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sexta-feira, 1 de julho de 2016

República Brasileira.

Só dando um toque... A vida tá difícil? A sociedade é injusta? A sociedade é grave? Os direitos são frágeis? O estado é inoperante? Começou agora? Não? Pois é...

Temos 126 anos de república, apenas. Nestes 126 anos só tivemos voto universal (para todos os cidadãos) em menos de 26 anos (pobres, negros, analfabetos e mulheres foram ganhando direito a voto ao longo do tempo - ou seja, ganharam cidadania). Foram 36 presidentes. Mas apenas 12 foram eleitos pelo povo. Dos 12, apenas 5 terminaram o mandato. Golpes e golpes...


Tivemos 3 estados de exceção durante a república e estamos caminhando para o 4º. Ou seja, 3 momentos de ditadura. O período máximo em que a república no Brasil realmente foi respeitada não passa de 26 anos.

Sabem quanto tempo a esquerda governou o país nesses 126 anos?  Menos de 14 anos! How!!!

Será mesmo que o Brasil é atrasado, corrupto, "pobre" e vivemos mal por causa das ideias de esquerda? Porque a direita governa esse cabaré, que eu amo, há 112 anos e veja como é bom, como vivemos bem, como somos desenvolvidos!

E eu ainda tenho de ter tranquilidade para encarar as críticas infundadas de quem quer apenas, deixar as coisas como sempre estiveram. Ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Essa é a direita. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Abandonando o muro.

Pois é...
Eu sou decepcionado com o PT. Decepcionado porque ele avançou com muita avidez nas práticas históricas de prevaricação e corrupção nesses 12 anos de gestão, "justificado" por uma necessária estabilidade política no congresso. Apesar da acertada, e histórica, política social, discordo com o princípio de que "os fins, justificam os meios". Esse princípio sempre leva a distorções, e levou, como comprovam a maior parte da cúpula do Governo Petista condenada ou acusada corretamente por corrupção e abuso de poder. E, sendo justo no balanço geral, as duas gestões do Lula foram as melhores de nossa história. Disparado.
A gestão da Dilma não é boa, mas não é ruim. É meramente "continuísta". A economia não vai mal, mas está muito longe de ir bem, por mais que se queira defender. Os avanços necessários em infra-estrutura são tacanhos, e não existe reforma econômica, tributária ou política à vista no horizonte. O setor financeiro continua lucrando alto, a produção é tímida e a Petrobrás caminha para tornar-se uma sombra do que foi. A corrupção diminuiu, e uma vez que se viram mal alimentados, os setores reacionários da sociedade ganham força, mais pela inoperância do governo do que simplesmente por competência.
Eu preferia não ter outra gestão do PT, para que o poder fosse alternado. Isso é saudável e acaba por tornar a gestão mais laboriosa, cuidadosa e menos assenhorada do poder.
Porém, a alternativa ao PT apresentada pelo PSDB é tão ruim, tão frágil, tão questionável, tão retrógrada e vinculada a elite, que se pensa branca e superior, que votarei novamente 13, esperando ansiosamente que uma nova gestão da Dilma tenha início no alvorecer de 2015.
Voto 13.

Obs1. Postado no Face dia 21 do 10.
Obs2. Não considero uma eventual gestão do Aécio o fim do mundo. Mas que é um futuro indesejável... é.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Técnico x Seleção x Paradigma

Lamentei profundamente a oportunidade perdida com a saída do Mano Menezes da Seleção Brasileira e a posterior indicação do Felipão. Não lamento a saída de Mano... acho que o desempenho dele perdeu o prazo de validade a muito tempo. Lamento, diante da saída, a escolha do Luiz Felipe Escolari.

Mano foi um erro, mas foi um erro na direção certa. Buscava-se um resgate do futebol brasileiro, da nossa tradição e cultura de futebol. Mano veio para tentar reescrever as linhas de nosso traçado em campo, mas, com exceção das primeiras atuações contra equipes muito fracas, nunca conseguiu. O que se queria era o resgate do "futebol arte", da liberdade dos armadores e atacantes, da irreverência e da criatividade virtualmente mortas em nossas seleções. Olhamos tanto para o futebol de resultados que esquecê-mo-nos de como somos encantadores e brilhantes. Desde as divisões de base, formatamos jogadores como produtos de venda ao Futebol Europeu, prontos para adequar-se a um futebol que nunca soube ser brilhante.


O lamento vem do fato de que a Seleção Brasileira é Paradigmática no Futebol, como o são os grandes times campeões em toda parte. Quero dizer que a forma de jogo da Seleção vitoriosa interfere na mentalidade nacional de técnicos, torcedores e jogadores. Estamos a mais de 10 anos vivendo uma fase de privilégio tático em detrimento da técnica. Não é coincidência ocuparmos atualmente a ridícula 18ª colocação no ranking da FIFA. Querem que a criatividade resista sem cultivo. De arte cultuada, a criatividade no futebol transformou-se numa erva daninha que nasce entre uma plantação extensiva, ordenada e mecanizada. Fazer a seleção voltar as origens pode reverberar em todo o futebol brasileiro e isso seria maravilhoso.

Fiquei triste porque perdemos uma oportunidade valiosa de virar o jogo. De tentar redirecionar o barco na direção "certa" que tem muito mais a ver com nossa alma. Pois bem, tiraram o Mano, que não soube fazer o certo, e retrocederam esquecendo o rumo. Escolheram de maneira pragmática, com mais medo de dar errado que vontade de acertar. Felipão é um bom treineiro, mas não para nós. Não é o que precisamos.


Scolari é copeiro, sabe ganhar, tem pulso, é teimoso, chato, briga com a imprensa e, pior de tudo, é inflexível. E assim, monta sucessivamente, ou tenta, equipes iguais as que sempre trabalhou, desde a época de sua estréia como técnico no modesto CSA em 1982. Suas equipes são sempre iguais, numa formação tática que fixa zagueiros, volantes, prende sempre um lateral (alternado), possui um falso meia, que funciona como volante e deixa um meia centralizado, um atacante trombador fixo e outro que cai pelas laterais. As variações desse modelo são mínimas, normalmente "forçadas" pela indisponibilidade de jogadores adequados ou pela disponibilidade de um craque que encaixe na proposta. Foi assim no Grêmio em 1993, nas várias passagens pelo Oriente Médio, no Criciúma em 1991, no Palmeiras em 1997, e na Seleção em 2002. Vários trabalhos deram errado, em geral porque não aceitaram o estilo, "aqui mando eu", ou porque não conseguiu um plantel que encaixa-se na proposta. Basta lembrar a seleção Portuguesa sob sua batuta. Um esquadrão técnico, enclausurado num esquema fixo.

Acho até que ele irá bem na seleção e temos alguma chance de ir bem na seleção, mas sua indicação é um retrocesso. Voltamos a apontar para o modelo da década de 90, de retranca, ordenamento e previsibilidade e corremos o risco de perder a janela de desenvolvimento aberta pelo Barcelona e pela Espanha nos últimos anos. Luiz Felipe possui 19 títulos na carreira e não é coincidência o fato de ter conquistado apenas 2 nos últimos 10 anos. Todos os demais foram até 2002, de lá pra cá apenas o Campeonato Uzbeque e a Copa do Brasil do ano passado.

Perdemos o posto de vanguarda e agora somos meros reprodutores. Estamos mais próximos do futebol feio da Itália do que da fantasia da Seleção de 1982. Mais próximos das retrancas rápidas do Mourinho do que da beleza do toque de bola do Barcelona de Pep Guardiola. Mourinho tem 20 títulos, ganhos integralmente nos últimos 10 anos, mas sempre com um futebol feio de dar dó. Pep tem 18 títulos, todos ganhos nos últimos 4 anos e todos pelo Barcelona, todos dando show. A quem diga que é fácil fazer isso com o Barça, mas deveria ser fácil com o Real também, mas não é isso que vemos.

Detesto o Mourinho e o que ele representa. Não gosto como técnico nem como pessoa. E torci pela indicação do Guardiola. Não que ele seja perfeito, mas ele propõe um esquema de jogo vibrante, baseado no passe, na movimentação, na retenção, na marcação total e na criatividade. Muito mais ao nosso gosto, ou pelo menos ao que deveríamos "voltar" a gostar. Os únicos técnicos Brasileiros que vejo podendo fazer isso são o Murici, o Abel e o Luxemburgo. Murici perdeu o bonde. Abel tem pouco respaldo. E o Luxa não tem moral para retornar a seleção. Restava-nos Pep. Ganhamos Felipão. Agora é torcer para que dê certo e ganhemos com o futebol horroroso de sempre. E que os clubes formadores não achem que o "quente" é ser retranqueiro.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quando eu venho de Luanda

Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só
Trago o meu corpo cansado
Coração amargurado
Saudade de fazer dó
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Eu fui preso à traição
Trazido na covardia
Que se fosse luta honesta, ô iaiá
De lá ninguém me trazia
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Trago duendo nas costas
Todo o peso da maldade
Trago ecoando no peito
Um grito de liberdade
Liberdade eu quero agora
Se eu quero não vai tardar
Liberdade é esperança
Na força dos orixás
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Trago no meu peito a noite
Na mata brilha o luar
Na minha alma eu pressinto
Energia de Oxalá
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Trago as marcas das carícias
E corpo de açoite
Na boca brilhando a lua
Na pele brilhando a noite
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Trago as penas da saudade
Da terra que lá deixei
Se a tristeza vem marcada
Da mulher que lá larguei
Trago as penas da saudade
De tudo que deixei por lá
E pulsando forte nas veias
O sangue dos orixás
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Trago os meus pés inchados
E o meu peito amargurado
Como um ídolo de maldade
Como um ídolo de maldade
Dentro de mim trago um grito
Que um dia será ouvido, oi iaiá
Clamando por liberdade
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Trago as marcas do meu povo
Que é de herança guerreira
Que se faz negro valente
Jogador de capoeira
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só

Eu trago no meu peito um grito
Um grito da vida inteira
Um grito de liberdade, ô iaiá
Um grito de capoeira
Um grito de raça negra
Uma raça perseguida
Um grito de toda dor, oh! meu Deus
Um grito de toda vida
Quando eu venho de Luanda, eu
Não venho só
Não venho só
(Mestre Tony Vargas)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

1808

"Nenhum outro período da história brasileira testemunhou mudanças tão profundas, decisivas e aceleradas quanto os treze anos em que a corte portuguesa morou no Rio de Janeiro. No espaço de apenas uma década e meia, o Brasil deixou de ser uma colônia fechada e atrasada para se tornar um país independente."


P.S. Pense num livro bom, é esse! Tudo o que já pensava sobre o Brasil foi amplamente reforçado. O Brasil é maravilhoso! É forte, trabalhador, corajoso, vigoroso, inteligente e mutante. Triste é nossa mania de achar que somos ruins em tudo.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

B1,B2 e B3

Ontem não escapamos, nem eu nem meu amor, de sermos questionados sobre a final do Big Brother Brasil 10. Muita gente ficou mobilizada para a final. Muita torcida e muita promoção. A votação recorde no mundo, alcançada ontem me deixou apreensivo. Confesso que esse programa "me assusta, enerva e aborrece".

Explico.

Ele é uma franquia vendida a vários países e a milhões de pessoas, feita a partir de uma idéia filosófica/fictícia/científica dos idos das décadas de 70 e 80. O BBB comprova que gostamos de ver gente na TV, gostamos, sobretudo, de ver gente que possamos nos identificar, desejar e almejar. Não varia muito, mas o gosto pela vida alheia é tão humano quanto sofrer ou quanto amar ou quanto morrer. Aproveitando-se disso, foi criada uma fórmula de programas pretensamente reais, os "reality shows". Em geral, são programas legais, mas nem sempre.

Confesso que assisti os três primeiros com certa regularidade, até confirmar que há (aceitar é o termo mais preciso) muita manipulação no programa. É um show com um nível de "realismo" muito aquém do esperado.

As inscrições eram abertas e pessoas "comuns" poderiam candidatar-se. Uma multidão comprou umas revistas para buscar a inscrição. Tempos depois participantes davam entrevista dizendo que nem haviam se inscrito. Em vez de anônimos, vez ou outra descobrem-se participantes bem conhecidos na Globo, que já fizeram ponta, namoraram com algum alto funcionário ou é amigo de alguém que é amigo de alguém. Em outro momento, para alavancar a Globo.com recém lançada, estipularam uma regra de que as inscrições precisariam de cadastro no portal. Outro engano. O Pay-per-view mostrou o monte de interferências, com "cagaços" aos berros da produção quando um participante andava fora do esperado. O Diretor, que na minha opinião pessoal, é pessoa de "carácter duvidoso", reclama de forma grosseira de participantes que se arriscam. De outra feita, preocupados com a repercussão da "mentira" sobre as inscrições "públicas", resolveram sortear de verdade pessoas comuns, que ganharam todas até mudarem a regra e excluírem os pobres do programa. Lembro também que tivemos em mais de um momento pessoas que "quase" surtaram durante o programa. Situações de fome, bebedeira e erotismo induzidos são comuns. Tentaram inutilmente por várias vezes "emplacar" algum BBB que deu mais IBOPE.

Mas tudo isso é pouco mediante a questão primordial que me incomoda. A minha questão é a valorização dos ideais errados! E o culto a falta de princípio. Está cada vez mais radical a seleção para entrar. Quanto mais bonito, vulgar, complicado, fútil e sarado melhor! E é esse tipo de perfil que me arrepia quando formam torcida organizada e em prol de A ou B. Tudo bem que passa rápido, mas é a prova de que nós somos uma massa manipulável a níveis desconcertantes.

Resumindo:
Não assisto. Não gosto. Não valorizo. E quem participa do programa prova que não vale muita coisa.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ato Médico

Faz uma semana que adio esse post... eu queria ler o texto aprovado antes de falar aqui, mas é quase uma ilusão eu achar que vou ter tempo para isso.

Quarta feira da semana passada, dia 21 de outubro foi um dia muito triste para a saúde brasileira. A Câmara aprovou o Ato Médico. Que agora segue para o Senado e, sendo aprovado, o que é muitíssimo provável, restará apenas a sanção do Presidente Lula para se tornar lei.

Vou precisar explicar o que chamamos de Ato Médico. Em 2002, o Senador Geraldo Althoff (PFL-SC e médico - Foto esq.) propôs o PL nº25/02 que buscava regulamentar atos médicos. Esse PL sofreu emenda do Senador Tião Viana (PT-AC e também médico - Foto dir.) e passou a regular o exercício da medicina no Brasil. Essa proposta institui aos médicos a exclusividade de diagnóstico de doenças (quaisquer que sejam) e a prescrição terapêutica(tratamento) e assegura a hegemonia da coordenação de equipes de saúde.

Pelo projeto original, deixando mais claro, torna-se privativo da medicina a “coordenação, chefia, direção técnica, perícia, auditoria, supervisão e ensino vinculadas, de forma imediata e direta, a procedimentos médicos”.

O que isso significa? Significa que nenhuma outra profissão de saúde poderá, em tese, realizar qualquer diagnóstico ou tratamento que não seja definido, orientado ou conduzido por um profissional de medicina. Isso naturaliza a analogia de que “Tratamento em Saúde é igual a Tratamento Médico”. Some a isso o velho hábito médico de se apropriar do conhecimento alheio, como é o caso da acupuntura e vamos ver uma luta coorporativa insana por reserva de mercado.

Só para ficar claro sobre a acupuntura. Tão logo comprovaram a efetividade da prática chinesa(milenar) o Conselho Federal de Medicina no Brasil lançou uma resolução dizendo que apenas médicos poderiam pratica-la. E os mestres chineses que ensinaram aos médicos, tinham de pedir uma autorização especial a eles para clinicar. Hoje muitas profissões de saúde já regulamentaram essa prática e não é exclusividade médica, mas com o Ato Médico... poderá ser. É desse tipo de espoliação técnica a que me refiro. Mesmo que o CFM não tenha jurisdição legal para isso, existem muitas ações judiciais dos médicos para impedir as outras profissões de saúde de fazer o seu trabalho... eles sempre perdem porque só podem gerir a prática médica, mas com o Ato médico a coisa muda de figura.

Isso resulta num retrocesso conceitual drástico na Saúde Pública Brasileira. Em todo o mundo, nos centros mais avançados(o Brasil é, inclusive, uma referência na área, mas deixará de ser com a instauração dessa sandice), a compreensão da relação “saúde x doença x cura” está construída como um processo multifacetado e complexo, abordado de maneira interdisciplinar e tratado com terapêuticas diversificadas. A OMS define saúde da seguinte forma: “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença” (1947). Isso implica numa abordagem multidisciplinar para promover a saúde. Essa promoção ficará restrita a visão biomédica se aprovado esse despautério.

Na prática, a medicina deseja apropriar-se do “negócio” que representa a atenção em saúde no Brasil(na foto a dir. membros da FENAM comemoram a aprovação). A partir do Ato nenhum outro profissional de saúde poderá realizar nenhuma ação de diagnóstico e só poderá realizar tratamentos (sejam eles quais forem) mediante a autorização e orientação de um médico. O cidadão não terá opção de decidir, por exemplo, fazer Psicoterapia com um Psicólogo. Ele terá de ir a um médico, pagar uma consulta, para que esse médico indique se ele precisa de Psicoterapia para se tratar e com quem ele deverá fazer. Obviamente, ele indicará, na maioria dos casos, um Psiquiatra que ofertará uma atenção medicamentosa. No meu entendimento, isso limita a liberdade de escolha do cidadão.

No SUS há bastante tempo o Ato Médico já tem sido gestado. No Saúde da Família por exemplo. O incentivo federal dado aos municípios para a execução da estratégia (em torno de 8mil reais por equipe) só é liberado se a equipe estiver completa com a presença de um médico. Apesar de o médico participar, na prática, de menos da metade das ações do Saúde da Família(quem faz o grosso do trabalho é a Enfermagem), o incentivo está vinculado a sua presença pois se faltar a enfermeira o incentivo vem. A mesma situação acontece nos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, onde temos, em geral, o trabalho de Enfermeiros, Assistentes Sociais, Terapeutas Ocupacionais, Educadores Físicos, Psicólogos, auxiliares de enfermagem e Psiquiatras. A grande maioria da atenção em saúde é realizada pelas demais disciplinas, contudo, o recurso da produtividade da unidade só é repassado ao município se tiver a assinatura da Psiquiatria. Mais que isso, entende-se que o serviço deve ser organizado em torno do diagnóstico psiquiátrico, transformando a Saúde Mental em propriedade médica. Esses são apenas 2 exemplos, existem muitos.

Mas precisamos falar ainda da alienação da proposta coorporativa de ganhos médicos, que fragilizam a saúde no Brasil. Primeiro uma situação de mercado que há, hoje em nosso país. Existem muito mais vagas de trabalho para médicos que profissionais. Há previsões que falam que, dobrando hoje ao número de formandos em medicina no país, só chegaríamos a um equilíbrio mínimo entre postos de trabalho e profissionais em 20 anos. Independente da previsão ser acertada, essa disparidade gera uma condição periclitante na administração pública da saúde(principal contratante). Os ganhos médicos não param de crescer e em paralelo a categoria médica se acha cada vez mais desvalorizada e mal remunerada. Explico a partir da realidade do meu estado, o Ceará.

Temos aqui, como a maioria dos estados brasileiros, mais trabalho para médicos do que profissionais disponíveis, isso gera um verdadeiro leilão por sua contratação. Vamos nos ater aos nossos exemplos. O Saúde da Família no Ceará, paga por 40 horas médicas em média 9mil reais(tem município que paga 12mil). Mas isso é praticamente o mesmo que a Equipe recebe de incentivo. O restante dos profissionais do Saúde da Família recebem entre 2mil e 3mil reais e são mantidos com recursos próprios da gestão municipal. E, além disso, como faltam profissionais, é praxe os médicos darem plantão no hospital do município dentro das 40horas trabalhadas ganhando em duplicidade. E mais, é comum eles terem horário diferenciado, sendo liberados 1 dia por semana e se não for assim, não tem médico na cidade. No caso dos CAPS. Um psiquiatra ganha em média 12mil por 30horas, mas na prática isso significa 2dias de trabalho semanais. A unidade recebe, caso sua produção seja inteiramente aceita pela auditoria, aproximadamente 30mil reais mensais. Gasta-se quase a metade do recurso apenas com um profissional. Os outros profissionais da unidade ganham entre 2mil e 3mil reais por(esses sim) 40 horas de trabalho semanais.

Em todo o Sistema Único de Saúde – SUS a maior fatia(maior mesmo) dos gastos de pessoal é destinada aos médicos hoje, e a tendência, com o Ato Médico é que esse quadro seja agravado.

Porém, a categoria médica sente-se cada vez mais oprimida. A expectativa de ganho de um médico recém formado é na casa dos dois dígitos(acima de 10mil reais) e para um especialista é superior a 20mil reais. Numa realidade em que o salário mínimo é de 500 reais(aproximadamente) e que os outros profissionais de saúde ganham em média 1/5 do que eles(médicos) ganham(se fizermos uma comparação baseada em horas efetivas de trabalho vamos alcançar uma discrepância de 1/20) como eles podem considerar-se mal pagos? Essa sensação de desvalorização e expectativa de ganho leva aos médicos a trabalharem em jornadas duplas e a varar os fins de semana em plantões, o que eleva seus ganhos acima de 20mil reais por mês. Essa carga de trabalho sobre-humana agrava a sensação de opressão da categoria que anseia por ganhar mais e trabalhar menos... mas isso tudo é ambição e vaidade, na minha opinião. Trabalhando 40 horas, como todos os demais profissionais de saúde, um médico pode ganhar 8mil reais líquidos e isso pode subir para 10mil com plantões sem exagero. Agora, onde é que a pessoa vive mal(ou passa necessidade rsrsrs) no Brasil ganhando 10mil por mês?

Esse quadro para mim é delicadíssimo. O Ato Médico é defendido e divulgado como uma defesa da saúde pública, mas na verdade é uma reserva de mercado absurda, baseada na busca por dinheiro(no fim das contas é isso mesmo). Com a exigência de que todos os cargos de gestão sejam ocupados por médicos e que todo diagnóstico seja médico e que toda terapêutica seja definida por um médico, todo o SUS vai parar sem ter médico para isso... eles vão trabalhar cada vez menos e ganhar cada vez mais.

É por isso que a Biologia, a Biomedicina, a Educação Física, a Enfermagem, a Farmácia, a Fisioterapia, a Terapia Ocupacional, a Fonoaudiologia, a Nutrição, a Odontologia, a Psicologia e o Serviço Social lutam contra esse desvario. O Ato Médico fere a autonomia das profissões, mas, muito mais que isso, vai atrapalhar todo o avanço em saúde que tem o Brasil na sua busca pela Integralidade em Saúde. Foram feitos abaixo assinados na casa do meio milhão de assinaturas, passeatas, protestos, emails e uma série de outras ações desde 2002, mas a quantidade de médicos na política nacional fez com que nossos protestos fossem solenemente ignorados.

Não tenho como descrever o quanto lamento isso.
Por incrível que me pareça... minha última esperança é no veto do Lula, porque esse Senado é uma lástima.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Não devo e empresto!

Hoje li uma matéria, ou melhor, uma manchete realmente importante.
Pela primeira vez na história o Brasil é credor do FMI.
Compramos U$ 10 bilhões em bônus(espécie de ações) e com isso estamos passando do papel de devedor para credor do fundo. Isso era impensável a algum tempo atrás.
A crítica boba de que temos coisas mais importantes para fazer com o dinheiro do que “emprestar” ao FMI não cabe aqui. Apesar de termos uma infinidade de prioridades, mesmo assim, é válido. Essa ação nos credencia a ter mais credibilidade no mercado externo e isso é muito valioso. Essa é uma realização de uma geração. Fazem menos de 20 anos que entramos na rota da estabilidade econômica, o que só se conquista com estabilidade política. A continuidade das políticas econômicas austeras e reguladas trouxe-nos a uma condição de saneamento financeiro, o que representa também poder investir em reformas estruturais que o País tanto necessita.

Foi sensacional!

Brasil compra US$ 10 bilhões em bônus e vira credor do FMI pela primeira vez

P.S. Mas tá bom! 10bi já é o suficiente para dar o recado, agora vamos gastar aqui dentro.

sábado, 3 de outubro de 2009

Olimpíadas!!!!

E... meteu!!!!!!!!! Gooooollllll!!!!!!!!!!!
Tô ki ó! Chi cagô Madri!!!!!!!
(imagem da globo.com)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

"Brasileiros Internacionais"

E volta e meia retornamos ao ponto de debate sobre os Brasileiros que são barrados em outros países nos aeroportos e mandados de volta ao Brasil. Eu também retorno brevemente a esse tema.

O embaixador Eduardo Gradilone, ouvido pela Globo.com, explica que: “O direito internacional garante que você possa sair do seu país e voltar a ele, mas não garante o direito de entrar em um outro país. Mesmo que a pessoa tenha visto, é a autoridade migratória que decide se ela entra ou não”.

Ele também disse que o Itamarati acredita que entre 50% e 70% dos Brasileiros estão de forma ilegal em outros países e que isso atrapalha nossa imagem como turista visitante. Fez ainda uma reflexão muito boa quando falou: “O Brasil está acostumado a receber os europeus, a ter uma política liberal. Somos acostumados a tratar a imigração como uma coisa positiva e para nos é um choque, um paradoxo, sermos barrados em aeroportos europeus”.

Tudo bem até aqui. A casa é deles e por isso eles tem o direito de definir quem eles querem ou não lá. O que eu acho que eles não podem fazer, e isso me deixa indignado, é tratar mal um cidadão brasileiro sem motivo ou mesmo com motivo. São muitos casos de pessoas que são humilhadas e submetidas a condições degradantes nos aeroportos da Europa, principalmente. Não quer receber, ok, tá no teu direito! Trancar numa sala sem banheiro e alimentação adequada por até 72 horas, não pode!

O que me deixa fulo da vida é que quando um estrangeiro vai preso aqui no Brasil e recebe até tratamento melhor que os nossos, isso gera profunda indignação na imprensa estrangeira. As duas inglesas que tentaram dar um golpe na seguradora aqui no Brasil e foram presas, são tratadas quase como mártires pelos tablóides ingleses. Que saco!

P.S. E lembrei agora de um Italiano que cismou de andar nú na rua. Foi detido, liberado e na mesma noite... saiu nú novamente. Antes que a pergunta ocorra(se ele é louco?) a resposta é não. E estava drogado? Bêbado?A resposta é talvez ou ainda, um pouco. Mas afinal porque ele fez isso? Porque acha que pode! Que aqui não tem moral. Por falar em Italiano... meu Pai amado, os que vem pra cá, em sua grande maioria, mereciam uma mão de pêa caprichada nos beiço de cada um! Eles tem a mais absoluta certeza de que as mulheres de todo o Estado estão incluídas no pacote de viagem! P*** M****!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Julgamento x Punição x Reabilitação

Notícia do dia:
"A norte-americana Miriam Sakewitz(foto), de 47 anos, voltou a ser presa na terça-feira em um hotel em Tigard, no estado do Oregon (EUA). Em outubro de 2006 a polícia de Hillsboro, próximo a Portland, apreendeu aproximadamente 250 coelhos em sua casa, incluindo cerca de cem mortos, que estavam congelados no freezer. Condenada em abril de 2007, a mulher foi proibida de possuir ou cuidar de animais por cinco anos. Ela também estava impedida de se aproximar de um coelho - ela deveria manter a distância mínima de cerca de 100 metros do bicho. No ano passado, Miriam ficou presa por três dias após violar sua condicional e manter um coelho em sua casa. No hotel onde ela estava e foi presa, foram encontrados oito coelhos adultos, cinco filhotes, além de um morto."

Há alguma dúvida que essa mulher não está bem? Há alguma dúvida de que ela sofre e que essa compulsão/obsessão já tomou conta de sua vida?

Destaco esse caso apenas para elogiar nossa idéia de "Estado Brasileiro", desenhado em nossa constituição de 1988. No Brasil, a idéia de todo Julgamento é o de reabilitação. A idéia do olho por olho e dente por dente representada nos escritos sagrados do cristianismo, judaísmo e islamismo não domina. Há a Punição, mas o foco é a reabilitação. Pelo menos seria! A lei é organizada dessa forma, apesar de estarmos muito distantes de concretizá-la em todos os aspectos.

Países de "cultura fundamentalista" como o Irã, Paquistão, EUA e Arábia Saudita, dentre muitos, pensam notoriamente diferente. Para eles o importante é punir. Parece que a punição é o caminho natural para a redenção e arrependimento. No entanto vemos constantemente os criminosos presos lamentarem-se de terem sido pegos e não de terem cometido crimes.

Estamos longe do que queremos e podemos. Precisamos de mudanças agora. Porém, não posso deixar de pensar que temos uma direção acertada em nosso rumo e que precisa ser entendida. Essa pobre mulher precisa mesmo é de Tratamento e não de Punição.