros e ossos ela respondeu um mero: -"É efeito!" (efeito especial).

Pronto, o filme é bom mas é ruim, não recomendo mas acho que alguns deviam ver... pensando.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A fala do Bispo!!!

No último mês do ano de 2010, o Senado indicou para uma homenagem, para a Comenda de Direitos Humanos Dom Helder Câmara cinco pessoas valiosas e dentre elas o Bispo Dom Manuel Edmilson da Cruz, de Limoeiro do Norte-CE. Só que ninguém esperava que o Bispo justificasse plenamente os motivos de sua indicação, que é a defesa intransigente aos mais pobres.

O Bispo, no plenário do Senado, no seu discurso fez duras críticas aos parlamentares das duas Casas relacionado aos aumentos recentemente aprovados de seus salários (61% de aumento). E após as críticas recusou a Comenda!

Eu adorei!!!!! Com a palavra, o Bispo (trechos):

"O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera parlamentares? Quem assim procedeu não é parlamentar. É para lamentar."

"A Comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la. Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade do seu trabalho."

Matou a pau!!!
(fontes diversas... tem no DN, no Terra... e numa infinidade de blogs - no You Tube tem "ao vivo" hehe)

domingo, 28 de março de 2010

A interminável lista de adesivos "cristãos"

Ontem passei por um Peugeot que possuia esta pérola no vidro traseiro:

"Quando Deus quer, é assim"

Fazendo uma clara alusão a posse do veículo, novinho. Aí fico a pensar coisas... Quando Ele quer... Ele tornou-se um banco? Que distribui suas bençãos em generosos depósitos bancários? A quantidade de dinheiro que a pessoa possui (seu poder aquisitivo) é diretamente proporcional a pureza da alma? Não seria o momento de começar a Canonizar a lista dos 50 mais ricos do mundo? Fico imaginando quanto dinheiro ganharia Gandhi!

E para finalizar o post enjoado do dia (passo séculos para vir e quando venho é para criticar algo, eu sou chato pacas):

Será que as pessoas que são pobres e andam de ônibus lotado são ruins? É castigo? Deus só quer o bem dos "por Ele" abençoados com dinheiro? Definitivamente eu não entendo mais nada do Cristianismo, porque para mim, Jesus veio a terra num pedaço de terra absurdamente pobre, seco e esquecido. Pregou a igualdade e tolerância. Dividia o que tinha. Pregou aos mais pobres dos Judeus e só foi a Jerusalém, que era o ápice da riqueza local (e que, mesmo assim, era quase miserável comparada a Roma), para arrumar uma confusão e ser crucificado.

Que Deus nos perdoe a todos, Amém!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pergunta para Grego

A minha estagiária ontem olhou uma foto de um jornal do II Congresso Brasileiro de Psicologia e pergunta rapidamente e com vários agravantes no seu tom de voz:
- Porque o símbolo da Psicologia é um "tridente"?

Já respondi sorrindo por entender a dúvida com as implicações religiosas envolvidas:
- Não é um "tridente", é um Psi! O Psi é uma letra do alfabeto grego, como as letras alfa, beta, gama, delta, pi (o mesmo da matemática hehe) etc. O Psi é a vigésima terceira letra do alfabeto grego e é associada aos aspectos hídricos, fluídos e metafísicos da alma. O psi é a logo da Psicologia por representar a alma ou a mente na filosofia grega. Mesmo que fosse um "tridente", nada tem a ver com o demônio, porque o "tridente" em questão é associado ao psi (água, fluidez) na mitologia grega como sendo a arma de Poseidon, deus dos mares. Poseidon é anterior ao cristianismo e só adquiriu um significado ruim depois da criação da Igreja Católica Apostólica Romana, quando se esforçaram por combater as outras religiões mais antigas.

A História é muito legal! Quando os católicos romanos começaram a espandir-se no império romano encontraram grande dificuldade em debelar integralmente as religiões ditas pagãs. Uma das estratégias mais eficazes foi realizar um sincretismo com diversos aspectos de outras religiões para gerar familiaridade aos camponeses a nova religião. Dessa forma diversos hábitos pagãos tornaram-se cristãos, como as datas do carnaval, natal e festas juninas, que eram festas pré-existentes que continuaram a ser celebradas com um viés católico.

Outra estratégia largamente utilizada foi a "produção" de novos "santos" que ocupavam o lugar de deuses menores de cada aldeia, surgindo aí, o costume dos padroeiros, vivo até os dias de hoje. Além dessas ações construtivas, começaram a associar aspectos marcantes de outros deuses ao demônio. O tridente de Poseidon torna-se um símbolo demoníaco dessa maneira. Acho que fica muito claro esse modelo com o exemplo de Mitra a seguir.
Mitra

Mitra era um deus do panteão indiano, persa e romano. Ele era associado ao bem e ao sol (luz) em geral, além da força e energia. Na Roma antiga, tornou-se um deus guerreiro, cultuado pelos militares. Sua celebração principal era seu nascimento, coincidente com o solistício de inverno no hemisfério norte, na data de 25 de dezembro, quando hoje é comemorado o natal. Ele recebia oferendas em sacrifícios de touros e era também representado por um grande touro vermelho, com grandes chifres. Pois bem, sua representação original foi modificada e atualmente é uma das imagens clássicas do demônio. Seu mistério de nascimento em 25 de dezembro foi superposto pelo nascimento de Cristo e a festa continua, só que transformou-se de pagã, para católica.

Outro sincrestismo era que Mitra, na Pérsia, era cultuado como o deus redentor e que havia nascido numa gruta para a salvação dos homens e sua mãe também era virgem antes do nascimento. A associação era tanta que abaixo de muitas igrejas cristãs da antiguidade são encontrados "mitraeum", que eram o templo mitraísta para a celebração dos Mistérios de Mitra. É o caso da igreja de Santa Prisca em Roma.

Pois é, o velho mitra deixou de ser um deus bom, para virar o "coisa ruim".

sábado, 22 de agosto de 2009

Adesivos "cristãos"...

E para a coleção de adesivos pretensamente cristãos, ontem vi um novo igualmente absurdo.

"Ninguém me segue, só Deus me acompanha".
Obs. Eu já tinha visto "muitos me seguem, mas só Deus me acompanha" mas o "ninguém" é novo para mim. Mesmo o "muitos" é passível de crítica)

Isso estava, para variar, num vidro traseiro de um carro que vi enquanto estava na fila do caixa da padaria.

Quer dizer que o dono do carro é tão extraordinário que Deus é quem o acompanha? Nenhum outro "filho de Deus" se compara a ele ou é capaz de acompanhá-lo? O que faz dele um ser mais especial que os demais?

Acho que preciso de uma reciclagem urgente, não entendo mais o que é ser cristão!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quem tem letras e adesivo...

Íamos, eu e meu amor, para a famigerada Casa do D'ávila. No caminho passamos por um carro que possuía escrito num grande adesivo no vidro traseiro:
"Não sou um pecador lutando para ser santo, sou um santo lutando contra o pecado"
P.S. O Detalhe é que o santo em questão atravessou o cruzamento no sinal vermelho!

Hoje pela manhã vimos outro dizer no mesmo estilo que definia:
"Ninguém derrota aquele que o senhor escolheu para ser vencedor"

Acreditamos que tudo isso é pouco cristão. Excetuando-se todas as estratégias de marketing, adequações e perseguições feitas pelas diferentes correntes de fé cristã, o principal motivo para ela ter "dominado o ocidente" é sua palavra de unidade.

Entendo que a mensagem cristã está diretamente ligada a idéia de um Deus que ama a todos, até aos inimigos, trata com o mesmo carinho e atenção os santos e pecadores e resume-se no amor, na compaixão e na união.

Todas essas frases soam enaltecedoras do dono do carro, como a identificação de que é um "eleito". É distante da idéia de que o amor divino transborda a todos indistintamente. Parece referir-se a uma tese derrotada por São Paulo nos primeiros debates cristãos sobre pregar aos gentios ou apenas aos Judeus. Muitos ainda pensavam a partir da idéia do "povo eleito" do Antigo Testamento Bíblico. O povo de Deus era até então, a tribo de Judá, apenas. Paulo conseguiu sobrepor a idéia de que todos somos iguais perante Deus.

A exclusão, diferenciação, soberba e orgulho de afirmar-se "santo" não aparenta ser um pensamento cristão. Além de que, no momento em que encontro a perfeição da santidade eu não tenho mais nada a aprender, apenas a ensinar. A própria idéia de que a vida humana é superior as outras formas de vida no planeta é, como entendo pouco cristã.

Lamento que tantos ditos cristãos encarem o "conhecimento da palavra" como uma distinção.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

2ª Emenda (hô coisinha sem jeito!)

Noticiaram hoje.

O pastor norte americano Ken Pagano de Louisville, no estado do Kentucky (EUA), convocou seus fiéis a irem armados a um culto em celebração da Segunda Emenda da Constituição Americana que permite a todo cidadão americano portar armas... o tanto que quiser!

O objetivo, segundo ele, é demonstrar existem "cidadãos legais, inteligentes e obedientes à lei" que possuem armas. É uma apologia a "pose"(posse) de armas sob a alegação que muita gente tem sem fazer mal a ninguém.

O que este imbecil, além de uma infinidade de outros, não percebe(ou não quer!) é que o problema não é esse. Vamos mudar o exemplo: São 10 pessoas numa ilha. Cada uma tem uma pequena bomba nuclear. Nove são "cidadãos legais, inteligentes e obedientes à lei". Um deles não é. Respondam aí. Vai dar certo?

A questão não é que tem pessoas que podem portar armas com responsabilidade, a questão é que tem gente que não. Basta um descontrolado para acontecer tragédias como vemos constantemente nos EUA. A maior parte da população é a favor e fecha os olhos para os absurdos que ocorrem. Há muita defesa e apologia que esses problemas são causados por "negros, asiáticos e chicanos" e só. Essa é uma lógica infantil para não perder a falsa sensação de segurança que uma arma trás. Já disse aqui antes... armas são muitos úteis para agredir e pouco úteis para proteger.

O problema nunca foram os bons... o problema é o acesso que os maus tem a armas.
Fico triste porque continuaremos a ver inocentes de todas as cores e credos serem penalizados por uma idéia fútil.