sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Irã atual

Continuando (na tentativa de fechar algum assunto que inicio) as reflexões sobre o Irã e as relações com o Brasil. Lembro que, logo após a revolução Iraniana, que derrubou o governo pró-EUA os revolucionários começaram a brigar entre si. Isso é comum na história das revoluções armadas, afinal, quem abandona a possibilidade de diálogo, ou só tem essa saída, em prol da imposição de suas idéias pelas armas tem dificuldade de partilhar e ceder algum tipo de espaço.

Fato é que a revolução Iraniana tinha, a grosso modo, dois tipos de ideais habitando majoritariamente as mentes dos insurgentes (deveria ter mais, mas vamos as principais): um de implantar uma democracia ao modelo ocidental e outro para implantar uma Teocracia Islâmica.

Não preciso dizer que o grupo que desejava uma democracia laica no Irã foi derrotado nas lutas internas e praticamente erradicado. Venceram os ortodoxos religiosos, que iniciaram a implantação das medidas que transformaram o Irã no que é hoje.

Vale lembrar que se seguiu uma tenebrosa guerra com o Iraque e isso complica tudo. Em toda cultura, períodos de guerra dão muito poder aos "brutos" e "obtusos", ceifando as alternativas de diálogo.


Os vitoriosos criaram, progressivamente, uma estrutura de governo em que há um conselho revolucionário, de cunho religioso, dominado pelos Aiatolás (foto do Aiatolá Ali Khamenei), que está acima de todas as outras instâncias e que funciona até hoje. Esse conselho tem poderes quase absolutos e efetivamente atua como grande sensor de tudo o que é feito no Irã. Existem eleições gerais, mesmo acusadas de obscuras e, contraditoriamente a nossos olhos ocidentais, a participação política das mulheres avançou muito. Só para constar, no parlamento iraniano existem mais mulheres eleitas que no legislativo brasileiro.

Contudo, ao passar do tempo, me parece que o Irã foi cada vez mais encolhendo as possibilidades democráticas e de participação política que existiam. Hoje o Irã é, a meu ver, é uma ditadura teocrática.


A tolerância à diferença e a oposição ao regime representado por Ahmadinejad é cada vez menor. Ahmadinejad tem a total confiança e apoio dos religiosos que supervisionam o país e do Rahbar (líder teocrático). Podemos demonstrar isso claramente quando jogadores da seleção iraniana de futebol foram segregados das convocações por utilizarem adereços de cor verde (cor da oposição ao seu governo). Sem contar com a extensa lista de denúncias de fraude eleitoral na última reeleição do atual governo. A postura intransigente com que tem se portado em todas as questões diplomáticas, políticas e comerciais no cenário internacional demonstram o clima que tem sido alimentado no Irã.

A afirmação delirante e rotineira que nega o Holocausto Judeu na segunda guerra merece destaque em minha análise porque representa uma completa distorção da realidade por parte do governo Iraniano. Sem falar na obstinada e renitente crítica a existência do estado de Israel.

Chega ao ponto do governo afirmar que tipo de corte de cabelo é adequado para um bom cidadão e respeitador da Charia (lê-se xariá), que é a lei político-religiosa Islâmica. Duvida? Veja a foto ao lado com o quadro de cortes aceitos e reprovados.

Acho lamentável um povo que possui uma histórica tão rica passar por um momento tão obtuso.

Um comentário:

Borboletas nos Olhos disse...

Amigo é cultura, informação, diversão...melhor que a página da UOL!