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segunda-feira, 11 de abril de 2022

O misterioso Esquema do Paulo Sousa

Como eu disse antes, ia ter que fazer um tutorial para explicar o esquema do Paulo Sousa, porque geral, inclusive gente que eu respeito muito, tem feito colocações muito equivocadas a meu ver. 

Eu não sou estudioso do tema, sou pitaqueiro, e na boa, só passei a me interessar a partir de 2019, porque o Jorge Jesus fundiu o pouco que eu sabia e fiquei realmente curioso para entender a tática dele. Até hoje não entendo bem (hehehe).

Vou mandar a letra agora, porque o PS flexibilizou o esquema no primeiro jogo da Libertadores, e ontem, no empate com emoção contra o Atlético-GO, manteve a mudanças. Ainda não posso falar bem dessas mudanças, mas pareceu-me que agora ele vai usar na saída de bola ou atacando um 3232 ou 3241 e defendendo um 442 ou um 451. Ainda não sei ao certo, mas com alguns jogos eu tiro minhas dúvidas.

Até o dia 5 de abril, no entanto ele usou quase 15 escalações diferentes no exato mesmo esquema tático. Até então, ele se recusou peremptoriamente a ceder um milímetro de suas convicções. Era um 343 conservador com três zagueiros, dois volantes, dois alas defensivos, 2 atacantes fora da área e com apenas 1 atacante de área. Vamos à demonstração desenhada! Destaquei mais de um aspecto em cada imagem, e os associei por cores. Usei como demonstrativo o jogo contra o Vasco no campeonato carioca com as imagens dos melhores momentos do Globo Esporte.

P.S. Eu, particularmente, não gosto nem um pouco do esquema original. Vou apenas demonstrá-lo e não tenho nenhuma intenção de defendê-lo.

 

Comecemos pela formação da Defesa. Era uma linha de 3 absoluta. 

E o padrão se repete.


Novamente.


Ai, mas eu vi uma linha de 4!!! Na minha opinião é engano seu, observe.

Vou tentar explicar como eu entendo que se forma essa falsa linha de 4, no esquema original dele.


E o ataque? Com 3, dois fora da área e 1 dentro da área, sendo, praticamente, os responsáveis por toda articulação ofensiva, visto que os alas se preocupam primeiro em defender e depois em apoiar.

Aí segue numa rara mudança de posição com os alas. Talvez na cabeça do Romântico (PS) isso deveria ocorrer sem para, mas não ocorre e acho difícil ocorrer.

Aí, para sacar a lógica da movimentação geral, aplicado ao esquema e dentro dos princípios do jogo posicional, vou tagarelar numa falha de recomposição da zaga.



E por fim, tentando costurar toda a lógica do esquema numa situação defensiva numa imagem só, ou quase isso:


Então, é um esquema falsamente ofensivo, que tem mais preocupações e falhas defensivas do que agressivas. Tem posse de bola e controle de território, mas tem baixa penetração e cria uma quantidade de chances de gol inferior ao esperado. Falta velocidade, falta criatividade e falta jogador polivalente. Não considero adequado ao elenco e o PS não parece preocupar-se em conhecer o elenco. Funciona muito na lógica de que os jogadores se adaptam ao esquema dele. É um erro. Vou colocar aqui um comentário do @ericfaria74 ao qual eu concordo de maneira integral:


 
E é isso. Agora é aprender direitinho as mudanças que ele implementou.


P.S. Seria pedir demais? Acho que sim...






 



sexta-feira, 18 de março de 2022

Vamos lá. “Era” Paulo Sousa

Após mais de 60 dias de trabalho e 10 jogos da equipe na temporada sobre seu comando, já tenho algumas compreensões e uma ou outra convicção sobre o trabalho dele, e sobre o que poderá ser.

Lamentei a contratação. Dos nomes ventilados, seria minha última opção. Pela imprensa e entrevistas dos diretores um dos critérios mais destacados para a escolha foi a vontade expressa de treinar o Flamengo. É um critério relevante, mas não entra na minha cabeça ser o determinante. Os principais critérios devem ser técnicos.

Isso me faz imaginar que o Clube (Diretoria) não entendeu a correlação de forças e a localização de mercado do Fla no cenário mundial. Nós queremos treinadores de qualidade? Sim. Europeus? De preferência, porque é onde se tem as melhores escolas táticas do mundo e aqui é um deserto tático. Teremos treinadores de qualidade, de 3ª ou até 2ª prateleira da Europa? Sim. Por mais de uma temporada? Não.

É um erro repetido. Depois do trauma da saída do JJ a direção só bateu cabeça. Trouxe o Dome, que é um treinador inexperiente e que joga com jogo posicional, que é ótimo, mas no Brasil não vai ser fácil implementar. Praticamente nenhum jogador brasileiro viu essa tática na base nem no profissional. Nunca treinaram. Essa lacuna é a principal responsável, a meu ver, do fracasso europeu de vários brasileiros. O mesmo não ocorre com os Argentinos, que tem vivência no esquema e consequentemente tem uma adaptação mais fácil por lá. Depois da primeira tragédia anunciada, fizeram a segunda temporada, com o Ceni. Um técnico inexperiente, com longo histórico de problemas de relacionamento, que só fez trabalhos sólidos em times medianos. Sabotou a equipe por muitos meses com invencionices, teimosias e notória inabilidade de montar um esquema que ataque e defenda com a mínima qualidade. Seguiram errando trazendo Renato, que é um técnico eticamente lamentável, e com um esquema repetido, antiquado e sem variação. Tudo isso, fruto da incompetência dos diretores na compreensão tática do jogo.

Escolher um técnico tem de passar pela adequação do elenco com a tática, com o mínimo de continuidade. É uma zona no Flamengo. Começou a gestão do grupo atual com Abel Braga, num esquema 442 defensivo do tempo paleolítico, que foi seguido do JJ num 442 ofensivo com mudança de posição e cobertura de bola, em sequência para um 433 posicional que só sabia atacar, seguido de um esquema 442 Frankenstein perdidaço que ou atacava ou defendia, seguido de um 4231 reativo sem variação e agora de um 343 posicional. Alguém consegue identificar uma lógica de contratação de treinador?

Mas cá estamos. Com Paulo Sousa. E com ele devemos vencer.

Voltando ao Romântico (Paulo Sousa), algumas coisas estão muito nítidas. Ele tem um esquema e não muda o esquema. Ele variou muito a escalação nas partidas, mas só alterou a estrutura do time em situações de desespero, no fim do jogo, para evitar derrotas. Ele tem a filosofia de que o jogador se adapta a tática e não o contrário. Não é vaidoso a ponto de não realizar adaptações, mas a proposta é essa, joga quem encaixar nela. Ele não parece respeitar crachá e nem histórico, apenas desempenho, obediência tática e liderança. Tem fama de ser franco e acessível. Muita coisa boa.

Ocorre que o esquema dele é o 343, varia para 3241 atacando e para 3421 sem a bola e até um 541 defendendo, mas o esqueleto é o 343. Isso nos coloca numa situação peculiar, pois nosso elenco não está dimensionado para um 343 e é mais uma demonstração de inabilidade de nossa direção de futebol. E mais, esse 343 é com jogo posicional. Aí os cabelos embranquecem na minha cabeça, e caem.

Destaco o detalhe relevante de que nosso elenco, para esse esquema, tem zagueiros de menos, laterais demais, volantes de menos e meias e atacantes demais. Quanto aos atacantes, temos mais pelo meio, e menos pelos lados. Mudar o elenco é mais demorado e dispendioso do que escolher um treinador que trabalhe num esquema compatível. Sem falar que não temos tempo de muita recomposição de elenco.

O time está, como esperado, demorado a adaptar-se, e alguns jogadores não estão sendo aproveitados por ter dificuldade nas movimentações. O alívio é ver que o Romântico sabe o que faz. Ele demonstra que entende de como treinar e a equipe comporta-se de maneira equilibrada entre defesa e ataque e tem criado bastante apesar das oscilações. O 343 traz outra novidade, não tem lateral. O torcedor médio está patinando e ainda parece longe de acostumar-se com a ideia, tão boa e útil no familiar 442 (que eu prefiro e defendo). E traz outro detalhe, que me inquieta, não tem meia armador. O meio é formado por 2 volantes em linha ou alternados e dois alas, que como é próprio da posição, tem mais preocupação defensiva do que ofensiva. Ele busca jogadores polivalentes que primeiramente defendam, passem bem e eventualmente faça uma jogada de linha de fundo, preferindo triangulações na quina da grande área, abafar na retomada, e concluir de fora da área em rebotes. As ações ofensivas são construídas pelos 3 atacantes, que são dispostos com um jogador centralizado dentro da área e dois móveis fora da área dispostas a direita e esquerda. Não há debate, o esquema é esse. Doa a quem doer.

E estou pasmo de ver uma galera que é profissional de mídia esportiva não entendendo o esquema e dizendo que o time joga num 442. Que absurdo, que asneira, que ignorância. Eu vou ser obrigado a publicar depois um tutorial demonstrando o esquema porque vamos e convenhamos, é inadmissível a galera se confundir.


Eu acho que esse esquema vai dar certo. Mas lamento por sua aplicação. É difícil explicar meu lamento, mas vou tentar. A Europa não forma meias armadores de qualidade em quantidade suficiente para o seu mercado e nem consegue comprar (é caro) porque a oferta é limitada. Ela também não forma laterais de exceção. E a tática deles adaptou-se a isso, a ter muitos jogadores fortes na marcação e no passe e poucos criadores. Esses meias, em sua grande maioria (embora poucos) foram se tornando meias atacantes, até com a introdução do famigerado falso 9, que virou modinha louca por lá, até porque eles também não formam muitos centroavantes. Então, eles se sobressaem na organização, e não precisam se preocupar com a qualidade porque já é rara, e hoje, já está tão massificado que eles passaram a transformar meias armadores, quando surgem, em atacantes/pontas ou em volantes. Para mim é uma derrota do futebol arte, bem jogado, com muita técnica. Mas o Flamengo 2022 é assim. Tem 3 vagas de ataque, os jogadores que lutem. Gabi, BH, Pedro, Arraxca, Vitinho, Marinho e talvez o Ribeiro junto com os meninos da base vão lutar por uma delas. Só jogam 3, não adianta emputecer.

Obviamente eu faria diferente. Mas o time é do PS. Deixa o cara trabalhar. Acho que vai dar certo, mas não vai dar certo com o encanto de 2019. Podem chamar de viúva à vontade. Sou mesmo. Nunca mais acho que verei tanta beleza em campo. Um time que prioriza o talento técnico, é o que faz o futebol ser o que ele é, lindo! Burocracia sem classe, faz o contrário, é vazio. Mesmo sendo campeão, é só para contar na sala de troféus e comemorar no mês seguinte. Ninguém suspira ao lembrar. Flamengo de 1981/83, 2019, Palmeiras da Parmalat, São Paulo do Telê, seleção de 82, essas sim, são equipes superlativas, encantadoras, que nos deixam apaixonados.

Por agora é isso.



quarta-feira, 5 de maio de 2021

Brincando com números do Flamengo

Hoje tem Flamengo na Libertadores. Enfrentaremos LDU na altitude. Time tem melhorado, mas só ofensivamente. Defensivamente estamos sólidos como uma chegadinha. Para quem não lembra ou não sabe o que é uma chegadinha (conhecida como casquinha ou beiju no sul-sudeste):

Chegadinha

É com essa força inquebrantável que nossa organização defensiva se assemelha.

Só reforçando. O Rogério Ceni, tratado por mim de maneira dúbia de Geni, tem o segundo pior aproveitamento dos técnicos do Flamengo nos últimos 10 anos. Só é melhor que o Reinaldo Rueda. Os dados foram levantados no fim da temporada passada e é certo que o carioca tem levantando as forças da classificação dele. Depois eu atualizo.

RANKING DE APROVEITAMENTO TÉCNICOS FLAMENGO

- Últimos 10 anos -

MELHORES APROVEITAMENTOS

Jorge Jesus (2019-2020)

81,3%

Abel Braga (2019)

71%

Carpegiani (2018)

70,6%

Dorival Júnior (2018)

66,7%

Domènec Torrent (2020)

64,1%

PIORES APROVEITAMENTOS

Maurício Barbieri (2018)

64%

Zé Ricardo (2016-2017)

62%

Jayme de Almeida (2013/2014)

62%

Vanderlei Luxemburgo (2014-2015)

60,5%

10º

Joel Santana (2012)

60%

11º

Jorginho (2013)

59,5%

12º

Vanderlei Luxemburgo (2010-2012)

58%

13º

Muricy Ramallho (2016)

58%

14º

Rogério Ceni

57.58%

15º

Reinaldo Rueda (2017)

52%

E isso tudo, tendo o melhor elenco e uma das melhores estruturas das américas. Coisa que apenas o Jorge Jesus (Ave JJ), e o Domènec podem ostentar.

Ganhou o Brasileiro com derrota, dependendo da atuação luxuosa do Cássio, goleiro do Corinthians dentro da casa do Internacional e a Recopa do Palmeiras, num jogo eletrizante(talvez o melhor do ano em termos de emoção), em que empatamos e só fomos campeões graças ao milagroso Diego Alves.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Flamenguices retroativas

 Agora, que eu estou namorando o retorno ao Blog, eu estou lutando contra a minha ânsia de 
"cobrir" a lacuna do tempo que eu passei sem postar. 

Estou negociando com meus problemas mentais para abordar algumas poucas coisas em retrospectiva, mas apenas quando for útil ao que quero falar agora. E falar sobre as coisas de hoje que precisam de ideias de 2018, já dá uma agonia. Já me dá vontade de deixar para lá.

Mas agora, em se tratando de Flamengo, vou falar várias coisas nos próximos dias e para elas ficarem redondas, vou retroceder até novembro de 2020, ou melhor, até agosto de 2020. Não vou focar no trabalho de Jorge Jesus, mas a partir da indicação do Dome para Técnico do Flamengo até sua saída e indicação do Rogério Ceni para o cargo que ocupa desde então.

Vou colocar agora, quase exatamente a mesa coisa que eu postei nos meus debates de Whats App em novembro de 2020.

De início, fui contra a contratação do Domènec Torrent (Dome). Ele era a pior escolha e foi a que fechou. Erro do Departamento de Futebol capitaneado pelo Braz e da Diretoria do Landim/BAP. O tempo demonstrou o fracasso dessa notória  falta de competência, entendimento e visão de jogo. Eu achava que pelo menos o Braz sacava da parada, mas hoje vejo que não. O time saiu de uma proposta tática encaixada de um 442  avançado e móvel para um jogo de posição de 433 no meio de uma pandemia e com um calendário alucinado. Foi a pior escolha roque a adaptação demora, e o Dome é muito inexperiente como comandante. Fritaram ele bonito quando os problemas apareceram.



Com o Dome, o Flamengo fazia muito gol e sofria muito gol. Todo os times treinados por ele foram assim (até então apenas 1). Como o Flamengo, foi praticamente o segundo time dele, ambos tem média horrorosa de mais 1 gol sofrido por partida. Então, estava muito óbvia a incapacidade do Dome de equilibrar o time defensivamente. E ele disse isso em entrevista, que preferia ganhar de 5x3 do que de 2x0. 

O esquema tático do Dome era "posicional" e não encaixou a defesa. Ele não arrumou a recomposição e assim nem defendia em linha, nem no "encaixe" e nem fazia por zona. As linhas ficavam descompactadas, os adversários conseguiam alternativas de passe e com isso desmontavam a defesa com facilidade. Não era culpa individual, era coletiva, ou melhor, do esquema.

Em contrapartida, individualmente ocorreram falhas demais. Muitas chances perdidas e erros bizonhos que nos custaram muita paz de espírito. Obvio que os zagueiros Léo Pereira e o Gustavo Henrique deitaram numa cama de jacas falhado individualmente, mas eles dois não foram os únicos (Gérson, Arão, Isla e Felipe Luiz vai não vai estiveram na merda também). Se temos zagueiros que não são bons no mano a mano e nem rápidos, eles obrigatoriamente necessitavam de cobertura e o esquema do Dome tinha... ops, não tinha nenhuma. Culpa do Dome. GH e LP tem os erros individuais, mas o esquema vai mal com eles em campo e sem eles em campo.

E agora uma dica: "Quando o zagueiro ou volante está correndo atrás do adversário com a bola dominada, o esquema defensivo já foi quebrado".

Não faltou exemplos de falhas no sistema defensivo do Flamengo na época do Dome. O comentarista Pedrinho, ex-jogador identificado com o Vasco da Gama, doutrinou no Sportv semana após semana e de quebra, mostrando que outros ex-jogadores comentaristas são muito limitados em termos de visão e análise tática.

Reconheço que o Dome foi a escolha possível, naquele cenário, mas não era a única. Poderíamos ter trazido o Miguel Angel mas ficaram com medo pela idade dele (tem 37). Os nomes desejados eram o Jardim, depois o Marco Silva (que não me agrada) e depois o Carvalhal. Dos três o Carvalhal era o menos badalado, era o meu preferido, e não veio devido a pandemia. Está certo ele. O brasileiro, mesmo com 165mil mortos (na época, já dobramos isso com folgas) estava cagando e andando pra pandemia. População, governo e o caralho, estavam pouco se fudendo, quem morrer morreu era o lema. O Carvalhal estava certíssimo em não vir se arriscar na roleta russa da pandemia, que só piora. Para surpresa de quem fantasiava que não seria igual o que todo mundo que tem informação e juízo sabia que seria, só piora ("gente burra tá em promoção"). Sobrou o Dome. O CARA ERA UMA APOSTA, que deu errado.



Diante dos resultados do Dome não havia caminho óbvio a seguir.

Manter (digo logo, era o que eu teria feito, pelo menos por mais uma semana) nos levariam a três problemas: brasileiro, copa br e liberta. Problema era não ter confiança em passar em nenhuma das copas e ficar fora do G4 do campeonato brasileiro, onde estávamos em 3º na época. Muito provavelmente iríamos nos ferrar na liberta e na copa br e teríamos muita chance de ganhar o brasileiro mesmo com o Dome. Mesmo vacilando no G4, poderíamos marcar mais gols que sofrer contra os menores. E por pontos corridos isso funciona, visto que todos os outros concorrentes oscilam. E foi exatamente o que ocorreu, mesmo demitindo. Ou seja, o cenário mais lógico com a permanência foi exatamente o que ocorreu com sua saída. Só que pagando dois técnicos.

Demitir (como foi a escolha), nos levou a dois problemas grandes: "fuder o projeto" e escolher um substituto. Eu explico.

Falando do Projeto, temos de entender que o Flamengo é POBRE no cenário mundial. Nós não temos MORAL NENHUMA fora do Brasil. Nem na América do Sul. Não temos porque ninguém confia no futebol brasileiro. A inconstância, a falta de estrutura, a falta de compromisso, a falta de pagamento e a burrice de cartolas e técnicos é notória. E é por isso que trazer um técnico como o Dome, de fora, com alguma grife herdada da moral do Guardiola, e demitir em menos de 120 dias levanta questionamentos se o Flamengo é um clube confiável. O projeto é dominar o Futebol Brasileiro. E para isso precisamos de um técnico de qualidade. E no Brasil, tirando os de fora, nenhum presta, ou pelo menos, nenhum está no nível que desejamos. Jorge Jesus PROVOU isso em 2019. Nem os comentaristas conseguiam explicar o que ele fazia taticamente e muito menos os rivais conseguiam replicar ou se defender disso. Mas eu falo do JJ outro dia (ah véi lindo!).

Então, o segundo problema é o pior dos dois, o substituto. Quem seria? Trazer alguém tampão até janeiro ou fevereiro, seria ridículo. Digno do Flamengo do Márcio Braga. Técnico que viesse ser tampão não seria bom, nem pro Brasil. Investir em técnico aqui... sinceramente, para mim é ridículo.

Melhores técnicos do Brasil na época eram o Coudet, Renato e Sampaoli. Nenhum viria. Thiago Nunes e Ceni não são de mesmo nível desses três. E o Nunes demonstrou que não estava pronto para um time grande. Ele necessitava de mais rodagem antes de assumir uma máquina quente. Ceni era o mesmo, sem falar que ele é uma estrelinha que jura de pé junto que é o sol! Antes do Flamengo ele teria que se tratar para parar de pensar que é Deus. Técnico de fora... temos pouquíssimas opções. E os livres ainda precisam querer vir, mesmo depois da demissão do Dome e da pandemia. Possibilidade mínima.

Eu me senti meio ridículo ao falar do Ceni como possibilidade na época, e isso foi no tempo que era apenas boato. Se fosse contratado e desse certo, eu admitiria meu erro. Mas ele foi contratado, e não tem dado certo na minha análise, mas muita gente jura de pé junto que tá uma belezinha. Eu achava que pegaríamos uma Ferrari F40 e colocaríamos na mão de um piloto que vai correr com ela como se fosse um Scort XR3 restaurado (ou um gol quadrado GTS). Porque o Ceni só jogava igual. As equipes dele quase não tem variação. E a desculpa da época, em que ele treinava o Fortaleza, era dizer que ele não tinha elenco e dinheiro, que isso e aquilo e aquilo outro. Para todos esses argumentos eu só tenho 1. Independiente Del Valle. Orçamento? Estrutura? Torcida? O caralho! Del Valle jogava muito sem ter nada disso. A folha salarial anual do Fortaleza era o dobro da folha do Del Valle.

Retranqueiro, limitado e sem criatividade. Jogava como time pequeno, e o FLAMENGO NUNCA SERÁ PEQUENO!

Braz ligou pra ele... e contratou. Provando que o Braz não entende de futebol, só de vestiário, bastidos e negociação.


Essa história continua, mais à frente.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Técnico x Seleção x Paradigma

Lamentei profundamente a oportunidade perdida com a saída do Mano Menezes da Seleção Brasileira e a posterior indicação do Felipão. Não lamento a saída de Mano... acho que o desempenho dele perdeu o prazo de validade a muito tempo. Lamento, diante da saída, a escolha do Luiz Felipe Escolari.

Mano foi um erro, mas foi um erro na direção certa. Buscava-se um resgate do futebol brasileiro, da nossa tradição e cultura de futebol. Mano veio para tentar reescrever as linhas de nosso traçado em campo, mas, com exceção das primeiras atuações contra equipes muito fracas, nunca conseguiu. O que se queria era o resgate do "futebol arte", da liberdade dos armadores e atacantes, da irreverência e da criatividade virtualmente mortas em nossas seleções. Olhamos tanto para o futebol de resultados que esquecê-mo-nos de como somos encantadores e brilhantes. Desde as divisões de base, formatamos jogadores como produtos de venda ao Futebol Europeu, prontos para adequar-se a um futebol que nunca soube ser brilhante.


O lamento vem do fato de que a Seleção Brasileira é Paradigmática no Futebol, como o são os grandes times campeões em toda parte. Quero dizer que a forma de jogo da Seleção vitoriosa interfere na mentalidade nacional de técnicos, torcedores e jogadores. Estamos a mais de 10 anos vivendo uma fase de privilégio tático em detrimento da técnica. Não é coincidência ocuparmos atualmente a ridícula 18ª colocação no ranking da FIFA. Querem que a criatividade resista sem cultivo. De arte cultuada, a criatividade no futebol transformou-se numa erva daninha que nasce entre uma plantação extensiva, ordenada e mecanizada. Fazer a seleção voltar as origens pode reverberar em todo o futebol brasileiro e isso seria maravilhoso.

Fiquei triste porque perdemos uma oportunidade valiosa de virar o jogo. De tentar redirecionar o barco na direção "certa" que tem muito mais a ver com nossa alma. Pois bem, tiraram o Mano, que não soube fazer o certo, e retrocederam esquecendo o rumo. Escolheram de maneira pragmática, com mais medo de dar errado que vontade de acertar. Felipão é um bom treineiro, mas não para nós. Não é o que precisamos.


Scolari é copeiro, sabe ganhar, tem pulso, é teimoso, chato, briga com a imprensa e, pior de tudo, é inflexível. E assim, monta sucessivamente, ou tenta, equipes iguais as que sempre trabalhou, desde a época de sua estréia como técnico no modesto CSA em 1982. Suas equipes são sempre iguais, numa formação tática que fixa zagueiros, volantes, prende sempre um lateral (alternado), possui um falso meia, que funciona como volante e deixa um meia centralizado, um atacante trombador fixo e outro que cai pelas laterais. As variações desse modelo são mínimas, normalmente "forçadas" pela indisponibilidade de jogadores adequados ou pela disponibilidade de um craque que encaixe na proposta. Foi assim no Grêmio em 1993, nas várias passagens pelo Oriente Médio, no Criciúma em 1991, no Palmeiras em 1997, e na Seleção em 2002. Vários trabalhos deram errado, em geral porque não aceitaram o estilo, "aqui mando eu", ou porque não conseguiu um plantel que encaixa-se na proposta. Basta lembrar a seleção Portuguesa sob sua batuta. Um esquadrão técnico, enclausurado num esquema fixo.

Acho até que ele irá bem na seleção e temos alguma chance de ir bem na seleção, mas sua indicação é um retrocesso. Voltamos a apontar para o modelo da década de 90, de retranca, ordenamento e previsibilidade e corremos o risco de perder a janela de desenvolvimento aberta pelo Barcelona e pela Espanha nos últimos anos. Luiz Felipe possui 19 títulos na carreira e não é coincidência o fato de ter conquistado apenas 2 nos últimos 10 anos. Todos os demais foram até 2002, de lá pra cá apenas o Campeonato Uzbeque e a Copa do Brasil do ano passado.

Perdemos o posto de vanguarda e agora somos meros reprodutores. Estamos mais próximos do futebol feio da Itália do que da fantasia da Seleção de 1982. Mais próximos das retrancas rápidas do Mourinho do que da beleza do toque de bola do Barcelona de Pep Guardiola. Mourinho tem 20 títulos, ganhos integralmente nos últimos 10 anos, mas sempre com um futebol feio de dar dó. Pep tem 18 títulos, todos ganhos nos últimos 4 anos e todos pelo Barcelona, todos dando show. A quem diga que é fácil fazer isso com o Barça, mas deveria ser fácil com o Real também, mas não é isso que vemos.

Detesto o Mourinho e o que ele representa. Não gosto como técnico nem como pessoa. E torci pela indicação do Guardiola. Não que ele seja perfeito, mas ele propõe um esquema de jogo vibrante, baseado no passe, na movimentação, na retenção, na marcação total e na criatividade. Muito mais ao nosso gosto, ou pelo menos ao que deveríamos "voltar" a gostar. Os únicos técnicos Brasileiros que vejo podendo fazer isso são o Murici, o Abel e o Luxemburgo. Murici perdeu o bonde. Abel tem pouco respaldo. E o Luxa não tem moral para retornar a seleção. Restava-nos Pep. Ganhamos Felipão. Agora é torcer para que dê certo e ganhemos com o futebol horroroso de sempre. E que os clubes formadores não achem que o "quente" é ser retranqueiro.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Adriano


Segundo Márvio dos Anjos, Adriano deve ser INTERNADO.
http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2012/10/03/chega-adriano-va-se-tratar/#comment-3991

Apesar de concordar com grande parte da argumentação elogiável, discordo do Internamento.

Adriano é um talento. - Confere!
Adriano pode não voltar a jogar bem. - Confere!
Adriano pode voltar a jogar muito. - Confere!
O Adriano tem problemas sérios com álcool. - Confere!
Adriano precisa de tratamento - Confere!
Adriano precisa de INTERNAMENTO - Não Confere!

Aparentemente Adriano tem problemas  de maneira intermitente. Consegue passar períodos sem perder a linha, mas quando começa, não sabe parar. Dessa forma a questão primordial que é retratada não é desintoxicação é o controle emocional frente a bebida em momentos da vida cotidiana. Portanto, NÃO É CASO DE INTERNAMENTO. No internamento há desintoxicação e aprendizado sobre o uso e desuso, mas raramente capacita a pessoa a ter mecanismos de controle afetivo para  o cotidiano, para a vida comum e se esse é o problema, ele necessita de um acompanhamento que não o afaste do seu dia a dia. Sob risco de entrar e sair de dezenas de internamentos e fraquejar nos mesmos momentos da vida.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Jogador de Futebol, Dinheiro e Preconceito

Este post é contra o preconceito travestido de criticidade acerca do negócio futebol e os ganhos dos jogadores. Já falei sobre isso antes, mas volto ao assunto.
É comum ver pessoas "conscientes", em bares, restaurantes, elevadores, salas de reunião e transportes coletivos descarregarem uma saraivada de críticas sobre o valor dos salários dos jogadores. Parte desses críticos não entende "lhufas" de futebol e outros apenas repetem o que ouviram de um professor, advogado, médico, sindico ou o que o quer o valha com um ar de "sabideza" iluminada.

Fala-se do "absurdo" fato de um jogador ganhar mais de 1 milhão para chutar uma bola; "só para chutar uma bola!". Destaca-se que o médico ganha "Y", o professor ganha "W", o policial ganha "Z" que são profissões mais "importantes" que a de jogador.

Essa é uma falácia gasta e preconceituosa.

Concordo plenamente que Médicos, Professores, Policiais e várias outras profissões devam ganhar bem. Destas destaco apenas que os médicos já ganham muito bem (e muito). A ideia de que o médico ganha mal é uma informação parcial e manipulada. Ocorre que alguns acham que ganhar 10 mil reais numa jornada inferior a 40 horas semanais é pouco. E sou plenamente de acordo com o que ganham os jogadores de futebol, aliás, acho que eles deveriam ganhar mais como categoria. Não que eu ache o salário do Ronaldinho pequeno, eu explico...

Considero que a crítica nasce do nosso preconceito comum sobre a dicotomia criada entre "trabalho manual" e "trabalho intelectual". Desde a Grécia antiga, quando Sócrates convenceu a todos que o importante na vida era a "razão", definimos que tudo o que for intelectual é valioso e tudo o que é manual é superficial e portanto, sem valor.

Dessa forma organizamos nossa sociedade acreditando que toda atividade física é de "menor valor", indigna da "elite", indigna de pessoas capazes e com formação universitária. Atividades físicas tornaram-se, na nossa cultura de origem escravista e acomodada, próprias das massas iletradas e escuras, que só poderiam contribuir com atividades simples, muitas delas que dependiam da força física, equiparadas a atividade de animais de carga em sua condição de "irracionalidade".

Claramente acredito que o incômodo com o ganho dos jogadores provém daí. Como uma pessoa ganham 1 milhão para desempenhar uma atividade física se eu, que sou professor, e trabalho com algo muito mais valioso, que é o intelecto, ganho pouco? "ABSURDO!!!?

Será?

Ser jogador de futebol no Brasil é uma profissão de risco a curto, médio e longo prazo. Começa-se cedo, por volta dos 12 anos, treina-se muito, o que acaba inviabilizando o estudo formal e a consequente falta de capacitação profissional para qualquer outra função. A profissionalização no futebol, na prática, ocorre por volta dos 16 anos, quando inicia-se uma vida de altos e baixos e de muito trabalho.

A carreira acaba cedo. Por volta dos 34 anos de idade a maioria dos jogadores está aposentada. São no máximo 20 anos de atividade profissional. quando dá certo, ótimo, quando não, a pessoa está fadada a ter uma vida de dificuldades.

O Blog da Oficina de Jornalismo da Faculdade CCAA apresenta que:
"Segundo a CBF, dos 14.876 mil atletas registrados em 2010, quase 9.000 ganham até um salário mínimo, ou seja, cerca de 60% dos jogadores vivem com menos de R$600 mensais. O ranking ainda contabiliza, aproximadamente, 9% de jogadores que recebem salários acima de R$2.500 e apenas 4% que recebem acima dos R$10 mil mensais – salário que, ainda assim, estaria longe dos que recebem as estrelas do futebol brasileiro. Estima-se que somente 1% dos jogadores brasileiros receba mais de R$100 mil por mês, dentro e fora do país."

Isso mostra que os grandes salários são para poucos jogadores.

Os melhores salários no Brasil estão nas equipes da série A e B do campeonato Brasileiro. São 40 equipes, 20 em cada divisão. Levando em conta que cada clube tem em seu elenco aproximadamente 30 jogadores, mesmo que parte deles seja oriundo do time juniores (que ganha pouco ainda), isso significa que o mercado da bola no Brasil resume-se a no máximo 1200 vagas distribuídas de forma irregular pelas regiões do país. O jogador mediano assina contratos curtos, tem seus direitos trabalhistas desrespeitados, e passam uma parte do ano desempregados.

Como se isso não bastasse o trabalhador do futebol tem de conviver com as temidas lesões. Quando se tem contrato vigente o mal é menor, quando não corre-se o risco de encerrar a carreira e ficar à mercê da caridade alheia ou do amparo familiar.

Mesmo assim é um meio de ascensão social maravilhoso. E para os virtuoses da bola, gênios como Neymar e Ronaldinho Gaúcho, é justo e merecido que recebam salários altos. Porque é justo que num negócio em que se movimentam valores na casa dos milhões a "estrela da festa"
ganhe proporcional. O orçamento anual dos grandes clubes é superior aos 60milhões de reais. Para alguns, é superior a 100milhões por ano. Isso significa que a circulação de recurso no clube é maior que 10milhões por mês. É justo que nesse patamar o clube tenha uma folha salarial do departamento de futebol por volta dos 3 milhões. Para um incomparável Neymar, é justo ganhar 1,5milhão, porque ele gera mais que isso ao clube.

Parece-me que ninguém falaria mal de um profissional intelectual que ganhasse 300mil numa empresa que ele ajuda a obter lucros acima de 3milhões de reais. O futebol é um negócio e o valor do salário dos jogadores deve ser compatível com a movimentação financeira que eles promovem. Criticar seus ganhos porque vieram de favelas, porque são negros, porque fazem um "trabalho braçal" é puro PRECONCEITO.
E o que o Neymar faz quase ninguém no planeta faz... isso tem um valor inestimável. E se toda atividade física for subvalorizada, o que faremos com a arte? A que nível legaremos os escultores e pintores? De que valerá um Rodin? Alguém supõe que ele tenha feito sua obra maravilhosa com a força da mente? Quanto valerá um Monet? Um Van Gogh? Alguns deles nunca frequentaram os bancos das escolas de belas artes... alguns não sabiam escrever e outros eram feios, escuros e sujos... o "trabalho braçal" deles não vale nada?
Repito; os jogadores como categoria devem ganhar melhor. Os grandes astros ganham o justo. E os pretensos "intelectuais críticos" que tentam desmerecer o trabalho dos jogadores são tolos preconceituosos.