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sexta-feira, 1 de julho de 2016

República Brasileira.

Só dando um toque... A vida tá difícil? A sociedade é injusta? A sociedade é grave? Os direitos são frágeis? O estado é inoperante? Começou agora? Não? Pois é...

Temos 126 anos de república, apenas. Nestes 126 anos só tivemos voto universal (para todos os cidadãos) em menos de 26 anos (pobres, negros, analfabetos e mulheres foram ganhando direito a voto ao longo do tempo - ou seja, ganharam cidadania). Foram 36 presidentes. Mas apenas 12 foram eleitos pelo povo. Dos 12, apenas 5 terminaram o mandato. Golpes e golpes...


Tivemos 3 estados de exceção durante a república e estamos caminhando para o 4º. Ou seja, 3 momentos de ditadura. O período máximo em que a república no Brasil realmente foi respeitada não passa de 26 anos.

Sabem quanto tempo a esquerda governou o país nesses 126 anos?  Menos de 14 anos! How!!!

Será mesmo que o Brasil é atrasado, corrupto, "pobre" e vivemos mal por causa das ideias de esquerda? Porque a direita governa esse cabaré, que eu amo, há 112 anos e veja como é bom, como vivemos bem, como somos desenvolvidos!

E eu ainda tenho de ter tranquilidade para encarar as críticas infundadas de quem quer apenas, deixar as coisas como sempre estiveram. Ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Essa é a direita. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O problema é... quando os ouvidos tem paredes... ou - Os motivos do Terrorismo



07 de janeiro de 2015, Paris, França...

Os irmãos Chérif e Saïd Kouachi invadem a redação do controverso periódico Charlie Hebdo e fuzilam com fuzis de assalto 12 pessoas, dentre elas 2 policiais, ferem mais 11 pessoas, 5 delas gravfemente, que estavam nas imediações. No mesmo dia outro terrorista, Amedy Coulibali, assassina um policial em outra região da Cidade.

08 de janeiro de 2015, Paris, França... 

Amedy invade um supermercado e mata 4 pessoas.

11 de janeiro de 2015, Paris, França...

Amedy é morto pela polícia. Em seguida o vídeo de autoria associada ao Estado Islâmico é divulgado.

13 de novembro de 2015, Paris, França...

Atentados simultâneos matam 129 pessoas, até agora, além de centenas de feridos. Foram explosões no Estade de France e tiroteiros na casa de shows Bataclan, no bar Le Carollon, no restaurante Le Petit Cambodge, no bar A La Bonne Biére, no bar La Belle Equipe e na Brassserie Comptoir Voltaire. Novamente o estado Islâmico assumiu os ataques e prometem mais.

Uma miríade de representantes Islâmicos vem a público renegar esses crimes como sendo praticados por sua fé, e sim por fundamentalistas radicais que não representam o Islamismo.

Não se justifica terrorismo. Está errado e pronto.
Mas precisamos entendê-lo. Precisamos muito entendê-lo.

Esse post surge porque, ao comentar a tragédia em dois grupos distintos, com pessoas distintas, quando falei que os terroristas tinham seus motivos, todos foram imediatos em dizer que não haviam motivos que justificassem o ato. Tentei dizer que motivos não são justificativas, mas os entendimentos pareceram tão surdos que resolvi falar aqui. E eu acho que, a falta de disposição para entender a situação é, em boa parte dos casos, a raiz de todo engano.

Não vou me ater ao fato de que, somos extremamente seletivos em relação a nossa identificação. 129 pessoas na França causam uma comoção no mundo ocidental que nenhuma dezena de milhar de negros africanos trucidados causaria. Não faltam exemplos... mas esse não é o tema.


O Estado Islâmico, conhecido como ISIS ou ainda Daesh, ocupam um território entre a Síria e o Iraque. A conquista veio à força e no vácuo de poder existente no território. Implantaram um modelo político teocrático e cometem uma barbaridade atrás da outra em nome de Alah.

Agora chegamos ao ponto... aqueles motivos... Mas tudo começa numa dúvida: Porque tantas pessoas daquela mesma região, com tanta frequência, decidem explodir pessoas mundo afora, matar inocentes e professar uma crença insana e primitiva? Porque, na região onde se encontra o Oriente-médio, a Península Arábica, parte da Ásia Oriental e Central e uma parcela do norte da áfrica, tem uma proliferação abundante de pessoas que acreditam ser essa uma melhor saída para a vida e para seu povo? Eu acho que esse é meu ponto de partida. Vou apresentar o que eu penso, tão somente.


Primeiro ponto, a meu ver é que é uma região rica, ou potencialmente rica. De muitos usos e muitas culturas antigas. Para o bem e para o mal ela está localizada na "fronteira" entre a Ásia e a Europa e o problema começa aí... o que deveria ser uma benção, vira uma maldição.

O povo árabe é numeroso, mas extremamente subdividido ao longo do tempo. Tal qual seus primos Judeus, possuem uma cultura forjada no deserto, com verdades absolutas, necessidades imediatas, intolerância a dissenção, tolerante ao sofrimento e perseverante com a naturalidade com que respiramos. Os Judeus, em sua imensa diáspora, foram influenciados pelas sociedades burguesas das quais participaram, mas os árabes cultivam, em muitos aspectos, a mesma visão árida do deserto.

Islã
Eles conseguiram edificar uma das civilizações mais avançadas e prósperas de sua época com os Califados árabes, quando finalmente edificaram uma identidade cultural que configura-se até hoje. Seguidas invasões e guerras em fim em seu território tornaram seu desenvolvimento um fardo, sendo unificados e divididos e invadidos seguidas vezes. Mesmo assim, depois da ascensão do monoteísmo islâmico, ampliaram fronteiras, convertendo pela fé ou pela espada, cada vez mais povos, dominaram o norte da áfrica e a península ibérica até serem expulsos da Europa.

A lista de conflitos na região é grande. Foram dominados ou acossados por Egípcios, Macedônios, Mongóis, Romanos, por toa  toda Europa nas Cruzadas e pelos Turcos que dominaram o que chamamos de Oriente Médio desde a queda do Império Bizantino em 1453 até 1922 com a primeira guerra mundial.

Durante toda a antiguidade e idade média a região era importante por ser rota comercial do oriente para a Europa, e por isso, todos a desejavam a ponto de matar e morrer pela riqueza da região. Além do aspecto econômico, a questão religiosa com a posse dos locais sacros das maiores religiões monoteístas do planeta está sempre na mesa de debates e nos campos de batalha.

Apenas no século 20, com o fim do Império Otomano, o povo árabe começou a desejar ser uma nação unificada com um país para chamar de seu. A ideologia do Pan Arabismo e o crescimento econômico da região foi solapado pelo desenvolvimento tecnológico mundial, utilizando petróleo como força motriz de carros, aviões, fábricas, navios... O Oriente Médio flutua sobre 1/3 das reservas de petróleo de todo o planeta. Essa riqueza, transformada em interesse das grandes potências fez com que o sonho de um grande Estado  Árabe fosse jogado no lixo através de diversos pequenos estados, dependentes economicamente da Europa e EUA e recebendo constante interferência política e econômica.

Em resumo, desde o fim da primeira guerra mundial, EUA, Inglaterra e França fazem o que querem na região em maior ou menor grau.

Bush e Saddam
 A formação da Arábia Saudita, da Síria, a criação de Israel, do Irã, Iraque, Kuait, Jordânia dentre outros... todos sofriam, e sofrem, interferência externa contínua. Saddam foi financiado pelos EUA até se opor aos interesses americanos (veja a imagem de Saddam com o presidente americano). O Irã, através de uma revolução religiosa derrubou o Xá Reza Pahlavi alimentado pelos Ingleses e Americanos e ganhou uma guerra com o Iraque financiada pelos Ocidentais. E essa condição não era limitada ao Oriente Médio e nem a Ásia. Por exemplo, o Afeganistão, sob domínio Russo, foi treinado e armado pelos EUA para os derrotarem, e depois foram invadidos devido a interesses políticos e
Bush e Saudita
econômicos. A lista de ajuda monetária, treinamento e armamento para aliados da Europa e EUA que se dispunham a derrubar governos não alinhados é enorme (veja imagem de integrante da família Bin Laden, que orbita o poder Saudita com apoio americano). Coloque nessa conta todas as ditaduras sulamericanas e não fica só nisso. A guerra do Vietnã e da Korea também possuem o dedo Americano,m Chines e Russo invadindo o campo de auto-deliberação de outros países em prol de seus benefícios políticos e econômicos.

Mas voltando aos Árabes.

Esse povo alimenta o sonho de definir os destinos de sua vida a quase 100 anos e são paupérrimos (com exceção de ilhas de riqueza, como o Catar) pisando num mar de ouro. A excessiva interferência Europeia resulta no acirramento das ideias de opressão e na xenofobia. A pobreza é celeiro fiel de novos radicais dispostos a explodir bombas no próprio corpo em prol de uma realidade melhor, de um futuro melhor porque que o seu presente é uma grande droga. Vejam onde nascem as principais organizações radicias e você terá um mapa dos territórios mais miseráveis e manipulados do mundo árabe. Essa ideologia transpõe fronteiras e encontra solo fértil na segregação e no desejo de independência. Essa ideologia encontra seus elos de identificação via religião, com a mesma virulência e radicalismo professado pelo cristianismo à época da "Santa" Inquisição, com o mesmo furor eugênico do Nazismo, e com a mesma ganância com que o Império Azteca e Inca foram dizimados pelos Latinos no "descobrimento" do continente americano.


Execução em massa de prisioneiros iraquianos pelo ISIS
O atual ISIS... surge no vácuo de poder perpetrado pelas constantes interferências no território Iraquiano. Com a derrubada do Governo e invasão americana, o caos social consequente permitiu essa excrecência. Tudo indica que o ISIS foi alimentado com armas americanas, que queriam apoiá-los na derrubada de ex-aliados que tomaram atitudes independentes. Tudo indica que a principal fonte de renda do ISIS seja a venda de petróleo... que é comprado pelo Irã e pela Turquia, aliada dos EUA, e revendido no mercado internacional. É obvio que isso está errado, mas na balança ou gangorra política local o que mais interessa aos países ricos é, quem me dará mais vantagens econômicas e políticas. O ISIS posta vídeos com atrocidades a meses e meses... dezenas deles... ninguém do ocidente se dispôs realmente a intervir até muito pouco tempo. Agora que sangue francês foi derramado em solo francês, a tendência é que as relações se modifiquem.

Em relação à França, a menos de 39 anos a França ainda possuía países colonizados. Djibout foi a última colônia francesa a conseguir sua independência. A 60 anos atrás, nada menos que 21 territórios eram colonizados (ou seja, escravizados) pela França. Até o início do século passado a população Parisiense era brindada com exibições "etnográficas", onde negros eram expostos em zoológicos improvisados como atração cultural. Recentemente a França integrou, e integra, a frente que bombardeia o Oriente Médio, o Afeganistão e onde quer que os interesses comerciais franceses, ingleses e americanos apontem. Não é de se espantar que os terroristas tenham apreço por explodir a França. A própria Síria era um país com majoritária interferência francesa até a Guerra Fria.

Doutrina Monroe
Paris é linda. A população francesa não merece explodir nas mãos de fanáticos fundamentalistas em nome de uma deturpação da fé. Mas é inegável que eles tem seus motivos. Quando os países ricos começarem a respeitar a auto-designação das nações mais pobres em vez de utilizar a Doutrina Monroe (que prega uma diplomacia de voz suave mas com um grande porrete nas mãos - sem pudor de usá-lo) talvez deixaremos a rotina do terrorismo como um marco histórico de seu tempo e não na constante cobertura dos telejornais diários.


Lamento, lamento tanto.


https://www.youtube.com/watch?v=-ni6AktLw5Y

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Abandonando o muro.

Pois é...
Eu sou decepcionado com o PT. Decepcionado porque ele avançou com muita avidez nas práticas históricas de prevaricação e corrupção nesses 12 anos de gestão, "justificado" por uma necessária estabilidade política no congresso. Apesar da acertada, e histórica, política social, discordo com o princípio de que "os fins, justificam os meios". Esse princípio sempre leva a distorções, e levou, como comprovam a maior parte da cúpula do Governo Petista condenada ou acusada corretamente por corrupção e abuso de poder. E, sendo justo no balanço geral, as duas gestões do Lula foram as melhores de nossa história. Disparado.
A gestão da Dilma não é boa, mas não é ruim. É meramente "continuísta". A economia não vai mal, mas está muito longe de ir bem, por mais que se queira defender. Os avanços necessários em infra-estrutura são tacanhos, e não existe reforma econômica, tributária ou política à vista no horizonte. O setor financeiro continua lucrando alto, a produção é tímida e a Petrobrás caminha para tornar-se uma sombra do que foi. A corrupção diminuiu, e uma vez que se viram mal alimentados, os setores reacionários da sociedade ganham força, mais pela inoperância do governo do que simplesmente por competência.
Eu preferia não ter outra gestão do PT, para que o poder fosse alternado. Isso é saudável e acaba por tornar a gestão mais laboriosa, cuidadosa e menos assenhorada do poder.
Porém, a alternativa ao PT apresentada pelo PSDB é tão ruim, tão frágil, tão questionável, tão retrógrada e vinculada a elite, que se pensa branca e superior, que votarei novamente 13, esperando ansiosamente que uma nova gestão da Dilma tenha início no alvorecer de 2015.
Voto 13.

Obs1. Postado no Face dia 21 do 10.
Obs2. Não considero uma eventual gestão do Aécio o fim do mundo. Mas que é um futuro indesejável... é.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Enem 2011... a polêmica...

Voltei para falar disso.

De fato sinto-me atingido de todos os lados por essa questão. Tenho minha moça participando e familiares queridos idem. Inclusive uma maravilhosa prima no olho do furacão, aluna do Christus e provável "repetente" da prova de 2011.

Primeiro vamos pensar sobre o ENEM.

Eu concordo plenamente com a proposta do pleito nacional. Acho que ele avança "anos luz" em nosso processo educacional. Ele não só garante acesso irrestrito, articulando pelo SISU todas as possibilidades para o "vestibulando" em todo o país, como, sutilmente, inicia a mudança de paradigma fundamental no ensino médio, ele exige que o candidato saiba "pensar"!!! Ora, "ensinar a pensar" é muito mais complexo. Ensinar a refletir exige um certo grau de autonomia e um certo nível de discernimento. Alunos capazes que não tiveram chance de adquirir uma "formação adequada", ou "particular" em geral, podem concorrer, a certo nível com alunos ultra informados que possuam um nível rasteiro de reflexão. O ENEM proporciona uma mudança de paradigma na educação brasileira.

O fato é que existe muito dinheiro e muito interesse envolvido nesse imbróglio. Muita gente deseja o fim do ENEM, porque é muito mais fácil ensinar um aluno a "decorar" certas coisas do que aprender a "pensar" sobre a realidade. A maioria dos professores "renomados" do ensino médio que conheço repudiam o ENEM, justificando que esse processo não mede adequadamente o conhecimento do aluno. Mas a questão a meu ver, é outra... há menos controle sobre a ponte entre o que se ensina e o que se cobra na prova. A redação é alvo das maiores críticas.

A redação do ENEM é corrigida por dois professores. A nota final é uma média simples entre eles. Para o sistema uma variação de até 300 pontos (vale de 0 a 1000) é aceitável. Eu acho muito, mesmo assim não é o fim do mundo! Para o ENEM o conteúdo da redação conta. O argumento vale ponto. Não basta apenas escrever corretamente, tem de ter conteúdo. Esse é o problema do ensino médio brasileiro. Faz muito tempo que bastava ensinar a escrever correto. Caso o aluno redigisse sem nenhum erro de concordância, ortografia, pontuação, dentro das linhas e do tema, era 10!!!! Podia ser a imbecilidade que fosse! Era 10. Hoje não é assim, tem de ter argumento.

Ocorre que isso traz um problema para a correção. Ela passa a ser "subjetiva". E se o corretor não concordar com o argumento... a nota cai! Esse é um aspecto que precisa "obrigatoriamente" evoluir.

Em relação as falhas do ENEM.

Em 2009 a prova vazou. Toda ela. Descobriram antes e mudaram a prova antes de aplicá-la. Os envolvidos foram pegos me respondem a processo, infelizmente ninguém ainda está preso, mas isso não é "culpa" do ENEM. A prova foi aplicada corretamente, sem falhas graves e ninguém foi prejudicado no "afinal das contas".

Em 2010 houve um erro, de impressão. Quando uma parcela das provas foram aplicadas com falhas nos gabaritos e questões. Muitos candidatos tiveram que refazer o ENEM. Foi um erro grave? Sim. Mas afetou 0,003% dos candidatos. Ao todo, próximo de 9.000 candidatos repetiram a prova. Num universo de 4 milhões de estudantes foi um erro "mínimo", típico de um processo que está sendo construído.


Em 2011 não houve nenhum problema na aplicação do ENEM. Repito, NENHUM!!!! Mas houve, infelizmente a antecipação de "14 questões" pelo colégio Christus em Fortaleza, estado do Ceará, que colocou em "xeque" todo o processo.

Para entender essa situação necessitamos de várias informações "extras" ou "anteriores".

As questões do ENEM são feitas exclusivamente para ele. Não estão em nenhum local da internet, livros ou bancos de dados alheios ao do INEP. São contratados professores universitários, que não trabalham com o ensino médio para criarem as questões num ambiente perfeitamente controlado. O professor assina um termo de autenticidade das questões e as constroem numa sala sem nenhum contato com o exterior.

Suponhamos que um professor fez 50 questões. Dias depois ele é avisado sobre quantas questões das que ele fez foram aprovadas. Imaginemos que das 50, 20 foram aprovadas. Essa 20 vão para o banco de dados mas o professor não sabe quais foram aprovadas e quais não foram. Isso significa que o professor não pode afirmar se a questão "X" vai "cair" ou não no ENEM. As questões aprovadas vão para o banco de dados. E mesmo aprovadas não há certeza de que nenhuma das 20 serão utilizadas em algum ENEM. É possível que elas nunca sejam utilizadas.

O banco de dados contém um número muito maior de questões do que são aplicadas e isso diminui ainda mais a chance de alguma questão de 1 único professor seja usada.

Repetindo, em 2011 não houve "NENHUM" problema na aplicação do ENEM. NENHUM PROBLEMA!!! Mas houve o problema da antecipação das 14 questões pelo colégio Christus. Só que essas questões vazaram no "pré-teste" do ENEM. Vamos entender o que é isso.

O ENEM tem 180 questões mais redação. Porém o método utilizado é o TRI, que atribui valores diferentes às questões. Isso significa que dois estudantes que acertarem as mesmas 130 questões terão notas diferentes, porque as questões estão divididas em Fáceis, Médias e Difíceis. Mas ninguém sabe que questões são as fáceis, médias ou difíceis. A classificação de uma questão como fácil ou difícil depende do PRÉ-TESTE. Ele sempre é aplicado 1 ano antes do ENEM vinculado ao pré-teste em várias escolas pelo Brasil. Em 2010 o pre-teste foi feito em 10 estados e no Ceará a escola sorteada (sim, é um sorteio) foi o Christus.

É no "PRÉ-TESTE" que são definidas que questão vão ser classificadas como fáceis, médias ou difíceis, pela quantidade de acertos dos alunos submetidos. A definição de quais alunos participarão e quantos serão é feita por amostragem. E são aplicados aos alunos que teoricamente não farão o ENEM do Pré-teste.

Ocorre que dos 36 cadernos do "pré-teste", aparentemente o Christus teve acesso a 2 deles. Como? Não sei. Fato é que o Pré-teste em 2010 foi aplicado no Christus e dos 36 cadernos eles tem as informações de 2.

O processo do Pré-teste é relativamente simples. As questões vem lacradas de Brasília. Os aplicadores são de fora e vem exclusivamente para a aplicação. Eles entram, aplicam e saem com o mesmo número de cadernos que entraram. Nenhum foi extraviado em 2010. O responsável pela aplicação do Pré-teste é a Fundação Cesgranrio e a responsabilidade dela deve ser cobrada, porque ela está no olho do furacão e quase não se fala nela. Como o Christus teve acesso é uma incógnita. Mas o FATO é que faltando semanas para o ENEM o Colégio Christus distribuiu um TD com seus alunos contendo todas as questões dos 2 cadernos do pré-teste em questão. Esse material foi entregue impresso sem a "logomarca" da escola e sob orientação, segundo narrativa de alunos, de que deveriam ser restritas aos alunos porque "provavelmente" algumas questões cairiam no ENEM.

O resultado desse "provavelmente" é que cerca de 14 questões foram aplicadas no ENEM de maneira "idêntica" ou muito semelhante (mudando detalhes no enunciado, por exemplo) as contidas nos cadernos do pré-teste. Podia não ter "caído" nenhuma, mas podiam ser 20, 30 ou 40... as questões do pré-teste podem ou não aparecer na prova do ano seguinte mas não há garantias.

Diante do problema eu acredito que a situação será resolvida penalizando os alunos do Christus. Acho que a decisão será "política" e não técnica. A "culpa" cairá sobre o Governo ou sobre a escola... e o Governo não vai comer essa bronca... ele quer preservar o ENEM e nisso eu torço por ele, apesar de lamentar profundamente a solução encontrada. Toda solução nesse momento é um remendo, sempre prejudicará alguém, desde que a prova não seja anulada. Além disso tem a questão de que os dos 600 e poucos estudantes já indicados não são todos, existem outros que estão fora da conversa. O Christus tem os alunos do cursinho que na inscrição do ENEM não identificam escola, mas que tiveram acesso amplo ao logro dos TDs. Esses ainda devem entrar na "brincadeira" da anulação, se assim for.

O que o COLÉGIO CHRISTUS precisa responder, na minha opinião é:
- Como ele teve acesso a todas as questões dos 2 cadernos do Pré-teste de 2011?
- Porque as questões foram ofertadas aos alunos num material "sem a logomarca" do colégio?

Eu acredito (é uma questão de crença e não de fato) que o colégio agiu de má fé. E lamento profundamente que uma longa história de serviços prestados com qualidade a sociedade cearense seja manchada desta forma.

E sobretudo, tenho muita dó de todos os alunos do Christus que fizeram o ENEM que talvez necessitem refazer a prova. É uma provação desnecessária. Os alunos nada fizeram de errado para sofrerem isso, em nenhum momento. Apenas estudaram, cultivaram o sonho de uma faculdade e confiaram no colégio e professores. Em suma, o que todos os alunos de todo Brasil fizeram e farão, confiar nos seus professores.

Sobre as colocações preconceituosas sobre nordestinos e afins eu digo que: "todos temos nossa cota de IMBECIS", a cota de São Paulo se pronunciou falando mal do Ceará e do Nordeste e a "nossa própria cota" está na rede falando mal dos estudantes do Christus que nada fizeram além de reagir defensivamente com medo diante do turbilhão que os acossou...

Espero que o ENEM permaneça; Que os CULPADOS por essa ofensa sejam responsabilizados; e que todos os alunos do Christus façam uma boa prova, se nada mudar até lá.

terça-feira, 6 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Honduras na mesma moeda!!!

Eu entendo a dificuldade de entendimento sobre os processos culturais de desenvolvimento das nações e dos povos. Eu acredito que tenho umas pistas mas todo dia acrescento novas reflexões.

A maior parte da América Latina, a meu ver, está politicamente num patamar muito recente de democracia. Acho que estão comparativamente onde estávamos (Brasil) na década de 80. Muita emoção, muito desejo, muita fantasia e uma fé transbordante de que as coisas "vão melhorar" ou que "precisam melhorar" e o tempo de melhorar "é agora" por cima de "pau e pedra".

Na segunda metade da década de 80, com o início da reabertura política, o então Presidente Sarney mobilizou corações e mentes, arquitetou planos econômicos mirabolantes e implantou uma vintena de medidas tão sólidas quanto massa de modelar. Não é uma crítica que faço, mas uma relação direta com a sensação de euforia do país frente a mudança. Naquele tempo o povo fechava super-mercado, se sentia cidadão depois de muitos anos e estavam prontos a colaborar com o que pudesse.

Hoje, na América Latina vemos esse mesmo sentimento por todo lado. As pessoas estão prontas para receber o processo democrático, de mudança e cidadania. Assim como nós, que tropeçamos com o Collor e de lá para cá ainda estamos aprendendo, vemos populistas travestidos de "democratas" ambicionarem serem o "Pai da Pátria"!. Nessa categoria estão todos os proto-deuses como Hugo Cháves, Evo Morales e mais recentemente Lugo e Rafael Corrêa tem tentado entrar na clube. Esse pessoal, que apesar de representar boas mudanças cotidianas na vida das populações mais carentes de seus países tentam claramente consolidar seu poder e eternizar-se no comando de suas nações. Contudo, isso é feito sob uma capa mal costurada de democracia, elegendo um alvo mítico (imperialista) para combater e justificar a reeleição eterna. E se não vai na eleição vai a força. Hugo Chaves, por exemplo, debutou na "política" tentando um golpe de estado que deu errado. Todos eles tentam mudar a constituição na marra para beneficiar a interesses dos "salvadores do povo".

Em Honduras vemos claramente uma situação clássica do "sujo falando do mal lavado". Apesar de muita gente inclusive na imprensa apresentar os fatos beneficiando um ou outro expoente, a realidade é que ninguém está certo nessa brincadeira. E é vergonhosa nossa posição de apoio tendencioso a todos esses pseudo ditadores, incluindo o Zelaya!

O caso Honduras é simples; Manuel Zelaya(fotos com bigodão) é Presidente Eleito, porém ele, inspirado nos "Hugo Morales da vida" tentou mudar a constituição para permitir eleições eternas. O primeiro problema foi que ele não conseguiu apoio político suficiente e marcou um plebiscito para conseguir o objetivo. Ia tudo bem até que a Suprema Corte deles disse: "EPA!!!! NUM PODE RAPÁ!!!". E foi aí que o "bunitão" disse(embaixo daquele chapéu de cowboy): "VOU FAZER PORQUE EU QUERO!!!". Quando ele marcou o plebiscito a revelia da Justiça o Exército Hondurenho fez, esse sim, o que a Constituição manda fazer, Proteger a Constituição e a Democracia, e tentou "botar moral". Só que aí ocorre o outro problema, a intervenção do exército transformou-se num pequeno golpe (usando a mesma capa esfarrapada e puída de defensores da pátria). Hoje, quem dá as cartas por lá é o Micheletti (foto grisalha)!!!

Resumindo, é tudo "farinha do mesmo saco"!
E o Brasil se metendo nisso do lado do Hugo Chaves... ai meu saquinho!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Contato

Eu sei que alguns queridos amigos me prestigiam muito na iniciativa de me lisongear lendo as basófias do contra a maré.

Depois do mapinha, já disse que fico "pisco" com a quantidade de acesso.
Mas o número de acessos não é correspondido com o número de comentários e tenho registro de um monte de acessos de outras paragens kkkkkkkkk que não as minhas.
Assim deixo meu email pessoal e de não trabalho aqui disponível.
Caso alguém queira entrar em contato, fica aqui o local...
Pode falar o que quiser, criticar, elogiar ou esculhambar...
Só não garanto responder! huahuahuahua

mamulengos@gmail.com

segunda-feira, 20 de julho de 2009

EUA - Bush - CIA - Terror - Democracia

Neste mês de Julho, veio a tona uma nova "delicadeza" do governo Bush. Dick Cheney, então vice- presidente americano arquitetou com a CIA um plano anti-terror... secreto! O plano em questão esteve apenas sob ações de planejamento, preparação e treinamento desde 2001 e prometia aniquilar as "raízes" do terrorismo que assolaram os EUA com o 11 de Setembro. O problema mesmo é que esse projeto era secreto a todos, enquanto as leis americanas decretam que os Comitês de Inteligencia da Câmara e Senado tem de ser plenamente informados sobre esse tipo de ação.
- Tu sabia disso? Os Senadores e Deputados americanos também não!

Clica que amplia - malvados.com
O novo governo mandou suspender o programa, mesmo não sabendo direito o que é. Fez bem! Ponto pro Obama!

Mas a questão que me mobiliza não é exatamente essa, é a demonstração de alheamento do povo americano. Tento explicar.

O governo de Bush filho foi uma tragédia absurda. Uma farra de gastos infundados, guerras desnecessárias e medidas equivocadas. Gafes diplomáticas, arrogância, desrespeito e desinformação viraram regra no governo americano. O tal autorizou tortura em Guantânamo, alimentou a indústria armamentisca como nunca antes, "ajudou" muitos "amigos" em empresas texanas, levou a morte a outros países com objetivos econômicos, mentiu descaradamente, omitiu, divulgou documentos falsos, levou a economia americana a um vetor decrescente com um défict público inigualável e uma crise econômica mundial. Resumindo esse cara só fez MERDA!

Mesmo assim os americanos o reelegeram, e validaram um roubo histórico na sua reeleição, diante de John Kerry, e até hoje permanecem quietos frente a tudo o que houve. Melhoraram consideravelmente com a eleição do Obama mas, como já falei aqui noutro post, a minha opinião sobre sua eleição é diferente da maioria.

Tudo isso reforça a minha idéia a muitos mil quilômetros de lá... Aos Norte Americanos(cidadão médio) pouco importa quem está no poder e o que ele faça, desde que proteja o "estilo de vida americano". Que significa, ser rico, consumir muito, comandarem a política internacional e terem força suficiente para decidir "no braço" com qualquer um que se meta a besta. Ou seja, que não mude nada... e que se f*** a ecologia, a humanidade não americana, os direitos internacionais, a infância na Ásia, as populações Africanas e assim por diante.

Esse plano secreto é mais uma conta no rosário gigante de arbitrariedades da era Bush. São coisas que, numa democracia madura, deveriam ser alvo de grande estardalhaço e todas as CPI que se pudesse imaginar. Mas parece que Pizza não é exclusividade Brasileira.