quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Outro dia estava eu numa loja de peixes...

Outro dia estava eu numa loja de peixes... tenho um propósito refletido a pouco tempo de só possuir em meu pequeno aquário espécies que se reproduzem em cativeiro, abandonando as que são retiradas do ambiente.

Muito bem (mas não é esse o foco), estava eu olhando peixinhos e na saída, ainda na porta da loja testemunhei um acidente automobilístico. Foi assim: uma L200 vinha na mão da esquerda numa velocidade média, reduziu e entrou de uma vez para o estacionamento diante da loja, porém, vinha na mão direita uma moto (honda 125cc com pelo menos 10 anos de uso), a baixa velocidade guiada por um homem jovem e uma mulher (sua esposa grávida). A moto travou tudo e tentou desviar ainda colidindo com a lateral do carro já na calçada. Foi tudo muito rápido. Felizmente ninguém se machucou e os danos materiais foram pequenos. De pronto eu e outros ocupantes da loja, celulares e câmeras à mão, registramos o ocorrido.

Agora, vem a parte triste. Desceu do carro uma mulher elegante, depois de ligar a seta, que até então estava desligada e nervosamente olhou o pequeno estrago no carro. Dirigiu olhares inquisitores, porém silenciosos, para o motoqueiro que levantava-se. A esposa conseguira ficar de pé saltando da moto. Socorremos com água e atenção, motoqueiros prum lado e motorista para outro. A Mulher da L200 afirmou que o marido chegaria em breve e resolveria tudo. Pensei que tudo ocorreria bem, mas foi mera ilusão. Então notei que sutilmente a mulher ao celular punha a culpa no motoqueiro e buscava por uma “autoridade amiga” para “resolver o assunto”. Coração mole, ainda pensei que ela poderia estar nervosa e com medo das represálias do marido. Aí chegou o marido. Homem alto, pele clara, fala educada, bem vestido em outro carro importado e igualmente caro com adesivos religiosos. Ele acarinha a mulher levemente e vai tentar resolver, culpabilizando o motoqueiro... só simpatia, mas quando afirmamos a culpa da mulher, fechou a cara, aborreceu-se... O tom de voz não era agressivo, mas aborrecido. Nessa altura o motoqueiro já estava puto, e com razão! A mulher, então, disse que ligara a seta e que o motoqueiro vinha por entre as faixas, ultrapassando de forma errada etc... aí nós rebatemos suas mentiras e, resumindo, ao final de um tempo o motoqueiro foi ressarcido.

Fui-me, deixando contatos com o motoqueiro para evitar qualquer nova manobra de velhaquice. Mas fiquei pensando até onde vamos com essa perspectiva capitalista de lucro e dinheiro. Um casal rico, andando em dois veículos que, juntos, podem comprar pelo menos 54 motos, como a do rapaz, num caso de poucos danos, em que claramente havia culpa da L200, envolvendo uma mulher grávida. Aquele gasto para o casal abastado seria tão complicado quanto para o rapaz? Entregador de sanduíche, na moto? Nossa incapacidade de empatia com a diferença nos leva a absurdos, a intolerância e ao cultivo da ignonímia de classificar as pessoas como boas ou ruins a partir da quantidade de bens e dinheiro que conseguiu, muitas vezes à custa do trabalho alheio...

Se for caro é bom? Se for rico, é honesto? Se for sofisticado é necessário?

Um comentário:

Adryana disse...

Foi tudinho verdade, eu tava lá e vi!