sexta-feira, 1 de julho de 2016

República Brasileira.

Só dando um toque... A vida tá difícil? A sociedade é injusta? A sociedade é grave? Os direitos são frágeis? O estado é inoperante? Começou agora? Não? Pois é...

Temos 126 anos de república, apenas. Nestes 126 anos só tivemos voto universal (para todos os cidadãos) em menos de 26 anos (pobres, negros, analfabetos e mulheres foram ganhando direito a voto ao longo do tempo - ou seja, ganharam cidadania). Foram 36 presidentes. Mas apenas 12 foram eleitos pelo povo. Dos 12, apenas 5 terminaram o mandato. Golpes e golpes...


Tivemos 3 estados de exceção durante a república e estamos caminhando para o 4º. Ou seja, 3 momentos de ditadura. O período máximo em que a república no Brasil realmente foi respeitada não passa de 26 anos.

Sabem quanto tempo a esquerda governou o país nesses 126 anos?  Menos de 14 anos! How!!!

Será mesmo que o Brasil é atrasado, corrupto, "pobre" e vivemos mal por causa das ideias de esquerda? Porque a direita governa esse cabaré, que eu amo, há 112 anos e veja como é bom, como vivemos bem, como somos desenvolvidos!

E eu ainda tenho de ter tranquilidade para encarar as críticas infundadas de quem quer apenas, deixar as coisas como sempre estiveram. Ricos mais ricos e pobres mais pobres.

Essa é a direita. 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O problema é... quando os ouvidos tem paredes... ou - Os motivos do Terrorismo



07 de janeiro de 2015, Paris, França...

Os irmãos Chérif e Saïd Kouachi invadem a redação do controverso periódico Charlie Hebdo e fuzilam com fuzis de assalto 12 pessoas, dentre elas 2 policiais, ferem mais 11 pessoas, 5 delas gravfemente, que estavam nas imediações. No mesmo dia outro terrorista, Amedy Coulibali, assassina um policial em outra região da Cidade.

08 de janeiro de 2015, Paris, França... 

Amedy invade um supermercado e mata 4 pessoas.

11 de janeiro de 2015, Paris, França...

Amedy é morto pela polícia. Em seguida o vídeo de autoria associada ao Estado Islâmico é divulgado.

13 de novembro de 2015, Paris, França...

Atentados simultâneos matam 129 pessoas, até agora, além de centenas de feridos. Foram explosões no Estade de France e tiroteiros na casa de shows Bataclan, no bar Le Carollon, no restaurante Le Petit Cambodge, no bar A La Bonne Biére, no bar La Belle Equipe e na Brassserie Comptoir Voltaire. Novamente o estado Islâmico assumiu os ataques e prometem mais.

Uma miríade de representantes Islâmicos vem a público renegar esses crimes como sendo praticados por sua fé, e sim por fundamentalistas radicais que não representam o Islamismo.

Não se justifica terrorismo. Está errado e pronto.
Mas precisamos entendê-lo. Precisamos muito entendê-lo.

Esse post surge porque, ao comentar a tragédia em dois grupos distintos, com pessoas distintas, quando falei que os terroristas tinham seus motivos, todos foram imediatos em dizer que não haviam motivos que justificassem o ato. Tentei dizer que motivos não são justificativas, mas os entendimentos pareceram tão surdos que resolvi falar aqui. E eu acho que, a falta de disposição para entender a situação é, em boa parte dos casos, a raiz de todo engano.

Não vou me ater ao fato de que, somos extremamente seletivos em relação a nossa identificação. 129 pessoas na França causam uma comoção no mundo ocidental que nenhuma dezena de milhar de negros africanos trucidados causaria. Não faltam exemplos... mas esse não é o tema.


O Estado Islâmico, conhecido como ISIS ou ainda Daesh, ocupam um território entre a Síria e o Iraque. A conquista veio à força e no vácuo de poder existente no território. Implantaram um modelo político teocrático e cometem uma barbaridade atrás da outra em nome de Alah.

Agora chegamos ao ponto... aqueles motivos... Mas tudo começa numa dúvida: Porque tantas pessoas daquela mesma região, com tanta frequência, decidem explodir pessoas mundo afora, matar inocentes e professar uma crença insana e primitiva? Porque, na região onde se encontra o Oriente-médio, a Península Arábica, parte da Ásia Oriental e Central e uma parcela do norte da áfrica, tem uma proliferação abundante de pessoas que acreditam ser essa uma melhor saída para a vida e para seu povo? Eu acho que esse é meu ponto de partida. Vou apresentar o que eu penso, tão somente.


Primeiro ponto, a meu ver é que é uma região rica, ou potencialmente rica. De muitos usos e muitas culturas antigas. Para o bem e para o mal ela está localizada na "fronteira" entre a Ásia e a Europa e o problema começa aí... o que deveria ser uma benção, vira uma maldição.

O povo árabe é numeroso, mas extremamente subdividido ao longo do tempo. Tal qual seus primos Judeus, possuem uma cultura forjada no deserto, com verdades absolutas, necessidades imediatas, intolerância a dissenção, tolerante ao sofrimento e perseverante com a naturalidade com que respiramos. Os Judeus, em sua imensa diáspora, foram influenciados pelas sociedades burguesas das quais participaram, mas os árabes cultivam, em muitos aspectos, a mesma visão árida do deserto.

Islã
Eles conseguiram edificar uma das civilizações mais avançadas e prósperas de sua época com os Califados árabes, quando finalmente edificaram uma identidade cultural que configura-se até hoje. Seguidas invasões e guerras em fim em seu território tornaram seu desenvolvimento um fardo, sendo unificados e divididos e invadidos seguidas vezes. Mesmo assim, depois da ascensão do monoteísmo islâmico, ampliaram fronteiras, convertendo pela fé ou pela espada, cada vez mais povos, dominaram o norte da áfrica e a península ibérica até serem expulsos da Europa.

A lista de conflitos na região é grande. Foram dominados ou acossados por Egípcios, Macedônios, Mongóis, Romanos, por toa  toda Europa nas Cruzadas e pelos Turcos que dominaram o que chamamos de Oriente Médio desde a queda do Império Bizantino em 1453 até 1922 com a primeira guerra mundial.

Durante toda a antiguidade e idade média a região era importante por ser rota comercial do oriente para a Europa, e por isso, todos a desejavam a ponto de matar e morrer pela riqueza da região. Além do aspecto econômico, a questão religiosa com a posse dos locais sacros das maiores religiões monoteístas do planeta está sempre na mesa de debates e nos campos de batalha.

Apenas no século 20, com o fim do Império Otomano, o povo árabe começou a desejar ser uma nação unificada com um país para chamar de seu. A ideologia do Pan Arabismo e o crescimento econômico da região foi solapado pelo desenvolvimento tecnológico mundial, utilizando petróleo como força motriz de carros, aviões, fábricas, navios... O Oriente Médio flutua sobre 1/3 das reservas de petróleo de todo o planeta. Essa riqueza, transformada em interesse das grandes potências fez com que o sonho de um grande Estado  Árabe fosse jogado no lixo através de diversos pequenos estados, dependentes economicamente da Europa e EUA e recebendo constante interferência política e econômica.

Em resumo, desde o fim da primeira guerra mundial, EUA, Inglaterra e França fazem o que querem na região em maior ou menor grau.

Bush e Saddam
 A formação da Arábia Saudita, da Síria, a criação de Israel, do Irã, Iraque, Kuait, Jordânia dentre outros... todos sofriam, e sofrem, interferência externa contínua. Saddam foi financiado pelos EUA até se opor aos interesses americanos (veja a imagem de Saddam com o presidente americano). O Irã, através de uma revolução religiosa derrubou o Xá Reza Pahlavi alimentado pelos Ingleses e Americanos e ganhou uma guerra com o Iraque financiada pelos Ocidentais. E essa condição não era limitada ao Oriente Médio e nem a Ásia. Por exemplo, o Afeganistão, sob domínio Russo, foi treinado e armado pelos EUA para os derrotarem, e depois foram invadidos devido a interesses políticos e
Bush e Saudita
econômicos. A lista de ajuda monetária, treinamento e armamento para aliados da Europa e EUA que se dispunham a derrubar governos não alinhados é enorme (veja imagem de integrante da família Bin Laden, que orbita o poder Saudita com apoio americano). Coloque nessa conta todas as ditaduras sulamericanas e não fica só nisso. A guerra do Vietnã e da Korea também possuem o dedo Americano,m Chines e Russo invadindo o campo de auto-deliberação de outros países em prol de seus benefícios políticos e econômicos.

Mas voltando aos Árabes.

Esse povo alimenta o sonho de definir os destinos de sua vida a quase 100 anos e são paupérrimos (com exceção de ilhas de riqueza, como o Catar) pisando num mar de ouro. A excessiva interferência Europeia resulta no acirramento das ideias de opressão e na xenofobia. A pobreza é celeiro fiel de novos radicais dispostos a explodir bombas no próprio corpo em prol de uma realidade melhor, de um futuro melhor porque que o seu presente é uma grande droga. Vejam onde nascem as principais organizações radicias e você terá um mapa dos territórios mais miseráveis e manipulados do mundo árabe. Essa ideologia transpõe fronteiras e encontra solo fértil na segregação e no desejo de independência. Essa ideologia encontra seus elos de identificação via religião, com a mesma virulência e radicalismo professado pelo cristianismo à época da "Santa" Inquisição, com o mesmo furor eugênico do Nazismo, e com a mesma ganância com que o Império Azteca e Inca foram dizimados pelos Latinos no "descobrimento" do continente americano.


Execução em massa de prisioneiros iraquianos pelo ISIS
O atual ISIS... surge no vácuo de poder perpetrado pelas constantes interferências no território Iraquiano. Com a derrubada do Governo e invasão americana, o caos social consequente permitiu essa excrecência. Tudo indica que o ISIS foi alimentado com armas americanas, que queriam apoiá-los na derrubada de ex-aliados que tomaram atitudes independentes. Tudo indica que a principal fonte de renda do ISIS seja a venda de petróleo... que é comprado pelo Irã e pela Turquia, aliada dos EUA, e revendido no mercado internacional. É obvio que isso está errado, mas na balança ou gangorra política local o que mais interessa aos países ricos é, quem me dará mais vantagens econômicas e políticas. O ISIS posta vídeos com atrocidades a meses e meses... dezenas deles... ninguém do ocidente se dispôs realmente a intervir até muito pouco tempo. Agora que sangue francês foi derramado em solo francês, a tendência é que as relações se modifiquem.

Em relação à França, a menos de 39 anos a França ainda possuía países colonizados. Djibout foi a última colônia francesa a conseguir sua independência. A 60 anos atrás, nada menos que 21 territórios eram colonizados (ou seja, escravizados) pela França. Até o início do século passado a população Parisiense era brindada com exibições "etnográficas", onde negros eram expostos em zoológicos improvisados como atração cultural. Recentemente a França integrou, e integra, a frente que bombardeia o Oriente Médio, o Afeganistão e onde quer que os interesses comerciais franceses, ingleses e americanos apontem. Não é de se espantar que os terroristas tenham apreço por explodir a França. A própria Síria era um país com majoritária interferência francesa até a Guerra Fria.

Doutrina Monroe
Paris é linda. A população francesa não merece explodir nas mãos de fanáticos fundamentalistas em nome de uma deturpação da fé. Mas é inegável que eles tem seus motivos. Quando os países ricos começarem a respeitar a auto-designação das nações mais pobres em vez de utilizar a Doutrina Monroe (que prega uma diplomacia de voz suave mas com um grande porrete nas mãos - sem pudor de usá-lo) talvez deixaremos a rotina do terrorismo como um marco histórico de seu tempo e não na constante cobertura dos telejornais diários.


Lamento, lamento tanto.


https://www.youtube.com/watch?v=-ni6AktLw5Y

segunda-feira, 27 de julho de 2015

É como beber em pé

É como beber em pé...
Naquele bar simples, aquele com balcão alto...
É como beber sozinho em balcão alto...
Tira gosto de tripa... ou de queijo... ou de nada...
É como cachaça quente...
É como ver o domingo passar sem TV por assinatura...
É como saber... sem pensar... o que realmente importa.
O que não completa, o que sobra, o que falta...
É como ficar sozinho, e bêbado...
É como receber uma conta... onde a fatura é o que se tem...
Tudo que pagamos para esconder...
o que nos distrai da falta do que nos faz feliz...

Évio Gianni.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Abandonando o muro.

Pois é...
Eu sou decepcionado com o PT. Decepcionado porque ele avançou com muita avidez nas práticas históricas de prevaricação e corrupção nesses 12 anos de gestão, "justificado" por uma necessária estabilidade política no congresso. Apesar da acertada, e histórica, política social, discordo com o princípio de que "os fins, justificam os meios". Esse princípio sempre leva a distorções, e levou, como comprovam a maior parte da cúpula do Governo Petista condenada ou acusada corretamente por corrupção e abuso de poder. E, sendo justo no balanço geral, as duas gestões do Lula foram as melhores de nossa história. Disparado.
A gestão da Dilma não é boa, mas não é ruim. É meramente "continuísta". A economia não vai mal, mas está muito longe de ir bem, por mais que se queira defender. Os avanços necessários em infra-estrutura são tacanhos, e não existe reforma econômica, tributária ou política à vista no horizonte. O setor financeiro continua lucrando alto, a produção é tímida e a Petrobrás caminha para tornar-se uma sombra do que foi. A corrupção diminuiu, e uma vez que se viram mal alimentados, os setores reacionários da sociedade ganham força, mais pela inoperância do governo do que simplesmente por competência.
Eu preferia não ter outra gestão do PT, para que o poder fosse alternado. Isso é saudável e acaba por tornar a gestão mais laboriosa, cuidadosa e menos assenhorada do poder.
Porém, a alternativa ao PT apresentada pelo PSDB é tão ruim, tão frágil, tão questionável, tão retrógrada e vinculada a elite, que se pensa branca e superior, que votarei novamente 13, esperando ansiosamente que uma nova gestão da Dilma tenha início no alvorecer de 2015.
Voto 13.

Obs1. Postado no Face dia 21 do 10.
Obs2. Não considero uma eventual gestão do Aécio o fim do mundo. Mas que é um futuro indesejável... é.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Será que Drax entenderia esse poema?


Muito à frente, uma cegonha e dois baús brincam de quem é mais lento,
A procissão preguiçosa e angustiada arrasta-se por distâncias sem cor,
Alguém precisa avisar ao cara da caçamba verde que ele não guia um kart,
A moça velha, conservada em nicotina, tem a vida ganha,
Pois não tem pressa e, sempre gentil, cede vagas compulsivamente,
E lá vem o espaço, e com ele vêm as motos, todas educadamente em fila,
E lá se foi o espaço, então já não há motos educadas,
Há faixas, laços e piparotes, com listras pontilhadas contínuas,
Que embrulham o presente coletivo, de radares e impaciência,
Porque eu passaria o dedo no pescoço de alguém?

O tempo atrasa.

Évio Gianni

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Técnico x Seleção x Paradigma

Lamentei profundamente a oportunidade perdida com a saída do Mano Menezes da Seleção Brasileira e a posterior indicação do Felipão. Não lamento a saída de Mano... acho que o desempenho dele perdeu o prazo de validade a muito tempo. Lamento, diante da saída, a escolha do Luiz Felipe Escolari.

Mano foi um erro, mas foi um erro na direção certa. Buscava-se um resgate do futebol brasileiro, da nossa tradição e cultura de futebol. Mano veio para tentar reescrever as linhas de nosso traçado em campo, mas, com exceção das primeiras atuações contra equipes muito fracas, nunca conseguiu. O que se queria era o resgate do "futebol arte", da liberdade dos armadores e atacantes, da irreverência e da criatividade virtualmente mortas em nossas seleções. Olhamos tanto para o futebol de resultados que esquecê-mo-nos de como somos encantadores e brilhantes. Desde as divisões de base, formatamos jogadores como produtos de venda ao Futebol Europeu, prontos para adequar-se a um futebol que nunca soube ser brilhante.


O lamento vem do fato de que a Seleção Brasileira é Paradigmática no Futebol, como o são os grandes times campeões em toda parte. Quero dizer que a forma de jogo da Seleção vitoriosa interfere na mentalidade nacional de técnicos, torcedores e jogadores. Estamos a mais de 10 anos vivendo uma fase de privilégio tático em detrimento da técnica. Não é coincidência ocuparmos atualmente a ridícula 18ª colocação no ranking da FIFA. Querem que a criatividade resista sem cultivo. De arte cultuada, a criatividade no futebol transformou-se numa erva daninha que nasce entre uma plantação extensiva, ordenada e mecanizada. Fazer a seleção voltar as origens pode reverberar em todo o futebol brasileiro e isso seria maravilhoso.

Fiquei triste porque perdemos uma oportunidade valiosa de virar o jogo. De tentar redirecionar o barco na direção "certa" que tem muito mais a ver com nossa alma. Pois bem, tiraram o Mano, que não soube fazer o certo, e retrocederam esquecendo o rumo. Escolheram de maneira pragmática, com mais medo de dar errado que vontade de acertar. Felipão é um bom treineiro, mas não para nós. Não é o que precisamos.


Scolari é copeiro, sabe ganhar, tem pulso, é teimoso, chato, briga com a imprensa e, pior de tudo, é inflexível. E assim, monta sucessivamente, ou tenta, equipes iguais as que sempre trabalhou, desde a época de sua estréia como técnico no modesto CSA em 1982. Suas equipes são sempre iguais, numa formação tática que fixa zagueiros, volantes, prende sempre um lateral (alternado), possui um falso meia, que funciona como volante e deixa um meia centralizado, um atacante trombador fixo e outro que cai pelas laterais. As variações desse modelo são mínimas, normalmente "forçadas" pela indisponibilidade de jogadores adequados ou pela disponibilidade de um craque que encaixe na proposta. Foi assim no Grêmio em 1993, nas várias passagens pelo Oriente Médio, no Criciúma em 1991, no Palmeiras em 1997, e na Seleção em 2002. Vários trabalhos deram errado, em geral porque não aceitaram o estilo, "aqui mando eu", ou porque não conseguiu um plantel que encaixa-se na proposta. Basta lembrar a seleção Portuguesa sob sua batuta. Um esquadrão técnico, enclausurado num esquema fixo.

Acho até que ele irá bem na seleção e temos alguma chance de ir bem na seleção, mas sua indicação é um retrocesso. Voltamos a apontar para o modelo da década de 90, de retranca, ordenamento e previsibilidade e corremos o risco de perder a janela de desenvolvimento aberta pelo Barcelona e pela Espanha nos últimos anos. Luiz Felipe possui 19 títulos na carreira e não é coincidência o fato de ter conquistado apenas 2 nos últimos 10 anos. Todos os demais foram até 2002, de lá pra cá apenas o Campeonato Uzbeque e a Copa do Brasil do ano passado.

Perdemos o posto de vanguarda e agora somos meros reprodutores. Estamos mais próximos do futebol feio da Itália do que da fantasia da Seleção de 1982. Mais próximos das retrancas rápidas do Mourinho do que da beleza do toque de bola do Barcelona de Pep Guardiola. Mourinho tem 20 títulos, ganhos integralmente nos últimos 10 anos, mas sempre com um futebol feio de dar dó. Pep tem 18 títulos, todos ganhos nos últimos 4 anos e todos pelo Barcelona, todos dando show. A quem diga que é fácil fazer isso com o Barça, mas deveria ser fácil com o Real também, mas não é isso que vemos.

Detesto o Mourinho e o que ele representa. Não gosto como técnico nem como pessoa. E torci pela indicação do Guardiola. Não que ele seja perfeito, mas ele propõe um esquema de jogo vibrante, baseado no passe, na movimentação, na retenção, na marcação total e na criatividade. Muito mais ao nosso gosto, ou pelo menos ao que deveríamos "voltar" a gostar. Os únicos técnicos Brasileiros que vejo podendo fazer isso são o Murici, o Abel e o Luxemburgo. Murici perdeu o bonde. Abel tem pouco respaldo. E o Luxa não tem moral para retornar a seleção. Restava-nos Pep. Ganhamos Felipão. Agora é torcer para que dê certo e ganhemos com o futebol horroroso de sempre. E que os clubes formadores não achem que o "quente" é ser retranqueiro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Rangers, Ordem dos Arqueiros

É literatura infantil ou pré-adolescente. Destinado a leitores entre 10 e 14 anos. Mas é igualmente palatável para jovens um pouco mais velhos e com boa vontade de entender que algumas situações são mais amenas e ingênuas porque não foi escrita para adultos. Gostei.

Estou lendo o livro 5 de uma série de 10 livros até aqui (não sei se tem limite de volumes). Já se foram os livros 1, 2, 3 e 4 rapidamente. Não são volumes longos e podem ser lidos sem problema em quase todos os lugares. Foi escrito por John Flanagan, pelo que parece, para seu filho, como um forma de valorizar qualidades que não fossem força física e tamanho em heróis.


Tenho vontade de recomendar com ressalvas técnicas. A obra é boa e vale todas as milhares de cópias vendidas pelo mundo, mas a edição em português possui grandes problemas.

Apesar da bonita impressão e das capas interessantes a Editora Fundamento, que é a responsável pela edição brasileira, deixou-me profundamente decepcionado. A editora fez um trabalho de amador na tradução das obras. Falta um revisor técnico e um revisor de português. Até o quinto livro é constante deparar-se com erros de português terríveis. Os principais são sempre no mesmo ritmo: "levar ela" em vez de levá-la, "chamar ela" em vez de chamá-la, "carregar ele" em vez de carregá-lo, "encontrar ele" em vez de encontrá-lo e assim por diante de maneira renitente e insistente. E quando pensamos que são obras destinadas a jovens que estão ainda aprendendo a ler a coisa fica mais feia ainda. Os leitores da série ainda não sabem, em grande parte, identificar os erros contidos na obra e correm o risco de reproduzi-los. Em alguns raros momentos encontramos uma construção correta mas são tantos erros que não dá para atenuar a coisa.


A editora, aparentemente, economiza revisor e deixa todo a cargo do tradutor, que pode saber bem o inglês, mas escreve mal em português. Esse erro citado é comum em traduções literais pois a construção da expressão em inglês estaria correta. Tentei falar com a editora por e-mail, mas não consegui decifrar em seu site um endereço eletrônico ou forma de fazê-lo. Tem um telefone, mas não vou ligar para outro estado por isso.

Mas não é apenas o português que compromete a obra, ou melhor, a edição brasileira. Outro problema clássico de tradução é a utilização em vários momentos do conceito errado de "sub-consciente". Esse conceito psicológico não existe em português. O correto é Inconsciente. "sub-consciente" é uma tradução literal do inglês e remete a uma concepção de estrutura hierárquica rejeitada pela Psicanálise. Existe outros detalhes como a utilização do termo "estilingue" para designar uma "funda", que apesar de ser um sinônimo, não é preciso porque "estilingue" define outros tipos de armas artesanais diferentes da funda, perdendo uma excelente oportunidade de informar os jovens e qualificar sua linguagem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Black Friday - Brasil

Resumo tudo o que tenho a dizer numa única palavra/expressão: "MÓMINTIRA"!

A Black Fridey no Brasil não passou de uma espantosa afronta ao consumidor. Várias lojas virtuais e vários estabelecimentos físicos elevaram os preços dos produtos para dar "descontos incríveis" e vender pelo mesmo preço de antes. Ou seja, produto X é vendido na quinta feira por R$ 1000,00. Na sexta feira o mesmo produto aparece com o preço de R$ 1.600,00 e com um estupendo desconto de 40%, sendo vendido no valor à vista por R$ 960,00. Quase o mesmo preço da quinta feira. é palhaçada.


Quem não acompanhou os preços dos produtos antes foi ludibriado, supondo que estava fazendo um "grande negócio".

Para ser justo, havia uma quantidade mínima de produtos com bons descontos rais, mas justamente esses produtos sofreram de sérios problemas de conexão. "Bad request" foi o que mais se viu... as compras raramente puderam ser efetuadas e acabaram por promover as ofertas maquiadas.


Uma vergonha.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Adaptações... DETESTO!!!

É isso mesmo, detesto adaptações! Tenho resistência a elas com toda a força do meu ser.

Tomemos por exemplo o Game Of Thrones, adaptação da HBO para as fantásticas Crônicas de Gelo e Fogo. Uma lástima. Vi a primeira temporada de uma vez e foi o suficiente para afirmar que... não gosto, não vejo e não recomendo, mesmo que seja outorgada pelo autor.


O principal pecado das adaptações para mim é... mudar o original. Sempre alguém, que tem muito menos genialidade e talento que o escritor, decide cortar, estender, distorcer, refazer, esconder ou remendar aspectos da obra para cumprir a meta de "encaixar" a arte num modelo, padrão ou formato. Não é uma tradução, é uma transformação que na maioria das vezes resulta numa caricatura grotesca.

Recentemente a Rede Globo exibiu uma adaptação de Gabriela, do fabuloso Jorge Amado. Para variar, abominei a lógica da adaptação. Gente que morre no 2ª capítulo do livro ficou viva até a metade da "novela" para valorizar as cenas de amor e porque o público gostou. Pegaram literatura de qualidade e transformaram  em entretenimento orientado por pesquisa de opinião do público.


Um excelente professor de Interpretação de Texto, que adora as adaptações orientou-me a considerar a adaptação como uma nova obra, diferente da original. Afirmou que eu não poderia assistir Gabriela pensando no livro. É uma outra obra. Mas eu digo que, se for para ser uma obra nova, ela não deve ter o mesmo nome, os mesmos personagens, as mesmas locações e os mesmos dramas escritos, organizados e retratados de maneira diferente ao que o autor propôs. É uma outra obra? Então não chame de Gabriela, Cravo e Canela, chame de Iolanda, Figo e Lombinho ou como queira. E não a coloque em Ilhéus, coloque a obra em Joinville ou Palmas.

Exemplos de adaptações ruins (ou anomalias) frente ao original são fartos. O filme do Demolidor (com Ben Aflleck), do Juiz Dreed (com Stallonne), vários e vários Batmans e a série Smallville são apenas exemplos de uma lista enorme. Alguns deles, se não vivessem ou nascessem como referência a outra obra poderiam ser tidos como bons, mas transformar a obra original... é um pecado.

Porém eu gosto de traduções... Adorei fervorosamente a Trilogia do Senhor dos Anéis, de autoria de J. R. R. Tolkien, filmado pela Warner com o diretor Peter Jackson. Ele fez alterações mínimas no enredo e mesmo nos detalhes que omitiu ou modificou, foram na linha exata da obra.

Outra tradução que destaco, também da Warner, é o filme 300, filmado por Zack Snyder. A obra original é um HQ do Frank Miller que alcançou rapidamente o status de clássico. Zack Snyder fez um trabalho primoroso em levar o sotaque dos quadrinhos para as telas. Perfeito.

No 300 Miller não é fiel a história e inseriu no texto muitas coisas inverossímeis e fantasiosas, mas a obra é dele e ele poderia inserir o que quisesse. Entendo que o mesmo raciocínio pode ser aplicado ao filme, porque o filme é do  Zack Snyder e por isso ele poderia fazer como quisesse. Eu digo que não! Não é a mesma coisa. O filme existe por causa do original e por isso deve respeitá-lo.

Em suma, quer fazer diferente do original? Faça outro.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Crônicas de Gelo e Fogo

Também conhecida genericamente como a Guerra dos Tronos.

Li a Guerra dos Tronos (vol.1) ano passado por indicação e curiosidade. Já nos primeiros capítulos só tinha um adjetivo em minha mente. Perfeito.

Li A Fúria dos Reis (vol.2), A tormenta das Espadas (vol.3), O Festim dos Corvos (vol.4) e terminei A Dança dos Dragões (vol.5) a um tempo atrás. Continuo achando perfeito, mas agora sou um turbilhão de emoções em relação a obra.

Primeiro, nutro um rancor e uma raiva grande do autor... Ele é incapaz de fazer uma história reta! rsrsrsrs Quanto mais complicado melhor... Quando pensamos que a coisa não pode ficar mais complicada ele consegue deixar ainda pior e mais e além.

E o pior de tudo, ele não se cansa de atrapalhar a vida dos personagens que gosto. Tragédia pouca é tolice, bom é a que destrói tudo. A vantagem é que ele ferra todos em proporções generosas e relativamente equitativas.

Segundo, fico ansioso dele morrer... Falta muito ainda. Espero ansiosamente pelo Volume 6.

Os 5 volumes já lançados no Brasil.
A estória é fantástica, que envolve magia, política, costumes medievais, guerras, amores, maldades e honra. Semelhante a vida comum, sem dragões, mortos vivos e seres malignos. Resumindo tudo, mas sem contar nada, tudo gira em torno das lutas que definirão quem ocupará o Trono Westerosi (porque eu detesto "spoiler" e resumos que contam o livro, assim como detesto "trailer" que conta todo o filme).

O surpreendente é que representa uma colcha de retalhos assombrosa com uma miríade de personagens e locações. As tramas se passam em Westeros, que outrora foi formada por 7 reinos que foram conquistados e unificados pela família Targaryen centenas de anos antes.

Além da ilha de Westeros temos as 7 Cidades Livres, a Muralha, o Mar Dothraki, a Bahia dos Escravos, as Ilhas Verão, as Terras pra lá da Muralha etc, trazendo as cidades de Pentos, Myr, Norvos, Bravos, Lys e Volantis, Nova Gris, Yunkai¨, Astapor, Meereen e Quart para enlouquecer todos os leitores num universo sofisticado.

Mapa das Crônicas de Gelo e Fogo

Mas não é só a diversidade de lugares mas a quantidade de personagens que encanta, inebria e confunde pois temos as famílias Stark, Arryn, Baratheon, Frey, Martell, Tully, Tyrell, Greyjoy, Bolton, Redwine, além da já citada Thargaryen e cada uma delas tem vários personagens que tem seus passos, interesses e ações retratados e retorcidos uns sobre os outros num grande enredo. A tudo isso some as estória e personagens do povo selvagem, dos mercenários das Companhias Livres do outro lado do mar estreito e das Cidades Livres. Regue tudo com magia e seres fantásticos, salpique amores e dores, adoce com muitas porções de surpresa, felicidade e desencanto refogado no desapego que teremos uma imagem mal acabada e distante da obra.
George R. R. Martin


Definitivamente, PERFEITA.

#naomorraagorageorgerrmartin
Termine antes rsrsrsrs (humor negro)