segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Abandonando o muro.

Pois é...
Eu sou decepcionado com o PT. Decepcionado porque ele avançou com muita avidez nas práticas históricas de prevaricação e corrupção nesses 12 anos de gestão, "justificado" por uma necessária estabilidade política no congresso. Apesar da acertada, e histórica, política social, discordo com o princípio de que "os fins, justificam os meios". Esse princípio sempre leva a distorções, e levou, como comprovam a maior parte da cúpula do Governo Petista condenada ou acusada corretamente por corrupção e abuso de poder. E, sendo justo no balanço geral, as duas gestões do Lula foram as melhores de nossa história. Disparado.
A gestão da Dilma não é boa, mas não é ruim. É meramente "continuísta". A economia não vai mal, mas está muito longe de ir bem, por mais que se queira defender. Os avanços necessários em infra-estrutura são tacanhos, e não existe reforma econômica, tributária ou política à vista no horizonte. O setor financeiro continua lucrando alto, a produção é tímida e a Petrobrás caminha para tornar-se uma sombra do que foi. A corrupção diminuiu, e uma vez que se viram mal alimentados, os setores reacionários da sociedade ganham força, mais pela inoperância do governo do que simplesmente por competência.
Eu preferia não ter outra gestão do PT, para que o poder fosse alternado. Isso é saudável e acaba por tornar a gestão mais laboriosa, cuidadosa e menos assenhorada do poder.
Porém, a alternativa ao PT apresentada pelo PSDB é tão ruim, tão frágil, tão questionável, tão retrógrada e vinculada a elite, que se pensa branca e superior, que votarei novamente 13, esperando ansiosamente que uma nova gestão da Dilma tenha início no alvorecer de 2015.
Voto 13.

Obs1. Postado no Face dia 21 do 10.
Obs2. Não considero uma eventual gestão do Aécio o fim do mundo. Mas que é um futuro indesejável... é.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Será que Drax entenderia esse poema?


Muito à frente, uma cegonha e dois baús brincam de quem é mais lento,
A procissão preguiçosa e angustiada arrasta-se por distâncias sem cor,
Alguém precisa avisar ao cara da caçamba verde que ele não guia um kart,
A moça velha, conservada em nicotina, tem a vida ganha,
Pois não tem pressa e, sempre gentil, cede vagas compulsivamente,
E lá vem o espaço, e com ele vêm as motos, todas educadamente em fila,
E lá se foi o espaço, então já não há motos educadas,
Há faixas, laços e piparotes, com listras pontilhadas contínuas,
Que embrulham o presente coletivo, de radares e impaciência,
Porque eu passaria o dedo no pescoço de alguém?

O tempo atrasa.

Évio Gianni

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Técnico x Seleção x Paradigma

Lamentei profundamente a oportunidade perdida com a saída do Mano Menezes da Seleção Brasileira e a posterior indicação do Felipão. Não lamento a saída de Mano... acho que o desempenho dele perdeu o prazo de validade a muito tempo. Lamento, diante da saída, a escolha do Luiz Felipe Escolari.

Mano foi um erro, mas foi um erro na direção certa. Buscava-se um resgate do futebol brasileiro, da nossa tradição e cultura de futebol. Mano veio para tentar reescrever as linhas de nosso traçado em campo, mas, com exceção das primeiras atuações contra equipes muito fracas, nunca conseguiu. O que se queria era o resgate do "futebol arte", da liberdade dos armadores e atacantes, da irreverência e da criatividade virtualmente mortas em nossas seleções. Olhamos tanto para o futebol de resultados que esquecê-mo-nos de como somos encantadores e brilhantes. Desde as divisões de base, formatamos jogadores como produtos de venda ao Futebol Europeu, prontos para adequar-se a um futebol que nunca soube ser brilhante.


O lamento vem do fato de que a Seleção Brasileira é Paradigmática no Futebol, como o são os grandes times campeões em toda parte. Quero dizer que a forma de jogo da Seleção vitoriosa interfere na mentalidade nacional de técnicos, torcedores e jogadores. Estamos a mais de 10 anos vivendo uma fase de privilégio tático em detrimento da técnica. Não é coincidência ocuparmos atualmente a ridícula 18ª colocação no ranking da FIFA. Querem que a criatividade resista sem cultivo. De arte cultuada, a criatividade no futebol transformou-se numa erva daninha que nasce entre uma plantação extensiva, ordenada e mecanizada. Fazer a seleção voltar as origens pode reverberar em todo o futebol brasileiro e isso seria maravilhoso.

Fiquei triste porque perdemos uma oportunidade valiosa de virar o jogo. De tentar redirecionar o barco na direção "certa" que tem muito mais a ver com nossa alma. Pois bem, tiraram o Mano, que não soube fazer o certo, e retrocederam esquecendo o rumo. Escolheram de maneira pragmática, com mais medo de dar errado que vontade de acertar. Felipão é um bom treineiro, mas não para nós. Não é o que precisamos.


Scolari é copeiro, sabe ganhar, tem pulso, é teimoso, chato, briga com a imprensa e, pior de tudo, é inflexível. E assim, monta sucessivamente, ou tenta, equipes iguais as que sempre trabalhou, desde a época de sua estréia como técnico no modesto CSA em 1982. Suas equipes são sempre iguais, numa formação tática que fixa zagueiros, volantes, prende sempre um lateral (alternado), possui um falso meia, que funciona como volante e deixa um meia centralizado, um atacante trombador fixo e outro que cai pelas laterais. As variações desse modelo são mínimas, normalmente "forçadas" pela indisponibilidade de jogadores adequados ou pela disponibilidade de um craque que encaixe na proposta. Foi assim no Grêmio em 1993, nas várias passagens pelo Oriente Médio, no Criciúma em 1991, no Palmeiras em 1997, e na Seleção em 2002. Vários trabalhos deram errado, em geral porque não aceitaram o estilo, "aqui mando eu", ou porque não conseguiu um plantel que encaixa-se na proposta. Basta lembrar a seleção Portuguesa sob sua batuta. Um esquadrão técnico, enclausurado num esquema fixo.

Acho até que ele irá bem na seleção e temos alguma chance de ir bem na seleção, mas sua indicação é um retrocesso. Voltamos a apontar para o modelo da década de 90, de retranca, ordenamento e previsibilidade e corremos o risco de perder a janela de desenvolvimento aberta pelo Barcelona e pela Espanha nos últimos anos. Luiz Felipe possui 19 títulos na carreira e não é coincidência o fato de ter conquistado apenas 2 nos últimos 10 anos. Todos os demais foram até 2002, de lá pra cá apenas o Campeonato Uzbeque e a Copa do Brasil do ano passado.

Perdemos o posto de vanguarda e agora somos meros reprodutores. Estamos mais próximos do futebol feio da Itália do que da fantasia da Seleção de 1982. Mais próximos das retrancas rápidas do Mourinho do que da beleza do toque de bola do Barcelona de Pep Guardiola. Mourinho tem 20 títulos, ganhos integralmente nos últimos 10 anos, mas sempre com um futebol feio de dar dó. Pep tem 18 títulos, todos ganhos nos últimos 4 anos e todos pelo Barcelona, todos dando show. A quem diga que é fácil fazer isso com o Barça, mas deveria ser fácil com o Real também, mas não é isso que vemos.

Detesto o Mourinho e o que ele representa. Não gosto como técnico nem como pessoa. E torci pela indicação do Guardiola. Não que ele seja perfeito, mas ele propõe um esquema de jogo vibrante, baseado no passe, na movimentação, na retenção, na marcação total e na criatividade. Muito mais ao nosso gosto, ou pelo menos ao que deveríamos "voltar" a gostar. Os únicos técnicos Brasileiros que vejo podendo fazer isso são o Murici, o Abel e o Luxemburgo. Murici perdeu o bonde. Abel tem pouco respaldo. E o Luxa não tem moral para retornar a seleção. Restava-nos Pep. Ganhamos Felipão. Agora é torcer para que dê certo e ganhemos com o futebol horroroso de sempre. E que os clubes formadores não achem que o "quente" é ser retranqueiro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Rangers, Ordem dos Arqueiros

É literatura infantil ou pré-adolescente. Destinado a leitores entre 10 e 14 anos. Mas é igualmente palatável para jovens um pouco mais velhos e com boa vontade de entender que algumas situações são mais amenas e ingênuas porque não foi escrita para adultos. Gostei.

Estou lendo o livro 5 de uma série de 10 livros até aqui (não sei se tem limite de volumes). Já se foram os livros 1, 2, 3 e 4 rapidamente. Não são volumes longos e podem ser lidos sem problema em quase todos os lugares. Foi escrito por John Flanagan, pelo que parece, para seu filho, como um forma de valorizar qualidades que não fossem força física e tamanho em heróis.


Tenho vontade de recomendar com ressalvas técnicas. A obra é boa e vale todas as milhares de cópias vendidas pelo mundo, mas a edição em português possui grandes problemas.

Apesar da bonita impressão e das capas interessantes a Editora Fundamento, que é a responsável pela edição brasileira, deixou-me profundamente decepcionado. A editora fez um trabalho de amador na tradução das obras. Falta um revisor técnico e um revisor de português. Até o quinto livro é constante deparar-se com erros de português terríveis. Os principais são sempre no mesmo ritmo: "levar ela" em vez de levá-la, "chamar ela" em vez de chamá-la, "carregar ele" em vez de carregá-lo, "encontrar ele" em vez de encontrá-lo e assim por diante de maneira renitente e insistente. E quando pensamos que são obras destinadas a jovens que estão ainda aprendendo a ler a coisa fica mais feia ainda. Os leitores da série ainda não sabem, em grande parte, identificar os erros contidos na obra e correm o risco de reproduzi-los. Em alguns raros momentos encontramos uma construção correta mas são tantos erros que não dá para atenuar a coisa.


A editora, aparentemente, economiza revisor e deixa todo a cargo do tradutor, que pode saber bem o inglês, mas escreve mal em português. Esse erro citado é comum em traduções literais pois a construção da expressão em inglês estaria correta. Tentei falar com a editora por e-mail, mas não consegui decifrar em seu site um endereço eletrônico ou forma de fazê-lo. Tem um telefone, mas não vou ligar para outro estado por isso.

Mas não é apenas o português que compromete a obra, ou melhor, a edição brasileira. Outro problema clássico de tradução é a utilização em vários momentos do conceito errado de "sub-consciente". Esse conceito psicológico não existe em português. O correto é Inconsciente. "sub-consciente" é uma tradução literal do inglês e remete a uma concepção de estrutura hierárquica rejeitada pela Psicanálise. Existe outros detalhes como a utilização do termo "estilingue" para designar uma "funda", que apesar de ser um sinônimo, não é preciso porque "estilingue" define outros tipos de armas artesanais diferentes da funda, perdendo uma excelente oportunidade de informar os jovens e qualificar sua linguagem.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Black Friday - Brasil

Resumo tudo o que tenho a dizer numa única palavra/expressão: "MÓMINTIRA"!

A Black Fridey no Brasil não passou de uma espantosa afronta ao consumidor. Várias lojas virtuais e vários estabelecimentos físicos elevaram os preços dos produtos para dar "descontos incríveis" e vender pelo mesmo preço de antes. Ou seja, produto X é vendido na quinta feira por R$ 1000,00. Na sexta feira o mesmo produto aparece com o preço de R$ 1.600,00 e com um estupendo desconto de 40%, sendo vendido no valor à vista por R$ 960,00. Quase o mesmo preço da quinta feira. é palhaçada.


Quem não acompanhou os preços dos produtos antes foi ludibriado, supondo que estava fazendo um "grande negócio".

Para ser justo, havia uma quantidade mínima de produtos com bons descontos rais, mas justamente esses produtos sofreram de sérios problemas de conexão. "Bad request" foi o que mais se viu... as compras raramente puderam ser efetuadas e acabaram por promover as ofertas maquiadas.


Uma vergonha.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Adaptações... DETESTO!!!

É isso mesmo, detesto adaptações! Tenho resistência a elas com toda a força do meu ser.

Tomemos por exemplo o Game Of Thrones, adaptação da HBO para as fantásticas Crônicas de Gelo e Fogo. Uma lástima. Vi a primeira temporada de uma vez e foi o suficiente para afirmar que... não gosto, não vejo e não recomendo, mesmo que seja outorgada pelo autor.


O principal pecado das adaptações para mim é... mudar o original. Sempre alguém, que tem muito menos genialidade e talento que o escritor, decide cortar, estender, distorcer, refazer, esconder ou remendar aspectos da obra para cumprir a meta de "encaixar" a arte num modelo, padrão ou formato. Não é uma tradução, é uma transformação que na maioria das vezes resulta numa caricatura grotesca.

Recentemente a Rede Globo exibiu uma adaptação de Gabriela, do fabuloso Jorge Amado. Para variar, abominei a lógica da adaptação. Gente que morre no 2ª capítulo do livro ficou viva até a metade da "novela" para valorizar as cenas de amor e porque o público gostou. Pegaram literatura de qualidade e transformaram  em entretenimento orientado por pesquisa de opinião do público.


Um excelente professor de Interpretação de Texto, que adora as adaptações orientou-me a considerar a adaptação como uma nova obra, diferente da original. Afirmou que eu não poderia assistir Gabriela pensando no livro. É uma outra obra. Mas eu digo que, se for para ser uma obra nova, ela não deve ter o mesmo nome, os mesmos personagens, as mesmas locações e os mesmos dramas escritos, organizados e retratados de maneira diferente ao que o autor propôs. É uma outra obra? Então não chame de Gabriela, Cravo e Canela, chame de Iolanda, Figo e Lombinho ou como queira. E não a coloque em Ilhéus, coloque a obra em Joinville ou Palmas.

Exemplos de adaptações ruins (ou anomalias) frente ao original são fartos. O filme do Demolidor (com Ben Aflleck), do Juiz Dreed (com Stallonne), vários e vários Batmans e a série Smallville são apenas exemplos de uma lista enorme. Alguns deles, se não vivessem ou nascessem como referência a outra obra poderiam ser tidos como bons, mas transformar a obra original... é um pecado.

Porém eu gosto de traduções... Adorei fervorosamente a Trilogia do Senhor dos Anéis, de autoria de J. R. R. Tolkien, filmado pela Warner com o diretor Peter Jackson. Ele fez alterações mínimas no enredo e mesmo nos detalhes que omitiu ou modificou, foram na linha exata da obra.

Outra tradução que destaco, também da Warner, é o filme 300, filmado por Zack Snyder. A obra original é um HQ do Frank Miller que alcançou rapidamente o status de clássico. Zack Snyder fez um trabalho primoroso em levar o sotaque dos quadrinhos para as telas. Perfeito.

No 300 Miller não é fiel a história e inseriu no texto muitas coisas inverossímeis e fantasiosas, mas a obra é dele e ele poderia inserir o que quisesse. Entendo que o mesmo raciocínio pode ser aplicado ao filme, porque o filme é do  Zack Snyder e por isso ele poderia fazer como quisesse. Eu digo que não! Não é a mesma coisa. O filme existe por causa do original e por isso deve respeitá-lo.

Em suma, quer fazer diferente do original? Faça outro.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Crônicas de Gelo e Fogo

Também conhecida genericamente como a Guerra dos Tronos.

Li a Guerra dos Tronos (vol.1) ano passado por indicação e curiosidade. Já nos primeiros capítulos só tinha um adjetivo em minha mente. Perfeito.

Li A Fúria dos Reis (vol.2), A tormenta das Espadas (vol.3), O Festim dos Corvos (vol.4) e terminei A Dança dos Dragões (vol.5) a um tempo atrás. Continuo achando perfeito, mas agora sou um turbilhão de emoções em relação a obra.

Primeiro, nutro um rancor e uma raiva grande do autor... Ele é incapaz de fazer uma história reta! rsrsrsrs Quanto mais complicado melhor... Quando pensamos que a coisa não pode ficar mais complicada ele consegue deixar ainda pior e mais e além.

E o pior de tudo, ele não se cansa de atrapalhar a vida dos personagens que gosto. Tragédia pouca é tolice, bom é a que destrói tudo. A vantagem é que ele ferra todos em proporções generosas e relativamente equitativas.

Segundo, fico ansioso dele morrer... Falta muito ainda. Espero ansiosamente pelo Volume 6.

Os 5 volumes já lançados no Brasil.
A estória é fantástica, que envolve magia, política, costumes medievais, guerras, amores, maldades e honra. Semelhante a vida comum, sem dragões, mortos vivos e seres malignos. Resumindo tudo, mas sem contar nada, tudo gira em torno das lutas que definirão quem ocupará o Trono Westerosi (porque eu detesto "spoiler" e resumos que contam o livro, assim como detesto "trailer" que conta todo o filme).

O surpreendente é que representa uma colcha de retalhos assombrosa com uma miríade de personagens e locações. As tramas se passam em Westeros, que outrora foi formada por 7 reinos que foram conquistados e unificados pela família Targaryen centenas de anos antes.

Além da ilha de Westeros temos as 7 Cidades Livres, a Muralha, o Mar Dothraki, a Bahia dos Escravos, as Ilhas Verão, as Terras pra lá da Muralha etc, trazendo as cidades de Pentos, Myr, Norvos, Bravos, Lys e Volantis, Nova Gris, Yunkai¨, Astapor, Meereen e Quart para enlouquecer todos os leitores num universo sofisticado.

Mapa das Crônicas de Gelo e Fogo

Mas não é só a diversidade de lugares mas a quantidade de personagens que encanta, inebria e confunde pois temos as famílias Stark, Arryn, Baratheon, Frey, Martell, Tully, Tyrell, Greyjoy, Bolton, Redwine, além da já citada Thargaryen e cada uma delas tem vários personagens que tem seus passos, interesses e ações retratados e retorcidos uns sobre os outros num grande enredo. A tudo isso some as estória e personagens do povo selvagem, dos mercenários das Companhias Livres do outro lado do mar estreito e das Cidades Livres. Regue tudo com magia e seres fantásticos, salpique amores e dores, adoce com muitas porções de surpresa, felicidade e desencanto refogado no desapego que teremos uma imagem mal acabada e distante da obra.
George R. R. Martin


Definitivamente, PERFEITA.

#naomorraagorageorgerrmartin
Termine antes rsrsrsrs (humor negro)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ultimate Fighting Championship - UFC


O Ultimate Fighting Championship, ou UFC como chamamos, é uma organização que promove lutas de MMA (Mixed Martial Arts, ou Artes Marciais Mistas). Não existe apenas essa empresa, mas é a de maior renome e visibilidade do mundo.

O UFC começou em 1993, por iniciativa da família Gracie (brasileira) nos EUA. E depois de algumas edições de sucesso e várias dificuldades acabaram vendendo o negócio para a Zuffa Entertainment, que conseguiu elevá-lo ao que é hoje.

Assisti aos primeiros em VHS, na época antes da internet e da falta de fronteiras virtuais no mundo. Adorei. Mas arrefeci nos anos seguintes, achava legal, mas não a ponto de fazer esforço para acompanhar. Mesmo o finado PRIDE, que era fantástico, não mobilizava minha atenção para tanto. A quase dois anos voltei a ser fã. Agora assisto a todos e curto bastante. Essa mudança deve-se em parte pelo sucesso dos lutadores brasileiros no UFC e pela facilidade em acompanhar que temos hoje, graças as transmissões por paper-view.

O UFC começou sem regras, mas foi domesticado. Para alguns a ponto de perder a graça e para outros muito menos do que deveria. É violento, sim. Mas é menos violento do que alardeiam. O Boxe, por exemplo, causa mais dano sério que o MMA porque a luva amortece o impacto na pele mas o transfere para o cérebro em vibração. Assim o lutador segue lutando e lesionando o cérebro por muito mais tempo. No MMA, como a luva é pequena fere a pele mais rapidamente e os combates são mais curtos, causando mais danos superficiais do que profundos. Não há contagem de tempo no knockout, apagou acaba a luta. Além disso o MMA está muito longe ser a "luta livre" que falam. Existem regras e elas acabam por proteger os lutadores. Não pode bater nas virilhas, dedo no olho, chutar a cabeça de um oponente caído ou com três apoios no chão, morder, dar pancadas nas costas da cabeça ou na coluna e assim por diante. Na verdade a pior coisa para o lutador não são as lesões durante a luta e sim o processo de perder peso para bater o limite da categoria. E não há esporte de alto desempenho que não rime com dor. Os atletas olímpicos de Tênis de Mesa tem de conviver com lombalgias e tendinites nos joelhos, ombros e punhos e também problemas posturais como escoliose e cifose e tudo isso pode doer demais. Não há esporte de alto desempenho sem DOR!

O MMA começou como espetáculo e depois foi transformado em esporte na sua apresentação ao público. Na prática ele situa-se num limbo entre as duas esferas. É esporte na dedicação, esforço e competitividade dos atletas em melhorar, inovar e concorrer em novos patamares continuamente e é espetáculo na medida que subordina as lutas a falta de ranking e clareza na definição das lutas. Efetivamente, as lutas são casadas não a partir de um ranking de pontuação definida e sim através do desempenho do lutador em suas lutas e no impacto gerado no público diante da apresentação. Prefiro a dimensão do esporte e antipatizo profundamente com a lógica de mercado no agendamento de lutas.

Existem 8 (oito) categorias dividas por peso. A Mosca com até 56,7kg é a menor e mais recente e tem como campeão o americano Demetrious Johnsons. Temos o peso Galo com até 61,2 kg com o campeão Dominick Cruz(EUA) machucado e com o campeão interino Renan Barão(BRA) aguardando a unificação. No peso Pena, de até 65,8kg, impera o brasileiro José Aldo. Entre os Leves, com até 70,3 kg o Americano Ben Henderson ainda consolidar sua imagem. Nos Meio-médios, com até 77,1kg, o aclamado campeão canadense Georges St. Pierre volta de lesão para enfrentar o americano Carlos Condit, dono do cinturão interino. Entre os Médios, com até 83,9 kg, reina soberano e imbatível o inigualável Anderson Silva, que honra o Brasil com uma invencibilidade que dura quase 7 anos com 10 lutas de defesa de título. Já entre os Meio-pesados, com até 93 kg, o americano Jon Jones ambiciona tornar-se uma estrela de grande magnitude, sendo jovem, duro e promissor. E por fim, entre os Pesados, com até 120,2 kg, nosso Júnior Cigano detém o cinturão a um ano.

O Brasil, além de pioneiro, está muito bem na fita. Atualmente, dentre as 8 categorias, temos 3 cinturões e 1 interino. Os EUA tem 3 cinturões e 2 interinos. E desde que o UFC passou para mãos norte-americanas, nunca estivemos tão bem representados.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

As Aventuras de Sharpe

Nesse meu ano afastado, ano "sebático" (de sebo mesmo), continuei gordo, chato, deslocado e gamer.
Além disso aprimorei as "artes churrasqueiras" praticando uma vez por semana...
Adoeci, desempreguei, empreguei-me, aborreci-me e ressuscitei...
Mas continuei lendo.

Quando era bem jovem lia bastante, mas quando cheguei na faculdade, parei... só lia teoria rsrsrs e perdi a linha.
A alguns anos atrás, decidi voltar a ler, grande prazer...
Hoje tenho cada vez menos tempo e leio "cada vez mais" (proporcionalmente falando... rsrsrs)

Resgatando o costume de partilhar aqui minhas leituras... Falemos das Aventuras de Sharpe.

De início pensei que não gostaria, mas adorei.
São escritos do meu querido Bernard Cornwell, mesmo autor de muitos livros saborosos a mim. O conheci através da Borboleta e nunca mais parei de apreciá-lo.

Sharpe é um soldado inglês que participa de muitos eventos históricos importantes da ocupação inglesa na India e desloca-se até as guerras Napoleônicas, passando por Trafalgar, pela luta na Espanha e a defesa de Portugal até Waterloo e mais além.

Sharpe já é seriado, famoso na Europa, mas quase desconhecido aqui. Ao lado temos Bernard com o ator Sean Bean,  que dá vida ao personagem.

Já foram lançados em inglês 21 livros e 3 contos, segundo a Wikipédia, e destes, 9 foram lançados em Português no Brasil. Destes, tive o prazer de ler 7 e continuo o processo.

Temos em Português (única língua em que leio) os títulos:
O Tigre de Sharpe / O Triunfo de Sharpe / A Fortaleza de Sharpe / Sharpe em Trafalgar / A Presa de Sharpe / Os Fuzileiros de Sharpe / A Devastação de Sharpe / A Águia de Sharpe / Sharpe e o Ouro.

Para variar são excelentes. É divertimento e História conjugados, enredados, intrincados e decantados nos passos de Sharpe, que tem a tonta habilidade de estar sempre onde a história acontece.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Adriano


Segundo Márvio dos Anjos, Adriano deve ser INTERNADO.
http://globoesporte.globo.com/platb/marvio-dos-anjos/2012/10/03/chega-adriano-va-se-tratar/#comment-3991

Apesar de concordar com grande parte da argumentação elogiável, discordo do Internamento.

Adriano é um talento. - Confere!
Adriano pode não voltar a jogar bem. - Confere!
Adriano pode voltar a jogar muito. - Confere!
O Adriano tem problemas sérios com álcool. - Confere!
Adriano precisa de tratamento - Confere!
Adriano precisa de INTERNAMENTO - Não Confere!

Aparentemente Adriano tem problemas  de maneira intermitente. Consegue passar períodos sem perder a linha, mas quando começa, não sabe parar. Dessa forma a questão primordial que é retratada não é desintoxicação é o controle emocional frente a bebida em momentos da vida cotidiana. Portanto, NÃO É CASO DE INTERNAMENTO. No internamento há desintoxicação e aprendizado sobre o uso e desuso, mas raramente capacita a pessoa a ter mecanismos de controle afetivo para  o cotidiano, para a vida comum e se esse é o problema, ele necessita de um acompanhamento que não o afaste do seu dia a dia. Sob risco de entrar e sair de dezenas de internamentos e fraquejar nos mesmos momentos da vida.