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sexta-feira, 18 de março de 2022

Vamos lá. “Era” Paulo Sousa

Após mais de 60 dias de trabalho e 10 jogos da equipe na temporada sobre seu comando, já tenho algumas compreensões e uma ou outra convicção sobre o trabalho dele, e sobre o que poderá ser.

Lamentei a contratação. Dos nomes ventilados, seria minha última opção. Pela imprensa e entrevistas dos diretores um dos critérios mais destacados para a escolha foi a vontade expressa de treinar o Flamengo. É um critério relevante, mas não entra na minha cabeça ser o determinante. Os principais critérios devem ser técnicos.

Isso me faz imaginar que o Clube (Diretoria) não entendeu a correlação de forças e a localização de mercado do Fla no cenário mundial. Nós queremos treinadores de qualidade? Sim. Europeus? De preferência, porque é onde se tem as melhores escolas táticas do mundo e aqui é um deserto tático. Teremos treinadores de qualidade, de 3ª ou até 2ª prateleira da Europa? Sim. Por mais de uma temporada? Não.

É um erro repetido. Depois do trauma da saída do JJ a direção só bateu cabeça. Trouxe o Dome, que é um treinador inexperiente e que joga com jogo posicional, que é ótimo, mas no Brasil não vai ser fácil implementar. Praticamente nenhum jogador brasileiro viu essa tática na base nem no profissional. Nunca treinaram. Essa lacuna é a principal responsável, a meu ver, do fracasso europeu de vários brasileiros. O mesmo não ocorre com os Argentinos, que tem vivência no esquema e consequentemente tem uma adaptação mais fácil por lá. Depois da primeira tragédia anunciada, fizeram a segunda temporada, com o Ceni. Um técnico inexperiente, com longo histórico de problemas de relacionamento, que só fez trabalhos sólidos em times medianos. Sabotou a equipe por muitos meses com invencionices, teimosias e notória inabilidade de montar um esquema que ataque e defenda com a mínima qualidade. Seguiram errando trazendo Renato, que é um técnico eticamente lamentável, e com um esquema repetido, antiquado e sem variação. Tudo isso, fruto da incompetência dos diretores na compreensão tática do jogo.

Escolher um técnico tem de passar pela adequação do elenco com a tática, com o mínimo de continuidade. É uma zona no Flamengo. Começou a gestão do grupo atual com Abel Braga, num esquema 442 defensivo do tempo paleolítico, que foi seguido do JJ num 442 ofensivo com mudança de posição e cobertura de bola, em sequência para um 433 posicional que só sabia atacar, seguido de um esquema 442 Frankenstein perdidaço que ou atacava ou defendia, seguido de um 4231 reativo sem variação e agora de um 343 posicional. Alguém consegue identificar uma lógica de contratação de treinador?

Mas cá estamos. Com Paulo Sousa. E com ele devemos vencer.

Voltando ao Romântico (Paulo Sousa), algumas coisas estão muito nítidas. Ele tem um esquema e não muda o esquema. Ele variou muito a escalação nas partidas, mas só alterou a estrutura do time em situações de desespero, no fim do jogo, para evitar derrotas. Ele tem a filosofia de que o jogador se adapta a tática e não o contrário. Não é vaidoso a ponto de não realizar adaptações, mas a proposta é essa, joga quem encaixar nela. Ele não parece respeitar crachá e nem histórico, apenas desempenho, obediência tática e liderança. Tem fama de ser franco e acessível. Muita coisa boa.

Ocorre que o esquema dele é o 343, varia para 3241 atacando e para 3421 sem a bola e até um 541 defendendo, mas o esqueleto é o 343. Isso nos coloca numa situação peculiar, pois nosso elenco não está dimensionado para um 343 e é mais uma demonstração de inabilidade de nossa direção de futebol. E mais, esse 343 é com jogo posicional. Aí os cabelos embranquecem na minha cabeça, e caem.

Destaco o detalhe relevante de que nosso elenco, para esse esquema, tem zagueiros de menos, laterais demais, volantes de menos e meias e atacantes demais. Quanto aos atacantes, temos mais pelo meio, e menos pelos lados. Mudar o elenco é mais demorado e dispendioso do que escolher um treinador que trabalhe num esquema compatível. Sem falar que não temos tempo de muita recomposição de elenco.

O time está, como esperado, demorado a adaptar-se, e alguns jogadores não estão sendo aproveitados por ter dificuldade nas movimentações. O alívio é ver que o Romântico sabe o que faz. Ele demonstra que entende de como treinar e a equipe comporta-se de maneira equilibrada entre defesa e ataque e tem criado bastante apesar das oscilações. O 343 traz outra novidade, não tem lateral. O torcedor médio está patinando e ainda parece longe de acostumar-se com a ideia, tão boa e útil no familiar 442 (que eu prefiro e defendo). E traz outro detalhe, que me inquieta, não tem meia armador. O meio é formado por 2 volantes em linha ou alternados e dois alas, que como é próprio da posição, tem mais preocupação defensiva do que ofensiva. Ele busca jogadores polivalentes que primeiramente defendam, passem bem e eventualmente faça uma jogada de linha de fundo, preferindo triangulações na quina da grande área, abafar na retomada, e concluir de fora da área em rebotes. As ações ofensivas são construídas pelos 3 atacantes, que são dispostos com um jogador centralizado dentro da área e dois móveis fora da área dispostas a direita e esquerda. Não há debate, o esquema é esse. Doa a quem doer.

E estou pasmo de ver uma galera que é profissional de mídia esportiva não entendendo o esquema e dizendo que o time joga num 442. Que absurdo, que asneira, que ignorância. Eu vou ser obrigado a publicar depois um tutorial demonstrando o esquema porque vamos e convenhamos, é inadmissível a galera se confundir.


Eu acho que esse esquema vai dar certo. Mas lamento por sua aplicação. É difícil explicar meu lamento, mas vou tentar. A Europa não forma meias armadores de qualidade em quantidade suficiente para o seu mercado e nem consegue comprar (é caro) porque a oferta é limitada. Ela também não forma laterais de exceção. E a tática deles adaptou-se a isso, a ter muitos jogadores fortes na marcação e no passe e poucos criadores. Esses meias, em sua grande maioria (embora poucos) foram se tornando meias atacantes, até com a introdução do famigerado falso 9, que virou modinha louca por lá, até porque eles também não formam muitos centroavantes. Então, eles se sobressaem na organização, e não precisam se preocupar com a qualidade porque já é rara, e hoje, já está tão massificado que eles passaram a transformar meias armadores, quando surgem, em atacantes/pontas ou em volantes. Para mim é uma derrota do futebol arte, bem jogado, com muita técnica. Mas o Flamengo 2022 é assim. Tem 3 vagas de ataque, os jogadores que lutem. Gabi, BH, Pedro, Arraxca, Vitinho, Marinho e talvez o Ribeiro junto com os meninos da base vão lutar por uma delas. Só jogam 3, não adianta emputecer.

Obviamente eu faria diferente. Mas o time é do PS. Deixa o cara trabalhar. Acho que vai dar certo, mas não vai dar certo com o encanto de 2019. Podem chamar de viúva à vontade. Sou mesmo. Nunca mais acho que verei tanta beleza em campo. Um time que prioriza o talento técnico, é o que faz o futebol ser o que ele é, lindo! Burocracia sem classe, faz o contrário, é vazio. Mesmo sendo campeão, é só para contar na sala de troféus e comemorar no mês seguinte. Ninguém suspira ao lembrar. Flamengo de 1981/83, 2019, Palmeiras da Parmalat, São Paulo do Telê, seleção de 82, essas sim, são equipes superlativas, encantadoras, que nos deixam apaixonados.

Por agora é isso.



segunda-feira, 20 de setembro de 2021

 AS FICHAS FLUTUANTES.

O universo bovino, a amplitude de suas pautas e o alcance do berrante.

 

Em tempos de fascismo emergente, conservadorismo pungente e conhecimento fugidio, temos o desenho crível de três posturas políticas gerais do brasileiro (obviamente existem mais). Desde já, povo reconhecido como exótico, de temperamento volúvel e visão turva.


O último sucesso nas passarelas foi o “facistóide” padrão, de compleição bovina e movimento “quixotesco”. Que me perdoe Dom Quixote, que definitivamente não merece a associação.

Em seguida temos o clássico modelo “antifascista”, mergulhado em angústia e perdido na iniquidade política do país.

E anunciamos, com galhofa e fogos, o último lançamento da moda, o “isento-murista”, ideário da 3ª Via, seguidor da linha tênue do liberalismo-conservador-isento-superior-nãopolarizado conhecido como “não tenho partido”, ou por “não tenho ideologia” ou ainda, “votei no Amoêdo”.

A despeito da gravidade, muitas “fichas” flutuam habilmente no cenário político e midiático brasileiro orientadas pelo ordenamento temático do movimento robótico nas redes sociais. Em relação a elas (fichas), os facistóides são absolutamente contrários, os antifas são absultamente favoráveis e os isento-muristas fazem muita força para dizer que não existem e se existirem, não é com eles.

Verificamos que possuímos uma grande incidência de pessoas que consideram-se “isento-muristas” na perspectiva de que estão fora da lama “polibióticamineralizada” em que nos atolamos. É uma galera que está acima do bem e do mal, refugiada num santuário de pretensa lucidez e compreensão.

Ocorre que, paradoxalmente, os modelitos liberalóisdes na economia e conservadores nos costumes, ou seja, terno na frente e bunda de fora nas costas, reverberam na maior facilidade o mugido do gado. De braços dados, facistóides e isento-muristas relacionavam-se tão intimamente que pareciam um só no alvorecer do tempo.

A duras penas, cruzamos o vendaval disforme de 2013, da copa e das eleições fantasmagóricas de 2014 para a direitola, esta, dando piti generalizado por ter perdido mais uma vez. Passamos pelo golpe e pela gestão de Nosferatu, sempre com promessas de leite e mel, e com o pagamento de sabugo velho. Os direitos foram caindo na mesma proporção que o saco de um bode velho, e nosso bolso foi esturricando na mesma velocidade que os bancos batem recordes de lucro.

E chegamos em 2018 jurando que já estávamos exauridos. Porém, muito mais estava por vir. Muitas ondas de mamadeiras de piroca, de escolas sem partido e de vírus chinês estavam nos esperando logo ali, dobrando a esquina, onde alguma sumidade gentílica oligofrênica ocupa-se em esculhambar Paulo Freire.

Os facistóides e os isento-muristas estavam felizes com a negativa de um certo Habeas Corpus de um certo ex-presidente que o impediu de concorrer às eleições. Eram dias de paz e harmonia com o STF e com a justiça e de elogios à legalidade no país. A exaltação das togas e o arrebatamento patriótico era o tema do sucesso.


Em ato contínuo, essa felicidade apoteótica foi estendida ao resultado das eleições, que foram mais controversas que virgindade em puteiro. Era um apontamento de dedo constante com acusações de estarem torcendo contra e imprecações de um futuro messiânico.

Não dá pra esquecer das previsões diárias da eclosão da mais pura cornucópia de prazeres, de economia fálica, rompendo todas as barreiras do enriquecimento coletivo. Era uma tele-sena horária de um tal de “tiramos o PT” e agora não tem mais corrupção, acabou a mamata.

De um lado Guedes, do outro Moro. Liberalismo e combate à corrupção. Tudo fofo! Agora vai! Tudo tão maravilhoso que haviam lágrimas patrióticas nos olhos de cada tiozinho saudoso da ditadura nos encontros da família.

Mas, inesperadamente para o bonde da bandeira nunca vermelha, começou o mimimi federal: não posso fazer nada, o Congresso não deixa, o problema é o centrão. Destaque máximo do carnaval, o puxador de samba Heleno de Tróia, com seu hit “Se gritar pega Centrão”, tocava em todas as rodas de samba patrióticas.

A “latumia federal” pariu atos antidemocráticos, que foram abraçados por facistóides com alvoroço e com reticência pelos insento-muristas.  Diante das críticas, o berrante vociferou que o problema era a mídia. O problema é que estão torcendo contra. O problema são os comunistas!

Faz mister compreender que a união das duas posturas vai erodindo sutilmente pela falta de robustez e pujança no campo econômico. A manada de zebus não entende nada do que estão repetindo, mas o percentual de nelores, que se julga wagyu, ficou cada vez mais desolado com o pobre garoto de Chicago.

A montanha russa de 2019 termina como começou, com promessas antigas, novas promessas e promessas ultra renovadas. A economia vai decolar! Não decolou, só para constar.

E foi aí que a China, aquele país malvado que tem pacto com o demônio comunista (igual ao Papa, que é um traidor comunista), manda um vírus letal para ferrar com todo o planeta. Aliás, ficaram muitas dúvidas se havia realmente um vírus, se ele realmente matava, e se aquelas milhares de mortes eram tudo mentira deslavada. O gado muge! Gripezinha! Histórico de atleta! Todo mundo vai morrer! A economia não pode parar! Salvem os CNPJs! Já os isento-muristas, não tão desenvoltos na ruminancia automática, limitavam-se a apresentar dúvidas. Essa vacina é segura? Essa tecnologia nova me parece perigosa! Isso veio de um laboratório! É guerra biológica!

O mundo treme e o Superjudgment Quackmoro sai do bonde! Fogo no parquinho! A união fica frágil. O gado ataca! Traidor! Canalha! Vagabundo! A dissidência sobre o grande muro da sapiência e isenção vive um festival de gritaria e dedo no cú.

Os mortos se acumulam. As mortes por problemas respiratórios indeterminados se multiplicam. Cloroquina! Cloroquina! Um bálsamo para a manada ávida de salvação. Ivermectina! Kit covid! Ozônio no cú!!!!! Ozônio sabor limão, sabor menta, sabor maracujá! Abaixo as ditaduras dos governadores e dos prefeitos!

Por via das dúvidas, a galera da isenção, tomou seu remedinho sem alarde, afinal, que mal tem né? Alguns morreram. Fazer o quê? Tem algum coveiro aí? Lamento.

A vida seguiu ladeira abaixo e as cosias tornaram-se cada vez mais complexas. Brotou do rejunte dezenas de pedidos de impedimento, todos devidamente refutados pelo rebanho e ignorados pela insentolâdia. A solução para essa crise comunista patrocinada pelo próprio Marx vindo direto da matrix foi pegar o Centrão, tascar um beijo bilionário neles e jurar amor eterno. Putz, fundiu as cabeças coroadas no pasto. Pânico no curral! Mas o bovino, antes de tudo, é um resiliente, e hoje, nem se preocupa mais em dar desculpa. A escalada de declarações de cumplicidade que começou com o antiguado “somos todos cunha” e que passou pelo “eu sou o caixa 2 do Bolsonaro” atingiu o mais alto grau de porralouquice no choro do estado de sítio do pica pau amarelo, mas é num capítulo mais adiante.

Não resistirei ao parêntese do: “eu sou o chifre do Bolsonaro”. Não vi faixa, mas com certeza ela existe em algum lugar desse brasilzão vida louca!

Retornando a nossa moagem de fatos, que gera resíduos para alimentação do gado, o fantástico mundo do muro achou ruim. Falaram cem chateação. Ameaçaram ficar “de mal”, mas seguiram utilizando clássicos como o “brasil não tem jeito”, “se eu pudesse ia embora”, “vai virar uma venezuela” e assim por diante.

Porém, isso durou pouco, porque no avanço dos inquéritos das Fake News e dos Atos Antidemocráticos o discurso volta a alinhar-se, se não na forma, mas no mérito. Afinal, esses malditos ministros do STF soltaram o demônio da cadeia, aquele ser bestial que tem o voto do populacho, inclusive do populacho direitoso. Aquele ser que atormenta as noites do liberalminions. Maldito STF!

Contudo, quando os power rangers de toga aliviam seguidamente para Flavim e família, não tem chateação. Talvez um leve bufar sobre a enorme parede que abriga aquela galera isentalóide. A STFcracia só incomoda quando fere os interesses, próprios.

E aquela vontadezinha de uma 3ª via direitosa que não passa? Golpe feelings! Saudade do Nosferatu!

No tempo do agora, a democracia brasileira, tão bobinha, sofre diariamente na “língua” desse povo, que planeja arduamente melar as eleições de 2022. Que deseja de coração a liberdade que só uma ditadura pode dar. Pelo voto impresso auditável e com apuração pública e com os G.I. Joe fazendo a segurança.

A moral da história é que o gado zebu dispensa argumentação, mas os isento-muristas, que tanto alardeiam independência, criticidade e visão além do alcance, que votou 17 ou se eximiu (isento raiz), mas que gabarita a pauta federal um dia depois do outro, na verdade tá mais para gado nelore, do que para outra espécie mamífera.

Certo é que ano que vem, todos choraremos, mas por motivos diferentes.


As fichas estão lá, mas teimam em não cair.


Uma produção dos Jedais



Tutorial:





quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Técnico x Seleção x Paradigma

Lamentei profundamente a oportunidade perdida com a saída do Mano Menezes da Seleção Brasileira e a posterior indicação do Felipão. Não lamento a saída de Mano... acho que o desempenho dele perdeu o prazo de validade a muito tempo. Lamento, diante da saída, a escolha do Luiz Felipe Escolari.

Mano foi um erro, mas foi um erro na direção certa. Buscava-se um resgate do futebol brasileiro, da nossa tradição e cultura de futebol. Mano veio para tentar reescrever as linhas de nosso traçado em campo, mas, com exceção das primeiras atuações contra equipes muito fracas, nunca conseguiu. O que se queria era o resgate do "futebol arte", da liberdade dos armadores e atacantes, da irreverência e da criatividade virtualmente mortas em nossas seleções. Olhamos tanto para o futebol de resultados que esquecê-mo-nos de como somos encantadores e brilhantes. Desde as divisões de base, formatamos jogadores como produtos de venda ao Futebol Europeu, prontos para adequar-se a um futebol que nunca soube ser brilhante.


O lamento vem do fato de que a Seleção Brasileira é Paradigmática no Futebol, como o são os grandes times campeões em toda parte. Quero dizer que a forma de jogo da Seleção vitoriosa interfere na mentalidade nacional de técnicos, torcedores e jogadores. Estamos a mais de 10 anos vivendo uma fase de privilégio tático em detrimento da técnica. Não é coincidência ocuparmos atualmente a ridícula 18ª colocação no ranking da FIFA. Querem que a criatividade resista sem cultivo. De arte cultuada, a criatividade no futebol transformou-se numa erva daninha que nasce entre uma plantação extensiva, ordenada e mecanizada. Fazer a seleção voltar as origens pode reverberar em todo o futebol brasileiro e isso seria maravilhoso.

Fiquei triste porque perdemos uma oportunidade valiosa de virar o jogo. De tentar redirecionar o barco na direção "certa" que tem muito mais a ver com nossa alma. Pois bem, tiraram o Mano, que não soube fazer o certo, e retrocederam esquecendo o rumo. Escolheram de maneira pragmática, com mais medo de dar errado que vontade de acertar. Felipão é um bom treineiro, mas não para nós. Não é o que precisamos.


Scolari é copeiro, sabe ganhar, tem pulso, é teimoso, chato, briga com a imprensa e, pior de tudo, é inflexível. E assim, monta sucessivamente, ou tenta, equipes iguais as que sempre trabalhou, desde a época de sua estréia como técnico no modesto CSA em 1982. Suas equipes são sempre iguais, numa formação tática que fixa zagueiros, volantes, prende sempre um lateral (alternado), possui um falso meia, que funciona como volante e deixa um meia centralizado, um atacante trombador fixo e outro que cai pelas laterais. As variações desse modelo são mínimas, normalmente "forçadas" pela indisponibilidade de jogadores adequados ou pela disponibilidade de um craque que encaixe na proposta. Foi assim no Grêmio em 1993, nas várias passagens pelo Oriente Médio, no Criciúma em 1991, no Palmeiras em 1997, e na Seleção em 2002. Vários trabalhos deram errado, em geral porque não aceitaram o estilo, "aqui mando eu", ou porque não conseguiu um plantel que encaixa-se na proposta. Basta lembrar a seleção Portuguesa sob sua batuta. Um esquadrão técnico, enclausurado num esquema fixo.

Acho até que ele irá bem na seleção e temos alguma chance de ir bem na seleção, mas sua indicação é um retrocesso. Voltamos a apontar para o modelo da década de 90, de retranca, ordenamento e previsibilidade e corremos o risco de perder a janela de desenvolvimento aberta pelo Barcelona e pela Espanha nos últimos anos. Luiz Felipe possui 19 títulos na carreira e não é coincidência o fato de ter conquistado apenas 2 nos últimos 10 anos. Todos os demais foram até 2002, de lá pra cá apenas o Campeonato Uzbeque e a Copa do Brasil do ano passado.

Perdemos o posto de vanguarda e agora somos meros reprodutores. Estamos mais próximos do futebol feio da Itália do que da fantasia da Seleção de 1982. Mais próximos das retrancas rápidas do Mourinho do que da beleza do toque de bola do Barcelona de Pep Guardiola. Mourinho tem 20 títulos, ganhos integralmente nos últimos 10 anos, mas sempre com um futebol feio de dar dó. Pep tem 18 títulos, todos ganhos nos últimos 4 anos e todos pelo Barcelona, todos dando show. A quem diga que é fácil fazer isso com o Barça, mas deveria ser fácil com o Real também, mas não é isso que vemos.

Detesto o Mourinho e o que ele representa. Não gosto como técnico nem como pessoa. E torci pela indicação do Guardiola. Não que ele seja perfeito, mas ele propõe um esquema de jogo vibrante, baseado no passe, na movimentação, na retenção, na marcação total e na criatividade. Muito mais ao nosso gosto, ou pelo menos ao que deveríamos "voltar" a gostar. Os únicos técnicos Brasileiros que vejo podendo fazer isso são o Murici, o Abel e o Luxemburgo. Murici perdeu o bonde. Abel tem pouco respaldo. E o Luxa não tem moral para retornar a seleção. Restava-nos Pep. Ganhamos Felipão. Agora é torcer para que dê certo e ganhemos com o futebol horroroso de sempre. E que os clubes formadores não achem que o "quente" é ser retranqueiro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Rangers, Ordem dos Arqueiros

É literatura infantil ou pré-adolescente. Destinado a leitores entre 10 e 14 anos. Mas é igualmente palatável para jovens um pouco mais velhos e com boa vontade de entender que algumas situações são mais amenas e ingênuas porque não foi escrita para adultos. Gostei.

Estou lendo o livro 5 de uma série de 10 livros até aqui (não sei se tem limite de volumes). Já se foram os livros 1, 2, 3 e 4 rapidamente. Não são volumes longos e podem ser lidos sem problema em quase todos os lugares. Foi escrito por John Flanagan, pelo que parece, para seu filho, como um forma de valorizar qualidades que não fossem força física e tamanho em heróis.


Tenho vontade de recomendar com ressalvas técnicas. A obra é boa e vale todas as milhares de cópias vendidas pelo mundo, mas a edição em português possui grandes problemas.

Apesar da bonita impressão e das capas interessantes a Editora Fundamento, que é a responsável pela edição brasileira, deixou-me profundamente decepcionado. A editora fez um trabalho de amador na tradução das obras. Falta um revisor técnico e um revisor de português. Até o quinto livro é constante deparar-se com erros de português terríveis. Os principais são sempre no mesmo ritmo: "levar ela" em vez de levá-la, "chamar ela" em vez de chamá-la, "carregar ele" em vez de carregá-lo, "encontrar ele" em vez de encontrá-lo e assim por diante de maneira renitente e insistente. E quando pensamos que são obras destinadas a jovens que estão ainda aprendendo a ler a coisa fica mais feia ainda. Os leitores da série ainda não sabem, em grande parte, identificar os erros contidos na obra e correm o risco de reproduzi-los. Em alguns raros momentos encontramos uma construção correta mas são tantos erros que não dá para atenuar a coisa.


A editora, aparentemente, economiza revisor e deixa todo a cargo do tradutor, que pode saber bem o inglês, mas escreve mal em português. Esse erro citado é comum em traduções literais pois a construção da expressão em inglês estaria correta. Tentei falar com a editora por e-mail, mas não consegui decifrar em seu site um endereço eletrônico ou forma de fazê-lo. Tem um telefone, mas não vou ligar para outro estado por isso.

Mas não é apenas o português que compromete a obra, ou melhor, a edição brasileira. Outro problema clássico de tradução é a utilização em vários momentos do conceito errado de "sub-consciente". Esse conceito psicológico não existe em português. O correto é Inconsciente. "sub-consciente" é uma tradução literal do inglês e remete a uma concepção de estrutura hierárquica rejeitada pela Psicanálise. Existe outros detalhes como a utilização do termo "estilingue" para designar uma "funda", que apesar de ser um sinônimo, não é preciso porque "estilingue" define outros tipos de armas artesanais diferentes da funda, perdendo uma excelente oportunidade de informar os jovens e qualificar sua linguagem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Black Friday - Brasil

Resumo tudo o que tenho a dizer numa única palavra/expressão: "MÓMINTIRA"!

A Black Fridey no Brasil não passou de uma espantosa afronta ao consumidor. Várias lojas virtuais e vários estabelecimentos físicos elevaram os preços dos produtos para dar "descontos incríveis" e vender pelo mesmo preço de antes. Ou seja, produto X é vendido na quinta feira por R$ 1000,00. Na sexta feira o mesmo produto aparece com o preço de R$ 1.600,00 e com um estupendo desconto de 40%, sendo vendido no valor à vista por R$ 960,00. Quase o mesmo preço da quinta feira. é palhaçada.


Quem não acompanhou os preços dos produtos antes foi ludibriado, supondo que estava fazendo um "grande negócio".

Para ser justo, havia uma quantidade mínima de produtos com bons descontos rais, mas justamente esses produtos sofreram de sérios problemas de conexão. "Bad request" foi o que mais se viu... as compras raramente puderam ser efetuadas e acabaram por promover as ofertas maquiadas.


Uma vergonha.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Adaptações... DETESTO!!!

É isso mesmo, detesto adaptações! Tenho resistência a elas com toda a força do meu ser.

Tomemos por exemplo o Game Of Thrones, adaptação da HBO para as fantásticas Crônicas de Gelo e Fogo. Uma lástima. Vi a primeira temporada de uma vez e foi o suficiente para afirmar que... não gosto, não vejo e não recomendo, mesmo que seja outorgada pelo autor.


O principal pecado das adaptações para mim é... mudar o original. Sempre alguém, que tem muito menos genialidade e talento que o escritor, decide cortar, estender, distorcer, refazer, esconder ou remendar aspectos da obra para cumprir a meta de "encaixar" a arte num modelo, padrão ou formato. Não é uma tradução, é uma transformação que na maioria das vezes resulta numa caricatura grotesca.

Recentemente a Rede Globo exibiu uma adaptação de Gabriela, do fabuloso Jorge Amado. Para variar, abominei a lógica da adaptação. Gente que morre no 2ª capítulo do livro ficou viva até a metade da "novela" para valorizar as cenas de amor e porque o público gostou. Pegaram literatura de qualidade e transformaram  em entretenimento orientado por pesquisa de opinião do público.


Um excelente professor de Interpretação de Texto, que adora as adaptações orientou-me a considerar a adaptação como uma nova obra, diferente da original. Afirmou que eu não poderia assistir Gabriela pensando no livro. É uma outra obra. Mas eu digo que, se for para ser uma obra nova, ela não deve ter o mesmo nome, os mesmos personagens, as mesmas locações e os mesmos dramas escritos, organizados e retratados de maneira diferente ao que o autor propôs. É uma outra obra? Então não chame de Gabriela, Cravo e Canela, chame de Iolanda, Figo e Lombinho ou como queira. E não a coloque em Ilhéus, coloque a obra em Joinville ou Palmas.

Exemplos de adaptações ruins (ou anomalias) frente ao original são fartos. O filme do Demolidor (com Ben Aflleck), do Juiz Dreed (com Stallonne), vários e vários Batmans e a série Smallville são apenas exemplos de uma lista enorme. Alguns deles, se não vivessem ou nascessem como referência a outra obra poderiam ser tidos como bons, mas transformar a obra original... é um pecado.

Porém eu gosto de traduções... Adorei fervorosamente a Trilogia do Senhor dos Anéis, de autoria de J. R. R. Tolkien, filmado pela Warner com o diretor Peter Jackson. Ele fez alterações mínimas no enredo e mesmo nos detalhes que omitiu ou modificou, foram na linha exata da obra.

Outra tradução que destaco, também da Warner, é o filme 300, filmado por Zack Snyder. A obra original é um HQ do Frank Miller que alcançou rapidamente o status de clássico. Zack Snyder fez um trabalho primoroso em levar o sotaque dos quadrinhos para as telas. Perfeito.

No 300 Miller não é fiel a história e inseriu no texto muitas coisas inverossímeis e fantasiosas, mas a obra é dele e ele poderia inserir o que quisesse. Entendo que o mesmo raciocínio pode ser aplicado ao filme, porque o filme é do  Zack Snyder e por isso ele poderia fazer como quisesse. Eu digo que não! Não é a mesma coisa. O filme existe por causa do original e por isso deve respeitá-lo.

Em suma, quer fazer diferente do original? Faça outro.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Crônicas de Gelo e Fogo

Também conhecida genericamente como a Guerra dos Tronos.

Li a Guerra dos Tronos (vol.1) ano passado por indicação e curiosidade. Já nos primeiros capítulos só tinha um adjetivo em minha mente. Perfeito.

Li A Fúria dos Reis (vol.2), A tormenta das Espadas (vol.3), O Festim dos Corvos (vol.4) e terminei A Dança dos Dragões (vol.5) a um tempo atrás. Continuo achando perfeito, mas agora sou um turbilhão de emoções em relação a obra.

Primeiro, nutro um rancor e uma raiva grande do autor... Ele é incapaz de fazer uma história reta! rsrsrsrs Quanto mais complicado melhor... Quando pensamos que a coisa não pode ficar mais complicada ele consegue deixar ainda pior e mais e além.

E o pior de tudo, ele não se cansa de atrapalhar a vida dos personagens que gosto. Tragédia pouca é tolice, bom é a que destrói tudo. A vantagem é que ele ferra todos em proporções generosas e relativamente equitativas.

Segundo, fico ansioso dele morrer... Falta muito ainda. Espero ansiosamente pelo Volume 6.

Os 5 volumes já lançados no Brasil.
A estória é fantástica, que envolve magia, política, costumes medievais, guerras, amores, maldades e honra. Semelhante a vida comum, sem dragões, mortos vivos e seres malignos. Resumindo tudo, mas sem contar nada, tudo gira em torno das lutas que definirão quem ocupará o Trono Westerosi (porque eu detesto "spoiler" e resumos que contam o livro, assim como detesto "trailer" que conta todo o filme).

O surpreendente é que representa uma colcha de retalhos assombrosa com uma miríade de personagens e locações. As tramas se passam em Westeros, que outrora foi formada por 7 reinos que foram conquistados e unificados pela família Targaryen centenas de anos antes.

Além da ilha de Westeros temos as 7 Cidades Livres, a Muralha, o Mar Dothraki, a Bahia dos Escravos, as Ilhas Verão, as Terras pra lá da Muralha etc, trazendo as cidades de Pentos, Myr, Norvos, Bravos, Lys e Volantis, Nova Gris, Yunkai¨, Astapor, Meereen e Quart para enlouquecer todos os leitores num universo sofisticado.

Mapa das Crônicas de Gelo e Fogo

Mas não é só a diversidade de lugares mas a quantidade de personagens que encanta, inebria e confunde pois temos as famílias Stark, Arryn, Baratheon, Frey, Martell, Tully, Tyrell, Greyjoy, Bolton, Redwine, além da já citada Thargaryen e cada uma delas tem vários personagens que tem seus passos, interesses e ações retratados e retorcidos uns sobre os outros num grande enredo. A tudo isso some as estória e personagens do povo selvagem, dos mercenários das Companhias Livres do outro lado do mar estreito e das Cidades Livres. Regue tudo com magia e seres fantásticos, salpique amores e dores, adoce com muitas porções de surpresa, felicidade e desencanto refogado no desapego que teremos uma imagem mal acabada e distante da obra.
George R. R. Martin


Definitivamente, PERFEITA.

#naomorraagorageorgerrmartin
Termine antes rsrsrsrs (humor negro)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Adriano


Segundo Márvio dos Anjos, Adriano deve ser INTERNADO.
http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2012/10/03/chega-adriano-va-se-tratar/#comment-3991

Apesar de concordar com grande parte da argumentação elogiável, discordo do Internamento.

Adriano é um talento. - Confere!
Adriano pode não voltar a jogar bem. - Confere!
Adriano pode voltar a jogar muito. - Confere!
O Adriano tem problemas sérios com álcool. - Confere!
Adriano precisa de tratamento - Confere!
Adriano precisa de INTERNAMENTO - Não Confere!

Aparentemente Adriano tem problemas  de maneira intermitente. Consegue passar períodos sem perder a linha, mas quando começa, não sabe parar. Dessa forma a questão primordial que é retratada não é desintoxicação é o controle emocional frente a bebida em momentos da vida cotidiana. Portanto, NÃO É CASO DE INTERNAMENTO. No internamento há desintoxicação e aprendizado sobre o uso e desuso, mas raramente capacita a pessoa a ter mecanismos de controle afetivo para  o cotidiano, para a vida comum e se esse é o problema, ele necessita de um acompanhamento que não o afaste do seu dia a dia. Sob risco de entrar e sair de dezenas de internamentos e fraquejar nos mesmos momentos da vida.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Jogador de Futebol, Dinheiro e Preconceito

Este post é contra o preconceito travestido de criticidade acerca do negócio futebol e os ganhos dos jogadores. Já falei sobre isso antes, mas volto ao assunto.
É comum ver pessoas "conscientes", em bares, restaurantes, elevadores, salas de reunião e transportes coletivos descarregarem uma saraivada de críticas sobre o valor dos salários dos jogadores. Parte desses críticos não entende "lhufas" de futebol e outros apenas repetem o que ouviram de um professor, advogado, médico, sindico ou o que o quer o valha com um ar de "sabideza" iluminada.

Fala-se do "absurdo" fato de um jogador ganhar mais de 1 milhão para chutar uma bola; "só para chutar uma bola!". Destaca-se que o médico ganha "Y", o professor ganha "W", o policial ganha "Z" que são profissões mais "importantes" que a de jogador.

Essa é uma falácia gasta e preconceituosa.

Concordo plenamente que Médicos, Professores, Policiais e várias outras profissões devam ganhar bem. Destas destaco apenas que os médicos já ganham muito bem (e muito). A ideia de que o médico ganha mal é uma informação parcial e manipulada. Ocorre que alguns acham que ganhar 10 mil reais numa jornada inferior a 40 horas semanais é pouco. E sou plenamente de acordo com o que ganham os jogadores de futebol, aliás, acho que eles deveriam ganhar mais como categoria. Não que eu ache o salário do Ronaldinho pequeno, eu explico...

Considero que a crítica nasce do nosso preconceito comum sobre a dicotomia criada entre "trabalho manual" e "trabalho intelectual". Desde a Grécia antiga, quando Sócrates convenceu a todos que o importante na vida era a "razão", definimos que tudo o que for intelectual é valioso e tudo o que é manual é superficial e portanto, sem valor.

Dessa forma organizamos nossa sociedade acreditando que toda atividade física é de "menor valor", indigna da "elite", indigna de pessoas capazes e com formação universitária. Atividades físicas tornaram-se, na nossa cultura de origem escravista e acomodada, próprias das massas iletradas e escuras, que só poderiam contribuir com atividades simples, muitas delas que dependiam da força física, equiparadas a atividade de animais de carga em sua condição de "irracionalidade".

Claramente acredito que o incômodo com o ganho dos jogadores provém daí. Como uma pessoa ganham 1 milhão para desempenhar uma atividade física se eu, que sou professor, e trabalho com algo muito mais valioso, que é o intelecto, ganho pouco? "ABSURDO!!!?

Será?

Ser jogador de futebol no Brasil é uma profissão de risco a curto, médio e longo prazo. Começa-se cedo, por volta dos 12 anos, treina-se muito, o que acaba inviabilizando o estudo formal e a consequente falta de capacitação profissional para qualquer outra função. A profissionalização no futebol, na prática, ocorre por volta dos 16 anos, quando inicia-se uma vida de altos e baixos e de muito trabalho.

A carreira acaba cedo. Por volta dos 34 anos de idade a maioria dos jogadores está aposentada. São no máximo 20 anos de atividade profissional. quando dá certo, ótimo, quando não, a pessoa está fadada a ter uma vida de dificuldades.

O Blog da Oficina de Jornalismo da Faculdade CCAA apresenta que:
"Segundo a CBF, dos 14.876 mil atletas registrados em 2010, quase 9.000 ganham até um salário mínimo, ou seja, cerca de 60% dos jogadores vivem com menos de R$600 mensais. O ranking ainda contabiliza, aproximadamente, 9% de jogadores que recebem salários acima de R$2.500 e apenas 4% que recebem acima dos R$10 mil mensais – salário que, ainda assim, estaria longe dos que recebem as estrelas do futebol brasileiro. Estima-se que somente 1% dos jogadores brasileiros receba mais de R$100 mil por mês, dentro e fora do país."

Isso mostra que os grandes salários são para poucos jogadores.

Os melhores salários no Brasil estão nas equipes da série A e B do campeonato Brasileiro. São 40 equipes, 20 em cada divisão. Levando em conta que cada clube tem em seu elenco aproximadamente 30 jogadores, mesmo que parte deles seja oriundo do time juniores (que ganha pouco ainda), isso significa que o mercado da bola no Brasil resume-se a no máximo 1200 vagas distribuídas de forma irregular pelas regiões do país. O jogador mediano assina contratos curtos, tem seus direitos trabalhistas desrespeitados, e passam uma parte do ano desempregados.

Como se isso não bastasse o trabalhador do futebol tem de conviver com as temidas lesões. Quando se tem contrato vigente o mal é menor, quando não corre-se o risco de encerrar a carreira e ficar à mercê da caridade alheia ou do amparo familiar.

Mesmo assim é um meio de ascensão social maravilhoso. E para os virtuoses da bola, gênios como Neymar e Ronaldinho Gaúcho, é justo e merecido que recebam salários altos. Porque é justo que num negócio em que se movimentam valores na casa dos milhões a "estrela da festa"
ganhe proporcional. O orçamento anual dos grandes clubes é superior aos 60milhões de reais. Para alguns, é superior a 100milhões por ano. Isso significa que a circulação de recurso no clube é maior que 10milhões por mês. É justo que nesse patamar o clube tenha uma folha salarial do departamento de futebol por volta dos 3 milhões. Para um incomparável Neymar, é justo ganhar 1,5milhão, porque ele gera mais que isso ao clube.

Parece-me que ninguém falaria mal de um profissional intelectual que ganhasse 300mil numa empresa que ele ajuda a obter lucros acima de 3milhões de reais. O futebol é um negócio e o valor do salário dos jogadores deve ser compatível com a movimentação financeira que eles promovem. Criticar seus ganhos porque vieram de favelas, porque são negros, porque fazem um "trabalho braçal" é puro PRECONCEITO.
E o que o Neymar faz quase ninguém no planeta faz... isso tem um valor inestimável. E se toda atividade física for subvalorizada, o que faremos com a arte? A que nível legaremos os escultores e pintores? De que valerá um Rodin? Alguém supõe que ele tenha feito sua obra maravilhosa com a força da mente? Quanto valerá um Monet? Um Van Gogh? Alguns deles nunca frequentaram os bancos das escolas de belas artes... alguns não sabiam escrever e outros eram feios, escuros e sujos... o "trabalho braçal" deles não vale nada?
Repito; os jogadores como categoria devem ganhar melhor. Os grandes astros ganham o justo. E os pretensos "intelectuais críticos" que tentam desmerecer o trabalho dos jogadores são tolos preconceituosos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tragédias que repercutem...

Lamento profundamente a dor dos envolvidos. Fico triste e chocado com a brutalidade em que alguns eventos tem lugar na nossa vida. Encontro-me solidários as famílias que tão tristemente perderam seus entes queridos em situações que nunca serão completamente superadas.

Contudo, me incomoda a repercussão seletiva dos casos.

Ficamos todos tristes com a queda do avião da NOAR que vitimou 16 pessoas em Recife. A tristeza torna-se absurda ao observar uma série de indícios de má conservação das aeronaves, supondo que tudo poderia ter sido evitado.

E ficamos indignados com a morte da advogada paulista, vítima de abalroamento por um Porsche na madrugada. E a indignação aumenta ao observar o comportamento indigno do motorista ao ignorar solenemente a vida que se esvaía no carro ao lado por responsabilidade também dele, que tinha sinais de embriaguez e trafegava em altíssima velocidade numa área urbana.

Mas não é só isso. Porque estamos tristes por todo Brasil com esses dois casos e ignoramos ou desconhecemos a avalanche de casos que ocorrem em nossas cidades todos os dias?

Eu moro próximo da avenida que possui maior números de acidentes no meu estado. É uma rodovia, melhor dizendo, onde morrem pessoas com espantosa frequência. Todos os dias vejo acidentes com carros, motos e bicicletas. Todo dia no caminho para o trabalho, sem exceção. A gravidade varia, mas alguns casos terminam em mortes.

Eu acredito que o único motivo para nos solidarizarmos com essas vítimas de maneira prolongada e não o fazermos com as pessoas que morrem próximas a nós é porque os dois casos citados ocorreram com pessoas ricas, em sua maioria.

Só anda de avião quem participa do Brasil oficial, que tem uma vida confortável, mesmo que não tenham muitas posses, são pessoas que ganham bem mais que um salário mínimo. É fácil para nossa elite comover-se e identificar-se com essas vítimas. E no caso do trânsito, todos os envolvidos possuem condições econômicas muito superiores a maioria da população. A grande imprensa presta seu tributo aos seus pares, noticiando seguidamente os casos onde a elite se reconhece.

Sinto-me solidário também àqueles operários que por necessidade andam de bicicleta em nossas ruas e que morrem diariamente sem que jornais e televisores de todo o Brasil tomem conhecimento. Esses cadáveres anônimos ao grande público, pobres em maioria, não tocam ninguém além de suas famílias, e por isso ninguém preocupa-se de melhorar nosso trânsito.

No choque entre a elite e a massa, morrem os pardos e nada muda.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Que coisa!

A vida ensina muita coisa a todos nós. Nunca pensei em
toda a minha vida que eu concordaria 100% com qualquer coisa que o Fábio Júnior proferisse, o pai do Fiuk (isso dá cria meu pai! rsrsrs), mas não é que eu concordo demais com a afirmação dele sobre mulheres!

"Mulher magérrima, tô fora. Gosto de mulher [ faz sinal para mostrar as curvas do corpo feminino]. Peito, bunda, encorpada, essas magrelas... É uma ditadura esse troço, e não pode. A mulher tem 1,70 de altura, pesa 48 quilos e parece que vai quebrar. Não! Quero estar na cama com uma mulher de verdade. Essas magrelas não me dão tesão..."

Fábio Jr. também sabe das coisas amigo!

P.S. Veja Fabão na oportuna imagem fazendo o que sabe fazer de melhor, iludir o sexo feminino...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ética e Imprensa

Excetuando a importância crucial desse tema, afirmo que só veio à tona porque recentemente vi dois exemplos claros de abordagem tendenciosa na grande imprensa.

Não falo das grandes revistas de circulação, os almanaques semanais, pois estes conseguiram sozinhos destruir sua isenção de maneira clara e irrestrita durante os últimos 10 anos, em minha opinião.

Falo desde os grandes fatos aos mais simples.

Em 25 de março observei o título de uma matéria, repetida rapidamente por vários veículos, de que o querido Ronaldo Angelin, cearense velho, zagueiro do Flamengo e pessoa da maior gentileza, teve seu carro rebocado numa Blitz da Lei Seca.
Quando lemos o título imaginamos... estava bébado, dirigindo alcoolizado, é irresponsável e etc.

Mas quando lemos a matéria percebemos que tudo não passou de uma habilitação vencida. Que não é bonito, mas não é tão feio. Fruto mais de desatenção do que de "mau-caratismo".

A mesma situação ocorreu com o Aécio Neves. Mesma situação! Ainda que no caso dele, houve recusa em fazer o teste do bafômetro.

A questão primal desse post é que existem "jornalistas" eu trabalhavam para vender e não para informar. Ora, blitz é blitz! Não existe essa de blitz da Lei Seca ou blitz da carteira vencida ou blitz do extintor vencido, toda blitz fiscaliza tudo, ou devia.

E concluo, a imprensa age de má fé, de maneira tendenciosa, sugerindo fatos polêmicos e sensacionalistas com objetivo puramente mercantilista. E quem se importa se por acaso o leitor só leia a manchete e ficar só com a má impressão da pessoa em foco? Afinal, Ética pra quê?

Obviamente a imprensa precisa se manter como negócio, mas existem formas mais honrosas e corretas de fazer isso.

Lamentável.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pode usar! Claro que pode!

Suzana Vieira no último altas horas, em sua cruzada para manter-se adolescente, afirmou:
"- Quem disse que não posso usar mini-saia? Posso usar e vou usar..."

A fala dela foi essa ou quase essa... bem, está preservada a idéia da fala dela.

Em relação a sua afirmação eu digo que pode, inclusive defendo o direito de poder, claro que pode. Cada pessoa pode fazer o que bem entender desde que não prejudique ninguém.

Agora se vai ficar bonito, são outros 500!
Que o diga a Donatella Versachi que também pode usar fio dental na praia.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Status

É a velha definição:
"É comprar uma coisa que você não precisa, com um dinheiro que você não tem, para mostrar a gente que você não gosta, que você é uma pessoa que você não é!"


O porque disso agora?

Simples, fico surpreendido e indignado com a quantidade de gente que tem o princípio: "Viva o luxo e morra o bucho!". A futilidade impera e a imbecilidade graça!
Tanto esforço para suprir o vazio, solucionar a falta de objetivo, rever a auto-estima e esconder o incômodo do desamor que falta espaço pra ser feliz. E quem não é feliz ou vive incomodado ou vive para incomodar os outros.