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sexta-feira, 1 de julho de 2016

República Brasileira.

Só dando um toque... A vida tá difícil? A sociedade é injusta? A sociedade é grave? Os direitos são frágeis? O estado é inoperante? Começou agora? Não? Pois é...

Temos 126 anos de república, apenas. Nestes 126 anos só tivemos voto universal (para todos os cidadãos) em menos de 26 anos (pobres, negros, analfabetos e mulheres foram ganhando direito a voto ao longo do tempo - ou seja, ganharam cidadania). Foram 36 presidentes. Mas apenas 12 foram eleitos pelo povo. Dos 12, apenas 5 terminaram o mandato. Golpes e golpes...


Tivemos 3 estados de exceção durante a república e estamos caminhando para o 4º. Ou seja, 3 momentos de ditadura. O período máximo em que a república no Brasil realmente foi respeitada não passa de 26 anos.

Sabem quanto tempo a esquerda governou o país nesses 126 anos?  Menos de 14 anos! How!!!

Será mesmo que o Brasil é atrasado, corrupto, "pobre" e vivemos mal por causa das ideias de esquerda? Porque a direita governa esse cabaré, que eu amo, há 112 anos e veja como é bom, como vivemos bem, como somos desenvolvidos!

E eu ainda tenho de ter tranquilidade para encarar as críticas infundadas de quem quer apenas, deixar as coisas como sempre estiveram. Ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Essa é a direita. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O problema é... quando os ouvidos tem paredes... ou - Os motivos do Terrorismo



07 de janeiro de 2015, Paris, França...

Os irmãos Chérif e Saïd Kouachi invadem a redação do controverso periódico Charlie Hebdo e fuzilam com fuzis de assalto 12 pessoas, dentre elas 2 policiais, ferem mais 11 pessoas, 5 delas gravfemente, que estavam nas imediações. No mesmo dia outro terrorista, Amedy Coulibali, assassina um policial em outra região da Cidade.

08 de janeiro de 2015, Paris, França... 

Amedy invade um supermercado e mata 4 pessoas.

11 de janeiro de 2015, Paris, França...

Amedy é morto pela polícia. Em seguida o vídeo de autoria associada ao Estado Islâmico é divulgado.

13 de novembro de 2015, Paris, França...

Atentados simultâneos matam 129 pessoas, até agora, além de centenas de feridos. Foram explosões no Estade de France e tiroteiros na casa de shows Bataclan, no bar Le Carollon, no restaurante Le Petit Cambodge, no bar A La Bonne Biére, no bar La Belle Equipe e na Brassserie Comptoir Voltaire. Novamente o estado Islâmico assumiu os ataques e prometem mais.

Uma miríade de representantes Islâmicos vem a público renegar esses crimes como sendo praticados por sua fé, e sim por fundamentalistas radicais que não representam o Islamismo.

Não se justifica terrorismo. Está errado e pronto.
Mas precisamos entendê-lo. Precisamos muito entendê-lo.

Esse post surge porque, ao comentar a tragédia em dois grupos distintos, com pessoas distintas, quando falei que os terroristas tinham seus motivos, todos foram imediatos em dizer que não haviam motivos que justificassem o ato. Tentei dizer que motivos não são justificativas, mas os entendimentos pareceram tão surdos que resolvi falar aqui. E eu acho que, a falta de disposição para entender a situação é, em boa parte dos casos, a raiz de todo engano.

Não vou me ater ao fato de que, somos extremamente seletivos em relação a nossa identificação. 129 pessoas na França causam uma comoção no mundo ocidental que nenhuma dezena de milhar de negros africanos trucidados causaria. Não faltam exemplos... mas esse não é o tema.


O Estado Islâmico, conhecido como ISIS ou ainda Daesh, ocupam um território entre a Síria e o Iraque. A conquista veio à força e no vácuo de poder existente no território. Implantaram um modelo político teocrático e cometem uma barbaridade atrás da outra em nome de Alah.

Agora chegamos ao ponto... aqueles motivos... Mas tudo começa numa dúvida: Porque tantas pessoas daquela mesma região, com tanta frequência, decidem explodir pessoas mundo afora, matar inocentes e professar uma crença insana e primitiva? Porque, na região onde se encontra o Oriente-médio, a Península Arábica, parte da Ásia Oriental e Central e uma parcela do norte da áfrica, tem uma proliferação abundante de pessoas que acreditam ser essa uma melhor saída para a vida e para seu povo? Eu acho que esse é meu ponto de partida. Vou apresentar o que eu penso, tão somente.


Primeiro ponto, a meu ver é que é uma região rica, ou potencialmente rica. De muitos usos e muitas culturas antigas. Para o bem e para o mal ela está localizada na "fronteira" entre a Ásia e a Europa e o problema começa aí... o que deveria ser uma benção, vira uma maldição.

O povo árabe é numeroso, mas extremamente subdividido ao longo do tempo. Tal qual seus primos Judeus, possuem uma cultura forjada no deserto, com verdades absolutas, necessidades imediatas, intolerância a dissenção, tolerante ao sofrimento e perseverante com a naturalidade com que respiramos. Os Judeus, em sua imensa diáspora, foram influenciados pelas sociedades burguesas das quais participaram, mas os árabes cultivam, em muitos aspectos, a mesma visão árida do deserto.

Islã
Eles conseguiram edificar uma das civilizações mais avançadas e prósperas de sua época com os Califados árabes, quando finalmente edificaram uma identidade cultural que configura-se até hoje. Seguidas invasões e guerras em fim em seu território tornaram seu desenvolvimento um fardo, sendo unificados e divididos e invadidos seguidas vezes. Mesmo assim, depois da ascensão do monoteísmo islâmico, ampliaram fronteiras, convertendo pela fé ou pela espada, cada vez mais povos, dominaram o norte da áfrica e a península ibérica até serem expulsos da Europa.

A lista de conflitos na região é grande. Foram dominados ou acossados por Egípcios, Macedônios, Mongóis, Romanos, por toa  toda Europa nas Cruzadas e pelos Turcos que dominaram o que chamamos de Oriente Médio desde a queda do Império Bizantino em 1453 até 1922 com a primeira guerra mundial.

Durante toda a antiguidade e idade média a região era importante por ser rota comercial do oriente para a Europa, e por isso, todos a desejavam a ponto de matar e morrer pela riqueza da região. Além do aspecto econômico, a questão religiosa com a posse dos locais sacros das maiores religiões monoteístas do planeta está sempre na mesa de debates e nos campos de batalha.

Apenas no século 20, com o fim do Império Otomano, o povo árabe começou a desejar ser uma nação unificada com um país para chamar de seu. A ideologia do Pan Arabismo e o crescimento econômico da região foi solapado pelo desenvolvimento tecnológico mundial, utilizando petróleo como força motriz de carros, aviões, fábricas, navios... O Oriente Médio flutua sobre 1/3 das reservas de petróleo de todo o planeta. Essa riqueza, transformada em interesse das grandes potências fez com que o sonho de um grande Estado  Árabe fosse jogado no lixo através de diversos pequenos estados, dependentes economicamente da Europa e EUA e recebendo constante interferência política e econômica.

Em resumo, desde o fim da primeira guerra mundial, EUA, Inglaterra e França fazem o que querem na região em maior ou menor grau.

Bush e Saddam
 A formação da Arábia Saudita, da Síria, a criação de Israel, do Irã, Iraque, Kuait, Jordânia dentre outros... todos sofriam, e sofrem, interferência externa contínua. Saddam foi financiado pelos EUA até se opor aos interesses americanos (veja a imagem de Saddam com o presidente americano). O Irã, através de uma revolução religiosa derrubou o Xá Reza Pahlavi alimentado pelos Ingleses e Americanos e ganhou uma guerra com o Iraque financiada pelos Ocidentais. E essa condição não era limitada ao Oriente Médio e nem a Ásia. Por exemplo, o Afeganistão, sob domínio Russo, foi treinado e armado pelos EUA para os derrotarem, e depois foram invadidos devido a interesses políticos e
Bush e Saudita
econômicos. A lista de ajuda monetária, treinamento e armamento para aliados da Europa e EUA que se dispunham a derrubar governos não alinhados é enorme (veja imagem de integrante da família Bin Laden, que orbita o poder Saudita com apoio americano). Coloque nessa conta todas as ditaduras sulamericanas e não fica só nisso. A guerra do Vietnã e da Korea também possuem o dedo Americano,m Chines e Russo invadindo o campo de auto-deliberação de outros países em prol de seus benefícios políticos e econômicos.

Mas voltando aos Árabes.

Esse povo alimenta o sonho de definir os destinos de sua vida a quase 100 anos e são paupérrimos (com exceção de ilhas de riqueza, como o Catar) pisando num mar de ouro. A excessiva interferência Europeia resulta no acirramento das ideias de opressão e na xenofobia. A pobreza é celeiro fiel de novos radicais dispostos a explodir bombas no próprio corpo em prol de uma realidade melhor, de um futuro melhor porque que o seu presente é uma grande droga. Vejam onde nascem as principais organizações radicias e você terá um mapa dos territórios mais miseráveis e manipulados do mundo árabe. Essa ideologia transpõe fronteiras e encontra solo fértil na segregação e no desejo de independência. Essa ideologia encontra seus elos de identificação via religião, com a mesma virulência e radicalismo professado pelo cristianismo à época da "Santa" Inquisição, com o mesmo furor eugênico do Nazismo, e com a mesma ganância com que o Império Azteca e Inca foram dizimados pelos Latinos no "descobrimento" do continente americano.


Execução em massa de prisioneiros iraquianos pelo ISIS
O atual ISIS... surge no vácuo de poder perpetrado pelas constantes interferências no território Iraquiano. Com a derrubada do Governo e invasão americana, o caos social consequente permitiu essa excrecência. Tudo indica que o ISIS foi alimentado com armas americanas, que queriam apoiá-los na derrubada de ex-aliados que tomaram atitudes independentes. Tudo indica que a principal fonte de renda do ISIS seja a venda de petróleo... que é comprado pelo Irã e pela Turquia, aliada dos EUA, e revendido no mercado internacional. É obvio que isso está errado, mas na balança ou gangorra política local o que mais interessa aos países ricos é, quem me dará mais vantagens econômicas e políticas. O ISIS posta vídeos com atrocidades a meses e meses... dezenas deles... ninguém do ocidente se dispôs realmente a intervir até muito pouco tempo. Agora que sangue francês foi derramado em solo francês, a tendência é que as relações se modifiquem.

Em relação à França, a menos de 39 anos a França ainda possuía países colonizados. Djibout foi a última colônia francesa a conseguir sua independência. A 60 anos atrás, nada menos que 21 territórios eram colonizados (ou seja, escravizados) pela França. Até o início do século passado a população Parisiense era brindada com exibições "etnográficas", onde negros eram expostos em zoológicos improvisados como atração cultural. Recentemente a França integrou, e integra, a frente que bombardeia o Oriente Médio, o Afeganistão e onde quer que os interesses comerciais franceses, ingleses e americanos apontem. Não é de se espantar que os terroristas tenham apreço por explodir a França. A própria Síria era um país com majoritária interferência francesa até a Guerra Fria.

Doutrina Monroe
Paris é linda. A população francesa não merece explodir nas mãos de fanáticos fundamentalistas em nome de uma deturpação da fé. Mas é inegável que eles tem seus motivos. Quando os países ricos começarem a respeitar a auto-designação das nações mais pobres em vez de utilizar a Doutrina Monroe (que prega uma diplomacia de voz suave mas com um grande porrete nas mãos - sem pudor de usá-lo) talvez deixaremos a rotina do terrorismo como um marco histórico de seu tempo e não na constante cobertura dos telejornais diários.


Lamento, lamento tanto.


https://www.youtube.com/watch?v=-ni6AktLw5Y

terça-feira, 9 de outubro de 2012

As Aventuras de Sharpe

Nesse meu ano afastado, ano "sebático" (de sebo mesmo), continuei gordo, chato, deslocado e gamer.
Além disso aprimorei as "artes churrasqueiras" praticando uma vez por semana...
Adoeci, desempreguei, empreguei-me, aborreci-me e ressuscitei...
Mas continuei lendo.

Quando era bem jovem lia bastante, mas quando cheguei na faculdade, parei... só lia teoria rsrsrs e perdi a linha.
A alguns anos atrás, decidi voltar a ler, grande prazer...
Hoje tenho cada vez menos tempo e leio "cada vez mais" (proporcionalmente falando... rsrsrs)

Resgatando o costume de partilhar aqui minhas leituras... Falemos das Aventuras de Sharpe.

De início pensei que não gostaria, mas adorei.
São escritos do meu querido Bernard Cornwell, mesmo autor de muitos livros saborosos a mim. O conheci através da Borboleta e nunca mais parei de apreciá-lo.

Sharpe é um soldado inglês que participa de muitos eventos históricos importantes da ocupação inglesa na India e desloca-se até as guerras Napoleônicas, passando por Trafalgar, pela luta na Espanha e a defesa de Portugal até Waterloo e mais além.

Sharpe já é seriado, famoso na Europa, mas quase desconhecido aqui. Ao lado temos Bernard com o ator Sean Bean,  que dá vida ao personagem.

Já foram lançados em inglês 21 livros e 3 contos, segundo a Wikipédia, e destes, 9 foram lançados em Português no Brasil. Destes, tive o prazer de ler 7 e continuo o processo.

Temos em Português (única língua em que leio) os títulos:
O Tigre de Sharpe / O Triunfo de Sharpe / A Fortaleza de Sharpe / Sharpe em Trafalgar / A Presa de Sharpe / Os Fuzileiros de Sharpe / A Devastação de Sharpe / A Águia de Sharpe / Sharpe e o Ouro.

Para variar são excelentes. É divertimento e História conjugados, enredados, intrincados e decantados nos passos de Sharpe, que tem a tonta habilidade de estar sempre onde a história acontece.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Irã atual

Continuando (na tentativa de fechar algum assunto que inicio) as reflexões sobre o Irã e as relações com o Brasil. Lembro que, logo após a revolução Iraniana, que derrubou o governo pró-EUA os revolucionários começaram a brigar entre si. Isso é comum na história das revoluções armadas, afinal, quem abandona a possibilidade de diálogo, ou só tem essa saída, em prol da imposição de suas idéias pelas armas tem dificuldade de partilhar e ceder algum tipo de espaço.

Fato é que a revolução Iraniana tinha, a grosso modo, dois tipos de ideais habitando majoritariamente as mentes dos insurgentes (deveria ter mais, mas vamos as principais): um de implantar uma democracia ao modelo ocidental e outro para implantar uma Teocracia Islâmica.

Não preciso dizer que o grupo que desejava uma democracia laica no Irã foi derrotado nas lutas internas e praticamente erradicado. Venceram os ortodoxos religiosos, que iniciaram a implantação das medidas que transformaram o Irã no que é hoje.

Vale lembrar que se seguiu uma tenebrosa guerra com o Iraque e isso complica tudo. Em toda cultura, períodos de guerra dão muito poder aos "brutos" e "obtusos", ceifando as alternativas de diálogo.


Os vitoriosos criaram, progressivamente, uma estrutura de governo em que há um conselho revolucionário, de cunho religioso, dominado pelos Aiatolás (foto do Aiatolá Ali Khamenei), que está acima de todas as outras instâncias e que funciona até hoje. Esse conselho tem poderes quase absolutos e efetivamente atua como grande sensor de tudo o que é feito no Irã. Existem eleições gerais, mesmo acusadas de obscuras e, contraditoriamente a nossos olhos ocidentais, a participação política das mulheres avançou muito. Só para constar, no parlamento iraniano existem mais mulheres eleitas que no legislativo brasileiro.

Contudo, ao passar do tempo, me parece que o Irã foi cada vez mais encolhendo as possibilidades democráticas e de participação política que existiam. Hoje o Irã é, a meu ver, é uma ditadura teocrática.


A tolerância à diferença e a oposição ao regime representado por Ahmadinejad é cada vez menor. Ahmadinejad tem a total confiança e apoio dos religiosos que supervisionam o país e do Rahbar (líder teocrático). Podemos demonstrar isso claramente quando jogadores da seleção iraniana de futebol foram segregados das convocações por utilizarem adereços de cor verde (cor da oposição ao seu governo). Sem contar com a extensa lista de denúncias de fraude eleitoral na última reeleição do atual governo. A postura intransigente com que tem se portado em todas as questões diplomáticas, políticas e comerciais no cenário internacional demonstram o clima que tem sido alimentado no Irã.

A afirmação delirante e rotineira que nega o Holocausto Judeu na segunda guerra merece destaque em minha análise porque representa uma completa distorção da realidade por parte do governo Iraniano. Sem falar na obstinada e renitente crítica a existência do estado de Israel.

Chega ao ponto do governo afirmar que tipo de corte de cabelo é adequado para um bom cidadão e respeitador da Charia (lê-se xariá), que é a lei político-religiosa Islâmica. Duvida? Veja a foto ao lado com o quadro de cortes aceitos e reprovados.

Acho lamentável um povo que possui uma histórica tão rica passar por um momento tão obtuso.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Irã

Este post começou a séculos atrás. É longo. Penso nele a mais de um ano quando a mídia começou a dar visibilidade a "crise iraniana" e as relações do Brasil com o Irã, ou melhor, do ocidente com o Irã. Falarei sobre isso em mais de um post, para ficar didático e "não-enciclopédico". Vamos primeiro a história do Irã.

Primeiro tenho de reconhecer que sabemos muito pouco da história Iraniana. Nossos estudos escolares limitam-se quase exclusivamente a história européia, uma parcela da história do Brasil e tópicos de história regional. O que sabemos da Ásia restringe-se aos acontecimentos em que potencias européias estiveram envolvidas.

O território onde hoje ficam o Irã e o Iraque é disputado a milênios porque, numa região seca, tem água e terras cultiváveis. Além disso é o epicentro do mundo, numa perspectiva de deslocamento terrestre, todos os caminhos passam por lá. E nos últimos tempos, pelo petróleo farto em seu subsolo. Não é de hoje que os povos que lá tem berço ou fincaram raízes vivem em clima de conflito armado.

O Irã é o berço do Império Persa, que data de 800 antes de Cristo e chegou a ser o maior império da antiguidade durante décadas. Era uma cultura luminar, com amplo desenvolvimento da astronomia, matemática e escrita. A partir do ano 600, com a conversão ao Islamismo atráves das invasões de tribos Árabes, a Pérsia findou por tornar-se o maior Estado da Terra ao estender seus domínios por todo o norte da África e na Península Ibérica, onde foi contido em sua expansão por Carlos Magno na França. A Europa estava acuada pelos Árabes do Islã.

A partir do ano 1000 a Pérsia foi dominada pelos Turcos, também muçulmanos, e continuaram fortes por 200 anos até depararem-se com Gêngis Kan. O Grande Kã e seus descendentes conquistaram toda a Pérsia. Até o ano de 1500 a Pérsia perdeu qrande parte de seu território e de sua cultura.

A partir de 1500, assume o poder uma linhagem Iraniana. Em 1700 a Rússia e a Turquia invadem o Irã e são repelidas. O Irã sustenta-se como estado independente com esforço, espremido entre os impérios colonialistas Russo, Turco e Inglês(Índia), perdendo continuamente territórios para essas potências.

Com o advento da Primeira Guerra Mundial, o petróleo Iraniano virou recurso disputado no tabuleiro de guerra. Após seu término, foi instituída a dinastia Pahlavi no Irã. Os novos líderes acabaram por aproximar-se do Império Britânico. Os Ingleses passaram a controlar o petróleo Iraniano com exclusividade e a interferir constantemente nos assuntos internos do país.

Essa condição subordinada incomodava a cultura Iraniana e só piorou com a Segunda Guerra Mundial. Nela, o Irã foi invadido por Ingleses e Russos, tudo por causa do... Petróleo. Após a guerra as tensões aumentaram e, com novo governo, levaram a nacionalização do petróleo, ao rompimento com o Reino Unido e a aproximação com a Rússia. Isso não durou, pois o governo foi deposto com a ajuda de Inglaterra e EUA. O retorno dos Pahlevi(Reza Pahlevi foto) ao poder deu aos EUA, principalmente, muito poder para mandar e desmandar nos assuntos internos Iranianos, além do controle total do petróleo.

Toda essa situação levou, como não poderia deixar de ser, a uma revolta em 1979, a Revolução Islâmica liderada pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini. É esse processo revolucionário que está no poder até hoje.

Em resposta imediata à Revolução Islâmica os EUA financiaram um golpe militar no vizinho Iraque, empossando e fortalecendo o ditador Saddam Hussein(foto). Em troca Saddam move uma guerra sangrenta por 8 anos ao Irã. Nela, o Iraque era financiado e armado pelos EUA e o Irã sustentando-se trocando petróleo por armas com a antiga URSS(Rússia). Em 1988 a guerra termina sem vencedor com os dois países arrasados.

Os EUA, insatisfeitos com a "perda" do domínio sobre o petróleo iraniano, estabelece pesadas represálias ao Irã. Impedindo que outros países capitalistas fizessem comércio com o Irã. Com o tempo e o agravamento da crise Russa, a própria Rússia acabou por participar de parte do bloqueio comercial ao Irã.

Mesmo assim o Irã permaneceu firme em seus propósitos estabelecendo uma teocracia de certo sucesso e mantendo-se íntegro frente as ameaças externas e internas financiadas pelos EUA.

A situação atual do Irã é a mesma até hoje, resistindo ao bloqueio econômico e constantemente sob ameaça. Contudo, o Irã também ameaça, constantemente.

Mas cá para nós, eu compreendo um pouco a sensação de desconfiança que os iranianos tem com os acidentais, afinal, o ocidente passa a vida a pensar que o Irã é "Casa da mãe Joana".

segunda-feira, 26 de julho de 2010

1808

"Nenhum outro período da história brasileira testemunhou mudanças tão profundas, decisivas e aceleradas quanto os treze anos em que a corte portuguesa morou no Rio de Janeiro. No espaço de apenas uma década e meia, o Brasil deixou de ser uma colônia fechada e atrasada para se tornar um país independente."


P.S. Pense num livro bom, é esse! Tudo o que já pensava sobre o Brasil foi amplamente reforçado. O Brasil é maravilhoso! É forte, trabalhador, corajoso, vigoroso, inteligente e mutante. Triste é nossa mania de achar que somos ruins em tudo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pergunta para Grego

A minha estagiária ontem olhou uma foto de um jornal do II Congresso Brasileiro de Psicologia e pergunta rapidamente e com vários agravantes no seu tom de voz:
- Porque o símbolo da Psicologia é um "tridente"?

Já respondi sorrindo por entender a dúvida com as implicações religiosas envolvidas:
- Não é um "tridente", é um Psi! O Psi é uma letra do alfabeto grego, como as letras alfa, beta, gama, delta, pi (o mesmo da matemática hehe) etc. O Psi é a vigésima terceira letra do alfabeto grego e é associada aos aspectos hídricos, fluídos e metafísicos da alma. O psi é a logo da Psicologia por representar a alma ou a mente na filosofia grega. Mesmo que fosse um "tridente", nada tem a ver com o demônio, porque o "tridente" em questão é associado ao psi (água, fluidez) na mitologia grega como sendo a arma de Poseidon, deus dos mares. Poseidon é anterior ao cristianismo e só adquiriu um significado ruim depois da criação da Igreja Católica Apostólica Romana, quando se esforçaram por combater as outras religiões mais antigas.

A História é muito legal! Quando os católicos romanos começaram a espandir-se no império romano encontraram grande dificuldade em debelar integralmente as religiões ditas pagãs. Uma das estratégias mais eficazes foi realizar um sincretismo com diversos aspectos de outras religiões para gerar familiaridade aos camponeses a nova religião. Dessa forma diversos hábitos pagãos tornaram-se cristãos, como as datas do carnaval, natal e festas juninas, que eram festas pré-existentes que continuaram a ser celebradas com um viés católico.

Outra estratégia largamente utilizada foi a "produção" de novos "santos" que ocupavam o lugar de deuses menores de cada aldeia, surgindo aí, o costume dos padroeiros, vivo até os dias de hoje. Além dessas ações construtivas, começaram a associar aspectos marcantes de outros deuses ao demônio. O tridente de Poseidon torna-se um símbolo demoníaco dessa maneira. Acho que fica muito claro esse modelo com o exemplo de Mitra a seguir.
Mitra

Mitra era um deus do panteão indiano, persa e romano. Ele era associado ao bem e ao sol (luz) em geral, além da força e energia. Na Roma antiga, tornou-se um deus guerreiro, cultuado pelos militares. Sua celebração principal era seu nascimento, coincidente com o solistício de inverno no hemisfério norte, na data de 25 de dezembro, quando hoje é comemorado o natal. Ele recebia oferendas em sacrifícios de touros e era também representado por um grande touro vermelho, com grandes chifres. Pois bem, sua representação original foi modificada e atualmente é uma das imagens clássicas do demônio. Seu mistério de nascimento em 25 de dezembro foi superposto pelo nascimento de Cristo e a festa continua, só que transformou-se de pagã, para católica.

Outro sincrestismo era que Mitra, na Pérsia, era cultuado como o deus redentor e que havia nascido numa gruta para a salvação dos homens e sua mãe também era virgem antes do nascimento. A associação era tanta que abaixo de muitas igrejas cristãs da antiguidade são encontrados "mitraeum", que eram o templo mitraísta para a celebração dos Mistérios de Mitra. É o caso da igreja de Santa Prisca em Roma.

Pois é, o velho mitra deixou de ser um deus bom, para virar o "coisa ruim".

terça-feira, 30 de junho de 2009

Plagiando Leonardo Attuch...

Leonardo Attuch, da Isto É, ao comentar a mais nova metáfora futebolista do Lula, aplicada a crise do Irã, traz uma nova(velha) história sobre o Flamengo, sempre surpreendente. Eis o trecho que me interessa agora:

"...há apenas um caso, em toda a história do futebol mundial, em que a rivalidade se transformou em ódio após uma fraude eleitoral. Antes mesmo que os dois times de futebol mais populares do Rio de Janeiro existissem, seus atletas já se atracavam em brigas homéricas após as competições de remo - Flamengo e Vasco, afinal, eram clubes de regatas.

Mas em 1927, o Jornal do Brasil decidiu colocar a disputa à prova numa eleição popular. A Taça Salutaris seria entregue ao "time mais querido do Brasil". Venceria quem levasse mais cupons da água mineral Salutaris, indicando o nome do seu time. Os comerciantes portugueses, vascaínos, tinham tudo para vencer. Mas os flamenguistas se mobilizaram, adotaram sotaques lusitanos e lotaram as padarias do Rio com escudos do Vasco na lapela. Quando chegaram à sede do jornal, jogaram os votos falsos nas privadas do prédio e entregaram apenas os do time rubro-negro. Um engenhoso golpe eleitoral."

Hó meu Mengão, eu gosto de você...!
Até hoje, usamos o termo "O Mais Querido", em apologia aquele momento ímpar de nossa história. Ate hoje o Vasco... é o Vice.

sábado, 27 de junho de 2009

Canudos e a Guerrilha no Sertão

O termo Guerrilha na atualidade faz parte do senso comum e é visto no noticiário, relacionado geralmente a ações e proposta terroristas.

Originalmente Guerrilha significa "pequena guerra" e hoje dá sentido ao modo de luta não convencional baseado em grande mobilidade, ocultação e emboscadas. Numa guerrilha não existe embates frontais por um motivo muito simples... a Guerrilha é a alternativa do mais fraco. E historicamente demonstra resultados espantosos.

Em Canudos, muito antes da idéia de Guerrilha ser tema de noticiário, esse modelo era amplamente utilizado com sucesso estrondoso. Mas sejamos justos, os canudenses seguiam a herança nossos Índios. Muito antes de Canudos os Índios do sertão Brasileiro eram especialistas nesse tipo de luta.

Em Belo Monte, os conselheiristas adotaram várias técnicas que fizeram história muito tempo depois. A edição da revista Aventuras na História (nº69 de Abril de 2009) apresenta um apanhado valioso delas. As destaco a seguir.

O exército Brasileiro no sertão bahiano, além de sofrer com as temperaturas e a falta de água e suprimentos adequados tinha de lutar com um inimigo muitas vezes invisível. Os sertanejos, com roupas de couro cru, confundiam-se com a vegetação e a terra seca. Pajeú e Macambira idealizaram e executaram centenas de ações com seus homens aparecendo entre a caatinga e as pedras e logo após desaparecendo. O exército não tinha fardamento único, mas os tons de Azul da época eram facilmente visíveis.

Além disso, essas escaramuças eram usadas para dilapidar os suprimentos da tropa. Alvo constante de armadilhas, as carroças de munição e víveres, eram preocupação constante dos soldados, dividindo a atenção e causando instabilidade.

Seguindo a tradição indígena, os corpos do inimigo eram expostos empalados, desmembrados ou decapitados nos acessos a povoação e nos lugares por onde chegavam os soldados, com um claro aviso de que a morte os esperava.

Porém, real instabilidade vivia a tropa em marcha ou durante o sítio. A estratégia de "Atiradores de Elite" era onipresente. A intervalos regulares, quer fosse dia ou noite, atiradores de diversos pontos alvejavam a tropa e mais do que soldados, abatiam a moral da tropa. Além disso, a preferência clara por alvos "oficiais" ficou patente durante o conflito. Ser um Oficial de Comando no cerco a Canudos significava atenção constante.

A falta de padrão do Exército Brasileiro permitiu outra tática surpreendente, a infiltração. Sertanejos vestiam as roupas dos soldados mortos e entravam na tropa, trazendo informações e sabotando equipamentos e instalações.

Por fim, os túneis. A vila era recortada por túneis que ligavam todas as áreas de Belo Monte. O que facilitava o trânsito de combatentes e suprimentos por toda parte. Foi essa estratégia que dificultou ferozmente a invasão do povoado. A cada setor tomado pelo exército outro já dominado se insurgia. Diversas vezes os soldados se viram em fogo cruzado vindo de locais em que acabaram de conquistar.

Além de bravura, o "negroide atarracado e subnutrido"(como definia o exército) tinha inteligência. Viva Canudos!!!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Korea do Norte

Alguns dias atrás abordei a triste história Koreana que foi dividida arbitrariamente por ideologias e poderes de outros países no fim da segunda guerra. Acredito que esperei amadurecer(ou apodrecer, talvez) minhas idéias sobre a crise atual.

O norte koreano foi dominado por décadas pelo General Kim Il-sung (foto) que resultou num país empobrecido, corrupto e isolado. Após a morte do velho ditador assume seu filho Kim Jong Il que além de muito menos habilidoso que o pai, é um filhinho mimado no modelo clássico.

Kim Jong Il(boneco) é apreciador de bons wiskys, de bons perfumes e de comidas sofisticadas. Usa sapatos com salto plataforma feitos por encomenda na tentativa de parecer mais alto(além de usar os cabelos espetados para cima). Vive num luxo que contrasta com seus trajes oficiais de cor cinza e com a enorme pobreza do país. O que ele quer, lhe dão, e ele quer cada vez mais.

A Korea do Norte tem um dos maiores exércitos do planeta e, apesar de mal armados, usam de seu poder militar para chantegear os países vizinhos. Não satisfeita com o "apurado" nas constantes chantagens sobre a Korea do Sul e Japão, agora, quer mais, como de costume.

A grande diferença é que esse protótipo de rei nanico possui armas nucleares e mísseis que podem levá-los aos vizinhos. A tecnologia é fruto da cooperação com Rússia, China e Paquistão, direta ou indireta ao longo dos anos.

Toda semana notícia de nova pressão estabelecida na política internacional. Ninguém em sã consciência poderia chamá-lo de lunático na minha opinião, mas de destemperado sim. Como toda criança mimada, não conhece limites claros e muito menos compreende a extensão de suas ações. Eu duvido que haja guerra. Os EUA estão com medo de quebrar e não vão levar sua enorme máquina de guerra para lá... apenas pela contabilidade da planilha de custos. Rússia e China são vizinhos e vão continuar cedendo e o sul koreano e o Japão vão continuar reclamando e alimentando Kim Jong.

ELE QUER MESMO... É APARECER!!!
"PRO PAPAI VER COMO SOU MAIOR QUE ELE!"

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Israel x Palestina - Judeus x Árabes

Essa é uma briga de Família. Judeus e Árabes são mais irmãos que qualquer outra coisa. Os mitos criadores de suas culturas são os mesmos ou absurdamente semelhantes. A Bíblia fala que dos filhos de Abraão (patriarca de Judeus e Árabes) 7 deram origem aos Árabes e 3 aos Judeus, filhos de mães diferentes (podia ter mais de uma esposa). Ambos os povos se colocam como herdeiros da primeira mulher.

Talvez a grande diferença cultural entre eles seja o período de escravidão no Egito, pelo qual sofreram os Judeus. Nesse período sua cultura passou por grandes transformações, tais como a assimilação da cruz como símbolo religioso (é Egípio sim, não sabia?), o julgamento dos mortos, o paraíso etc.

Os Árabes, maioria, nunca precisaram abrir mão de sua terra, mas viviam em constante transformação também. Maomé organizou uma extensa bagunça no mundo Árabe com o Islã, que na maioria das vezes foi apresentado na ponta da espada as outras tribos. Porém, além de ter um grande respeito pelos "povos do livro" como ele chamava os cristãos e judeus, aproveitou muita coisa do monoteísmo dos seus "irmãos".

Em verdade, parte da Bíblia, da Torá e do Alcorão são os mesmos textos, com pequenas mudanças. O que leva a reforçar a tragédia familiar desses povos.

Jerusalém é um capítulo a parte... cidade sagrada para Judeus, Árabes e Cristãos... só isso mesmo! Durante os séculos ela foi consquistada e perdida por todos eles e em vários momentos históricos os Judeus foram oprimidos da mesma forma que os Palestinos hoje o são.

Os Israelitas de hoje sufocam os palestinos como podem, com intransigência e força. Mas esse mesmo povo, a menos de 100 anos, antes da segunda guerra era massacrado no retorno a seu berço histórico. A Inglaterra, que na época dominava a região, para acalmar os ânimos revoltados dos Árabes com a constante chegada de Judeus limitaram a entrada e faziam vista grossa aos linchamentos, apedrejamentos, enforcamentos e perseguições que milícias palestinas praticavam contra os Judeus. Com a criação do Estado de Israel, esse povo, hoje opressor, foi atacado por todos os lados e ganhou diversas guerras de maneira impensável. Eles sobrevivem como País pela espada e contra toda a região. Na época da opressão inglesa e árabe, nos primórdios da ocupação judaica, os movimentos para criação de Israel inauguraram uma prática muito comum hoje... o terrorismo... Vejam só, o primeiro atentado terrorista moderno no oriente médio foi praticado por Judeus que explodiram um hotel (usando um carro bomba) com uma porção de autoridades britânicas.

Tudo isso dito, é para lamentar tanta dor na terra que reformou o mundo ocidental e parte do mundo oriental. A situação é mais delicada e complicada que parece. Historicamente esse é mais um capítulo de uma longa história de intolerância e ortodoxia. Nessa disputa, não tem inocente e nem mocinho, todos são culpados.

sábado, 28 de junho de 2008

Descobrimento do Brasil...

Há muitos fatos entrelaçados na história. Alguns deles falam sobre o “descobrimento” do Brasil.

Primeiro que estas terras já eram habitadas... e portanto já haviam sido “descobertas”. Segundo, há muitos registros interessantes sobre isso. Um deles são descrições e mapas dos chineses falando sobre a América do Sul. Numa época sem satélites essa informação só poderia vir de uma visita a essas paragens... uma apreciação “in lócus”! Que habitantes da polinésia freqüentaram o território Chileno e Boliviano (acharam ossos de galinha por lá e não tinha galinhas no continente até a chegada de Cabral!?). Ainda, que espanhóis passaram pelo nordeste Brasileiro antes da famigerada aparição de Cabral na Bahia. Américo Vespúcio que o diga...

O local mais próximo da Europa das Américas fica no Rio Grande do Norte, e o mais ao leste fica na Paraíba. Por que cargas d’água Cabral foi justamente pra Bahia? Que pese o fato das imprecisões típicas das navegações da época. Reza a lenda que foi o primeiro pouso tranqüilo que os europeus acharam... rsrsrs Pois os índios de nosso litoral nordestino e também do sertão não eram fáceis...

Farei um post sobre os índios nordestinos e sua valentia...